OPINIÃO DE CÉLIO FURTADO – BOM APRENDIZADO

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Célio Furtado –
Engenheiro e professor da Univali
celio.furtado@univali.br

Tenho recebido generosos comentários sobre os meus artigos semanais, algo que me proporciona uma satisfação pessoal, naturalmente, pois representa um sinal de que a comunicação está acontecendo de um modo eficaz. Acolho os elogios e também correções incorporando ao meu estilo simples.

 

Acesse: https://www.varanda.art.br

Quem escreve ou pratica alguma arte e ofício deve sempre buscar o aperfeiçoamento contínuo, um dever e, também, um ideal estético a ser perseguido. Muitos leitores fazem alusão à minha boa memória, pois, consigo “desenterrar” fatos que, para alguns, já estavam adormecidos, totalmente esquecidos, tal como no artigo anterior, minha referência ao Dicionário Prático Ilustrado, da Editora Lello, Lisboa.

Todos nós, de certa forma, somos memorialistas; faz parte das conversas cotidianas, principalmente quando encontramos velhos conhecidos, de décadas, que nos “puxam” coisas antigas, fatos pitorescos e curiosos. É curioso que as conversas vão se desdobrando, “uma coisa puxa a outra” e, então, torna-se prazeroso o conjunto dos relatos, imprecisos e generosos com o passado.  Precisamos reviver ganhos antigos para restaurarmos, muitas vezes, nossa autoestima e, principalmente, reconstruirmos o passado rico em significados e forte simbolismo, pois sabemos que “recordar é viver”.

 

CNPJ – 38.992.581/0001-68

Para quem me atribui boa memória, agradeço e respondo, na “ponta da língua”, que eu comi muito peixe na infância, ingeri muito fósforo, como a maioria das pessoas do litoral. Brinco que não é o fósforo da caixinha e sim o elemento químico de símbolo “P, na Tabela Periódica e abundante, principalmente, na carne dos peixes. De fato, o peixe fazia parte da comida cotidiana, da mesa da minha infância, peixe da “Banca”, dos carrinhos de mão dos vendedores e, também, na fase em que o meu pai trabalhou em barco de pesca. Porém, penso agora que, além do peixe, o grande fator que nos influenciou na boa memória foi a vida em uma família saudável, modesta materialmente, porém muito rica em boa conversa, pai e mãe e os cinco filhos, todos falando “pelos cotovelos”.

Assunto não faltava.

Meus pais eram memorialistas, infâncias ricas em acontecimentos, coisas simples e pequenas, que vão tomando uma dimensão enorme, na mente e fantasia de crianças saudáveis. Meu pai, Alfeu, criado no Beco do Inferninho, uma infância solta, “largada”, criado sem pai e sem mãe, trabalhando desde cedo, como guia de cego, engraxate, vendedor de amendoim “torradinho”, coisas normais de uma infância pobre e carente, sem nunca ter perdido o gosto e o entusiasmo pela vida.

Minha mãe, Benta, de origem italiana, natural de Nova Trento, vida de roça, enxada, depois operária na Tecita, fábrica de tecidos; a tradição católica, muito feliz e apaixonada pela vida. Ambos, pai e mãe, com inúmeros relatos, lembranças e ricos ensinamentos aos filhos.

O meu ambiente de infância foi privilegiado, espaços abertos, terrenos baldios e os inúmeros “campinhos” de futebol.

Havia a “floresta”, o Morro da Cruz era o início de tudo. Os banhos na Prainha da Ema, onde é o atual Centreventos, o trem e tantas coisas ricas povoando uma mente infantil.

 Daí a boa memória, o bom aprendizado!


Célio Furtado, nascido em 1955/ Professor da Univali/ Formado em Engenharia de Produção na Universidade Federal do Rio de Janeiro/ Mestre Engenharia de Produção/ Coppe/Ufrj/trabalhou no Sebrae Santa Catarina e Rio de Janeiro. Consultor de Empresa/ Comunicador da Rádio Conceição FM 105.9/ celio.furtado@univali.br


NR: Os artigos assinados são de inteira responsabilidade de seus autores.