OPINIÃO DE CELIO FURTADO: PRODUTIVIDADE/ FORMAÇÃO

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  *Célio Furtado – Engenheiro e professor da Univali celio.furtado@univali.br Em artigo anterior, comentei alguns aspectos relacionados à “Produtividade Declinante”, um fato observado nos últimos anos na economia brasileira e, também, comentado pela grande imprensa. A questão central aponta o declínio suave da Produtividade Total dos Fatores (PTF), ou seja, produzimos menos do que devíamos, com os mesmos fatores fixos de produção. Há uma redução do total das horas trabalhadas, um fato decorrente do grande desemprego e trabalho informal e, portanto, não registrado. Ocorre porém que mesmo nas horas trabalhadas oficialmente, perdemos em relação a outros países, e, por conseguinte, não somos devidamente competitivos. Relendo o artigo anterior e também os comentários decorrentes, percebi a necessidade de explorar um pouco mais o assunto Produtividade, um tema, particularmente importante na minha trajetória profissional. Iniciei a minha carreira pós formado, enquanto Engenheiro de Produção, disseminando Produtividade Industrial em pequenas e médias empresas, cariocas, fluminenses e catarinenses, enquanto consultor do Ceag (atual Sebrae) Rio de Janeiro e Santa Catarina. Um trabalho de equipe orientado para o esforço de promover o desenvolvimento de empresas, privilegiando o aspecto produção,  baseado na definição de produtividade : “ a capacidade de produzir mais e melhor com os mesmos recursos, em melhores condições de trabalho”. Desde cedo, fui me aperfeiçoando na interação com pessoas ligadas ao “chão de fábrica”, podendo conhecer diversas empresas, dos mais variados setores, enfocando sempre a importante questão da melhoria de métodos e processos de trabalho. Uma experiência muito marcante na minha formação, alternada, posteriormente, com um Mestrado em Engenharia de Produção, concluído e defendido em 1983, na Coppe/ UFRJ, sempre tendo como linha principal a complexa questão da Organização do Trabalho. Ainda que inicialmente, a minha atuação se concentrava no âmbito microeconômico, individualizado em empresas, crescia a convicção pessoal, sobre a necessidade de pensarmos e obtermos uma grande Produtividade Nacional. Talvez a fartura de recursos naturais em nosso país, não estimulasse, por exemplo, o empenho em ataque ao desperdício, um assunto muito caro e decisivo na realidade econômica do Japão, que foi tema da minha Dissertação de Mestrado, intitulada “Círculos de Controle de Qualidade/ Um Estudo de Caso”, orientada pelo professor Doutor Michel Thiollent, um cientista francês radicado no Rio de Janeiro. Articular a teoria com a prática sempre foi um empenho meu e, já na década de 1980, havia a preocupação com a precarização do trabalho, inicialmente com Taylor e Ford, mas, posteriormente com o avanço da tecnologia até chegarmos à dramática questão da robotização da produção, uma realidade atual na China, por exemplo. Em qualquer debate atual, vem à baila a questão dos robôs, sua aplicabilidade crescente, alterando paulatinamente a importância e a força do trabalho organizado. Nesse sentido, retorno à questão inicial, da baixa produtividade brasileira e a nossa irrelevante inserção no comercio mundial, onde não conseguimos ser competitivos, a não ser, nos agronegócios e nos minerais brutos, sem agregação de valor. Esse assunto nos conduz à desindustrialização crescente e o desestimulo à  necessária questão da nossa emancipação científica e tecnológica.  Baixa produtividade= baixa competitividade!


Célio Furtado, nascido em 1955/ Professor da Univali/ Formado em Engenharia de Produção na Universidade Federal do Rio de Janeiro/ Mestre Engenharia de Produção/ Coppe/Ufrj/trabalhou no Sebrae Santa Catarina e Rio de Janeiro. Consultor de Empresa/ Comunicador da Rádio Conceição FM 105.9/ celio.furtado@univali.br


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