Opinião do economista Célio Furtado – I FEVEREIRO PROMISSOR

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*Célio Furtado
Economista e professor da Univali
celio.furtado@univali.br

Definidas as presidências da Câmara e do Senado, o Brasil retoma agora em fevereiro à vida política efetiva. O governo caiu agora na “vida real”, cercado de grande credibilidade e expectativas otimistas.

Isso é bom em todos os sentidos, sendo que todos torcem pelo pleno êxito desta nova gestão, pois queremos um Brasil próspero e competitivo. É sempre lembrar que governar é bem diferente do que falar no palanque. Agora, o “buraco é mais embaixo” e estamos diante de inúmeros desafios concretos que devem ser resolvidos quanto antes melhor. Há um consenso geral de que a reforma da Previdência é prioridade, o tema mais importante que deve ser tratado com muito cuidado, evitando distorções e injustiças.

Não podemos manter nichos ou setores privilegiados, pois nesse caso, “tiro pode sair pela culatra”, e, passada a lua de mel com o novo governo, uma onda muito forte de protestos poderá renascer conduzida e articulada por uma oposição inteligente e combativa. Todos  concordamos com a questão Previdência, que não pode continuar como está. Os investidores internacionais, os experts na economia há muito vem “cantando essa pedra”. Torna-se necessário como temos afirmado em diversas ocasiões, a redução do custo do Estado brasileiro; a máquina e a burocracia estatal são muito pesadas e apontam para um desperdício crônico em nossos recursos.

Todos os estudos apontam para os gargalos óbvios que encontramos no cotidiano da economia, entre eles a carência e a precariedade da infraestrutura, rodoviária, portos, armazenamentos, fazendo com que nossos produtos percam competitividade. Torna-se necessário uma visão do mundo com competição, onde as empresas  devem ter condições iguais. O cerne da questão refere-se ao nivelamento da “transparência” do governo, do estado brasileiro em relação à média internacional, havendo procedimentos equivalentes, no que se refere ao item corrupção.


 

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A ideia é muito simples, uma padronização mundial dos critérios de transparência e respeito ao dinheiro público. Deste modo, estaremos criando um ambiente mais estável e seguro para o retorno dos investimentos produtivos, nacionais e estrangeiros.


 

A estratégia macroeconômica passará, necessariamente, pela elevação da nossa capacidade de poupança interna, um grande empenho na mudança de mentalidade consumista, imediatista e irresponsável no uso do dinheiro, pelas camadas mais privilegiadas da população. Uma poupança sólida e vigorosa, consciente, será a base da retomada de prosperidade nacional. Particularmente, fico entusiasmado com a temática da Produtividade, cada vez mais presente dentro do debate econômico, que aponta para a necessidade de uma  nova racionalidade econômica que o Brasil necessita.

Temos uma equipe econômica competente e com muita credibilidade interna e externa. O desempenho do ministro da Fazendo em Davos causou boa impressão. Ressaltou a necessidade urgente de enxugamento da máquina pública e uma forte dinamização da iniciativa privada. Todos nós sabemos do despreparo intelectual do Bolsonaro, seu estilo exótico, necessitando ter mais cuidado no trato com o complexo Congresso Nacional. Deixar essa questão para quem é do “ramo”. Deve se comportar como em Davos, “ quanto menos falar, melhor”. Governar é coisa séria.

Teremos um fevereiro promissor!


*Célio Furtado, nascido em 1955/ Professor da Univali/ Formado em Engenharia de Produção na Universidade Federal do Rio de Janeiro/ Mestre Engenharia de Produção/ Coppe/Ufrj/trabalhou no Sebrae Santa Catarina e Rio de Janeiro. Consultor de Empresa/ Comunicador da Rádio Conceição FM 105.9/ celio.furtado@univali.br