CLIPPER: 11 VELEIROS, 700 TRIPULANTES E UMA ECONOMIA QUE VIAJA PELOS OCEANOS

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photo © Clipper Ventures
  • Da Redação | Agência Regata News

Possível escala entre setembro e outubro de 2027 colocaria o Estado no circuito de uma das maiores regatas oceânicas do mundo e diante de uma cadeia náutica que já reúne cerca de 240 mil empregos formais

Santa Catarina pode entrar no roteiro da Clipper Round the World Yacht Race 2027–28, uma das mais conhecidas competições de vela oceânica do mundo. O Estado está sendo sondado para receber uma possível escala entre setembro e outubro de 2027, mas, até o momento, não há confirmação oficial da organização da Clipper sobre a inclusão de Santa Catarina na rota.
A articulação envolve a gerente de Patrocínios para a América Latina da Clipper Race, Flávia Goffi, com apoio da Agência Regata News.
 A eventual chegada da Clipper ocorre em um momento particularmente significativo para o Estado. Santa Catarina vem ampliando sua participação na chamada Economia do Mar, enquanto sua indústria náutica consolida uma posição de liderança no mercado brasileiro.
O Estado já reúne aproximadamente 240 mil empregos formais relacionados à Economia do Mar, mais de 23 mil estabelecimentos e uma cadeia que envolve indústria, construção naval, náutica de lazer, logística, comércio exterior, marinas, turismo, tecnologia, serviços e manutenção.
Na indústria náutica, Santa Catarina possui atualmente cerca de 1.028 empresas, concentra aproximadamente 65% da produção brasileira de barcos de esporte e lazer e responde por cerca de 90% das exportações brasileiras desse segmento.
É nesse ambiente econômico que surge a possibilidade de uma nova grande regata internacional.
UMA VOLTA AO MUNDO QUE LEVA 700 PESSOAS AO MAR
Criada em 1996 pelo navegador britânico Sir Robin Knox-Johnston, primeiro homem a realizar uma circunavegação solo e sem escalas do planeta, a Clipper nasceu com uma proposta diferente das grandes regatas oceânicas profissionais: permitir que pessoas comuns fossem treinadas para enfrentar uma volta ao mundo em condições extremas.

Três décadas depois, o projeto transformou-se em uma grande plataforma internacional de vela oceânica.

A edição 2025–26, encerrada em Portsmouth, no Reino Unido, em 25 de julho de 2026, percorreu aproximadamente 40 mil milhas náuticas durante 11 meses, atravessando os grandes oceanos e seis continentes.
A competição reuniu 11 veleiros oceânicos idênticos de 70 pés, cerca de 700 tripulantes de 48 nacionalidades, oito etapas e 15 portos-sede.
Os barcos são comandados por profissionais, enquanto os demais tripulantes participam como Race Crew. É possível disputar uma única etapa, várias etapas ou a circunavegação completa.
Essa característica transforma a Clipper em algo maior do que uma competição esportiva.
  A regata envolve turismo, experiência, treinamento, relacionamento empresarial, comunicação internacional e promoção dos destinos que recebem a frota.
Ao longo de sua história, aproximadamente 7 mil pessoas já participaram de experiências de travessia oceânica proporcionadas pela Clipper, segundo dados da própria organização.

O IMPACTO ECONÔMICO VIAJA COM OS VELEIROS
A experiência dos destinos que já receberam a frota mostra que o impacto de uma escala pode ultrapassar os limites do esporte.
Em Oban, na Escócia, a passagem da Clipper na edição 2023–24 foi estimada em £ 2 milhões de impacto econômico apenas com tripulantes e familiares, além da movimentação provocada pelos visitantes atraídos pelo evento.
Em Portsmouth, o Grand Finale de uma edição anterior recebeu mais de 90 mil visitantes e gerou mais de £ 7,5 milhões de impacto econômico, envolvendo turismo, hotelaria, alimentação, bebidas e varejo. Cerca de metade do público veio de fora da região.
Outro exemplo ocorreu em Washington, D.C., onde uma passagem da Clipper registrou mais de 228 mil visitantes na região da orla, sendo aproximadamente 29% pessoas que viajaram de outras localidades especificamente para acompanhar o evento.
Os números não podem ser transferidos diretamente para Santa Catarina. Cada cidade possui características próprias, assim como diferentes estruturas turísticas, duração de parada e programação.
Mas os exemplos demonstram que a chegada da frota pode gerar impacto econômico mensurável para os destinos-sede.

