OPINIÃO DE CÉLIO FURTADO: MOMENTO ATUAL

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*Célio Furtado
Engenheiro e professor da Univali
celio.furtado@univali.br

Iniciamos o mês de agosto num clima de muitas incertezas quanto à própria sobrevivência física nossa e de tantos entes queridos que, silenciosamente, vão surpreendendo em tantas páginas necrológicas; óbitos de gente conhecida e desconhecida, ou seja, mais de mil seres humanos, brasileiros, morrem diariamente, em função da terrível pandemia. Um inimigo invisível ao olho nu, contornando todas as barreiras tradicionais, exigindo novos elementos de defesa, novas vacinas. Na verdade, nada novo, a marcha da Humanidade sempre foi cheia de percalços, guerras, pragas e pestes, maremotos e terremotos e, aos “trancos e barrancos”, avançamos pelos séculos e séculos.

Há um cenário menos pessimista há médio prazo, com a possibilidade de vacinas eficazes, em diversos laboratórios internacionais e nacionais, pois, é fundamental a fé e confiança na ciência, na experimentação, cada vez mais sofisticada e potente, com os recursos complexos dos equipamentos, metodologias, e, principalmente, cérebros mais treinados para administrar o “novo”, nesse caso, o imenso desafio epidemiológico da corona vírus. O quadro fica mais complexo em decorrência da bipolaridade entre terapia e luta pela sobrevivência. Se “eu fico em casa” ou fecho o meu estabelecimento, não produzo, não faturo e me torno mais um problema social, um objeto da assistência pública ou da caridade individual. O clamor público pede uma ajuda emergencial, uma proteção à população vulnerável que é significativa no Brasil de hoje.

Tem sido muito importante a iniciativa do governo federal, via Caixa Econômica, de proporcionar um auxílio provisório a uma multidão considerável de pessoas sem renda, ou estando desempregadas, um quadro dramático vivido por muitos brasileiros. Penso que vai ser muito difícil retirar ou suspender esse benefício, pelo menos no decorrer desse ano, por um motivo eleitoral, inicialmente.

 

Porém, independentemente de qualquer governo, o conceito de “renda mínima” está ganhando corpo e conquistando legitimidade na comunidade de economistas e tomadores de decisão pelo mundo todo. Todos nós sabemos que a desigualdade social no país é considerável, com um dos maiores Índices de Gini, um medidor internacional de concentração de renda, variando de 1 (maior concentração possível) e 0 (igualdade absoluta). Toda politica pública deve ter como meta a redução desse índice que no Brasil é 0,629.  É inegável o mérito do Governo Lula em abordar com veemência esse quadro de desigualdade, inicialmente com o programa Fome Zero e, posteriormente, com o Bolsa Família, adotado a contragosto pelo presidente Bolsonaro, que, apesar do discurso neoliberal e de querer “mudar tudo”, teve que se render às evidências.

O quadro pós-pandemia, segundo estudo do IPEA, prevê quatro frentes importantes de atuação, no sentido de reconstrução nacional:

1) reconstrução da cadeia produtiva,

2) inserção internacional,

3) investimento em infraestrutura e 4) proteção á população vulnerável.

Um modo urgente e necessário para atacar a “Miséria Macroeconômica”, e buscarmos a retomada do desenvolvimento econômico, reverter o quadro recessivo, motivado pela pandemia, pelo despreparo dos governos, atual e anteriores, pois perdemos algumas oportunidades históricas de grandes arrancadas, a exemplo de outras nações melhor sucedidas.

Muito trabalho e fé no futuro!


Célio Furtado, nascido em 1955/ Professor da Univali/ Formado em Engenharia de Produção na Universidade Federal do Rio de Janeiro/ Mestre Engenharia de Produção/ Coppe/Ufrj/trabalhou no Sebrae Santa Catarina e Rio de Janeiro. Consultor de Empresa/ Comunicador da Rádio Conceição FM 105.9/ celio.furtado@univali.br


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