OPINIÃO DE CELIO FURTADO: GERAÇÃO PERDIDA

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Célio Furtado –
Engenheiro e professor da Univali
celio.furtado@univali.br

Já estamos em novembro, quase no final do ano, ainda no meio da pandemia, com as máscaras e o cuidado com a limpeza, utilizando sempre o álcool gel, uma marca indelével desse atípico ano.

Passamos os Finados e, cada um, ao seu modo, lembrando os entes queridos, saudades e a compreensão da inexorabilidade do tempo e do destino, pois, na porta do Cemitério, está escrito: “lembra-te, homem que és pó e ao pó voltarás”.

Gosto de assistir à Santa Missa, no Cemitério, nessa época, sempre um convite à meditação sobre a vulnerável condição humana, e, ao mesmo tempo, uma forte esperança na vida eterna, pois, já nos consolava o Divino Mestre: “hoje estarás comigo”, ou então, “na casa do meu Pai, há muita morada”.


No plano terreno, mais especificamente, no “aqui e agora”, vivemos a realidade brasileira, muitas incertezas quanto ao desenrolar da política econômica, marcada pelo desiquilíbrio fiscal e cambial, com o aumento expressivo da dívida pública. Há uma forte percepção nos investidores, analistas e empresários, nacionais e internacionais, quanto à fragilidade do nosso modelo atual, refletindo-se na alta do dólar e na ameaça da inflação.

Na verdade, basta entrar nos supermercados para atestar a alta dos preços, numa conjuntura de alto desemprego, pobreza e exclusão social. As pesquisas junto ao empresariado demonstram uma insegurança quanto ao futuro, escassez de matéria prima e demora mais acentuada na entrega, os prazos ficaram mais dilatados. Há um fôlego para o Natal, porém, o próximo ano será mais problemático.

Não há perspectiva de um aumento no investimento público em infraestrutura, em obras básicas, fonte de geração de empregos. Felizmente, temos ilhas de prosperidade, cidades mais dinâmicas, e, principalmente, uma agricultura moderna e competitiva, exportadora, que estabelece uma certa solidez à nossa economia. As pesquisas mostram também que o dinheiro das receitas de exportação não estão “entrando”, o capital estrangeiro está buscando outras fontes mais seguras, com maior rentabilidade, todos nós sabemos que os investidores tem “aversão ao risco”.

Em outros artigos coloquei um tema sempre debatido com os alunos do Curso de Administração, sobre a intima relação existente entre a Economia e a Psicologia. Talvez o conceito central seja a questão da “expectativa racional”, os investidores vasculham todos os detalhes dos cenários possíveis.

Cada vez mais, o instrumental teórico da econometria, da analise matemática, da construção de modelos, estão mais precisos, de modo que os experts nacionais e internacionais, percebem uma fragilidade no sistema econômico.

Enquanto escrevo, não temos indicadores seguros sobre o resultado das eleições norte americanas, ainda não se sabe “quem vai ganhar”, ou se a disputa vai para o “tapetão”.  Também, logo teremos as eleições municipais, onde as pesquisas apontam, nas principais cidades brasileiras, uma derrota política do Bolsonaro, uma resposta das urnas à atual política vigente.

   Minha preocupação maior e de qualquer pessoa de bom senso é referente ao grande desemprego de nossa juventude.


Célio Furtado, nascido em 1955/ Professor da Univali/ Formado em Engenharia de Produção na Universidade Federal do Rio de Janeiro/ Mestre Engenharia de Produção/ Coppe/Ufrj/trabalhou no Sebrae Santa Catarina e Rio de Janeiro. Consultor de Empresa/ Comunicador da Rádio Conceição FM 105.9/ celio.furtado@univali.br


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