O MAR CATARINENSE JÁ É UMA GRANDE INDÚSTRIA
A possível escala da Clipper ganha dimensão quando colocada diante dos números da Economia do Mar catarinense.
Dados recentes da Secretaria de Estado do Planejamento mostram aproximadamente 240 mil empregos formais relacionados à Economia do Mar em Santa Catarina.

Em um período de 12 meses, as atividades do setor foram responsáveis pela criação de quase 6 mil novos postos de trabalho, representando cerca de 13% do saldo de empregos formais do Estado no período.
A cadeia reúne mais de 23 mil estabelecimentos.Não se trata, portanto, apenas de turismo de praia.

A Economia do Mar envolve uma extensa cadeia produtiva, que passa por portos, estaleiros, construção e reparação naval, pesca, aquicultura, indústria náutica, marinas, transporte, turismo, tecnologia e serviços especializados.
E dentro dessa economia, a indústria náutica ocupa uma posição de destaque.

SANTA CATARINA PRODUZ 65% DOS BARCOS DE ESPORTE E LAZER DO BRASIL

Com aproximadamente 1.028 empresas náuticas, Santa Catarina concentra cerca de 65% da produção brasileira de barcos de esporte e lazer e aproximadamente 90% das exportações nacionais desse segmento. Itajaí é um dos principais polos dessa cadeia, com cerca de 165 empresas náuticas.
Na Grande Florianópolis, Florianópolis, São José, Palhoça e Biguaçu reúnem outras 285 empresas, mostrando que a atividade está distribuída por diferentes regiões do litoral catarinense.
O mercado também produz embarcações de alto valor agregado.
Há no Estado fabricantes de lanchas e iates que chegam à casa de dezenas de milhões de reais por embarcação, criando uma cadeia de fornecedores que envolve motores, eletrônica, fibra, pintura, mobiliário, estofamento, equipamentos, tecnologia, manutenção e serviços especializados.

ITAJAÍ JÁ MOSTROU O TAMANHO DE UMA REGATA
A experiência catarinense com grandes competições oceânicas também apresenta números concretos.
Em 2023, a The Ocean Race levou aproximadamente 381 mil visitantes a Itajaí e gerou impacto econômico estimado em R$ 195,6 milhões.
Para 2027, a Prefeitura de Itajaí trabalha com uma projeção de aproximadamente R$ 270 milhões de impacto econômico, com expectativa de 420 mil visitantes, podendo chegar a 500 mil pessoas durante os 19 dias da Vila da Regata.
O crescimento projetado em relação ao impacto registrado em 2023 chega a aproximadamente 38%.
Os números demonstram que uma grande competição oceânica pode movimentar uma cadeia que ultrapassa o universo da vela.
Hotéis, restaurantes, comércio, transporte, turismo, serviços, comunicação e empresas ligadas ao setor náutico entram na equação.
É justamente essa experiência que torna a possível chegada da Clipper uma discussão econômica além do esporte.

UMA POSSÍVEL VITRINE PARA A INDÚSTRIA CATARINENSE
Caso Santa Catarina seja oficialmente confirmada como uma das escalas da edição 2027–28, a chegada da frota poderá colocar diante de um público internacional uma indústria que já possui forte participação no mercado brasileiro e presença crescente no exterior.
Estaleiros, fabricantes de embarcações, empresas de motores, equipamentos, eletrônica embarcada, tecnologia, marinas, turismo náutico e serviços especializados poderão encontrar na competição uma oportunidade adicional de exposição e relacionamento.                                                                                                                                                                                                       A escala também poderá aproximar empresários, investidores, representantes de governos, universidades e empresas internacionais.
A regata, nesse cenário, deixa de ser apenas uma competição.Passa a funcionar como ponto de encontro para negócios ligados ao mar.

O que já existe, porém, é uma realidade econômica concreta.
Santa Catarina possui aproximadamente 240 mil empregos formais ligados à Economia do Mar, mais de 23 mil estabelecimentos, cerca de 1.028 empresas náuticas, concentra aproximadamente 65% da produção brasileira de barcos de esporte e lazer e responde por cerca de 90% das exportações nacionais desse segmento.
E possui também experiência comprovada na realização de grandes eventos internacionais de vela.
Se a confirmação da Clipper vier, a frota encontrará um Estado que não está começando a descobrir o mar como atividade econômica. Santa Catarina já construiu uma economia a partir dele.
A possível chegada de 11 veleiros oceânicos, centenas de tripulantes e uma rede internacional de equipes, mídia, parceiros e visitantes poderá apenas abrir uma nova janela para que essa economia seja apresentada ao mundo..