Coluna do JC Ramos: Pronto. Estou vacinado…

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J.C. Ramos Filho

Hoje tomei a minha primeira dose da vacina contra o coronavírus.
O sistema me encaminhou para um bairro de Itajaí chamado Brilhante. E como se fosse para fazer jus ao nome, o local era um brilho só! Para ter uma ideia, o ambiente era festivo e tinha até uma cantora fazendo as honras da casa e, claro, tornando mais aconchegante aquele recinto. Afinal de contas, ali se travava uma luta em favor da vida. Talvez seja por isso que as pessoas que prestavam o atendimento demonstravam amor à profissão, pois todas elas mantinham um abraço e um sorriso magníficos no olhar. Senti-me um privilegiado pela atenção dispensada por aquelas pessoas e, principalmente, por perceber que aquela vacina era o sonho de consumo de muita gente naquele momento. Mas o meu sonho mesmo era ver o Brasil inteiro imunizado e o mundo também.

Com o advento das vacinas, ao menos pretendemos sonhar com o aconchego dos familiares dos amigos, com as viagens, com os passeios, com a liberdade de outrora. Com a tranquilidade da mente trasladando equilíbrio. Sair por aí se encantando com a natureza e se empolgar como fazem as crianças que despreocupadamente deixam a vida levá-las, querendo ser elas mesmas, momentos depois que abandonam suas fantasias que as transvestiram de duendes, fadas ou heróis.
Às vezes fico a me perguntar: quantos milhões de vacinas ainda terão que ser descobertas ou reproduzidas? Para combater o quê? Novos coronavírus, quem sabe… para que possamos sobreviver a eles e não morrermos tão precocemente ante sua nocividade. Mas quando estaremos todos realmente vacinados contra esses e tantos outros vírus que nos matam a todo instante, como a indiferença, a falta de fé, a intolerância, a solidão, o preconceito, a fofoca, a inveja e até a falta de amor e de solidariedade? E tantos outros, que não vou aqui nominar, que matam muito mais que os coronavírus e que, infelizmente, está cada vez mais difícil criar uma vacina para contê-los.


Fico agora à espera da segunda dose da vacina Astrazeneca, enquanto, emocionado, seguro forte na mão da esperança, na busca do entusiasmo e do otimismo de dias melhores, desejando que possamos viver com alegria a vida que ainda nos resta. E que possamos acenar audaciosamente, para as gerações vindouras, a entrega de um mundo mais proativo e mais sensato. E que possamos urgentemente projetar, na mente de nossas crianças, jovens e adolescentes, a lição que essa pandemia tenta nos ensinar: que a vida precisa ser vivida de maneira mais igualitária, porque, no mínimo, se não conseguirmos encontrar a essência da igualdade, que possamos disseminar o respeito às diferenças. Porque há de chegar o momento em que já não mais importará a pobreza ou a riqueza, a cor da pele, o fracasso ou o sucesso…

O que vai mesmo importar é simplesmente a possibilidade de ao menos continuar a viver.

J.C. Ramos Filho -Poeta Maranhense – Radicado em Itajaí-SC.


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