Novo formato amplia o Brasileiro de Oceano 2026 e mantém título em disputa até o fim

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Créditos: Fred Hoffmann

A vela oceânica brasileira terá, em 2026, um Campeonato Brasileiro com participação ampliada e uma fórmula desenhada para evitar decisões antecipadas. A competição, organizada pela Associação Brasileira de Veleiros de Oceano (ABVO), reunirá ORC, Bra-RGS, RGS-Cruiser e RGS-Clássicos, além de adotar pesos diferentes para as regatas ao longo do evento.

A programação começa em 22 de outubro, com a 76ª Regata Santos-Rio, e segue de 30 de outubro a 2 de novembro, período reservado ao 57º Circuito Rio. As inscrições já estão abertas.

O campeonato será realizado conjuntamente pelo Iate Clube de Santos e pelo Iate Clube do Rio de Janeiro, clubes que fazem parte da trajetória da vela brasileira. A Santos-Rio abrirá oficialmente a disputa com a tradicional travessia, enquanto o Circuito Rio será responsável pela etapa final.

Pela primeira vez, as quatro principais classes da vela oceânica nacional estarão reunidas no mesmo Brasileiro. Para a ABVO, a medida amplia a representatividade do campeonato ao aproximar embarcações com diferentes características, projetos e níveis de performance.

A fórmula de pontuação foi igualmente modificada. A Santos-Rio terá peso 1, sem possibilidade de descarte. Nas regatas posteriores, os pesos crescerão de maneira gradual até chegar a 1,7 na última prova do Circuito Rio.

Dessa maneira, o campeonato pretende conservar a disputa em aberto até o último dia e diminuir as chances de que o campeão seja definido antes do encerramento. A fórmula valoriza ainda as equipes que consigam apresentar regularidade em diferentes cenários de navegação.

Para Bayard Neto, comodoro da ABVO, o formato exige desempenho completo dos competidores:

“Queremos que o Campeonato Brasileiro identifique realmente o velejador e a equipe mais completos. A Santos-Rio exige resistência, estratégia, leitura meteorológica e capacidade de navegar por muitas horas em mar aberto. Depois, no Circuito Rio, entram outros desafios, com regatas costeiras e provas mais técnicas, nas quais manobra, velocidade e tomada de decisão ganham ainda mais importância. Criamos um formato em que não basta ser muito bom em uma única condição. É preciso velejar bem durante todo o campeonato”

O Almirante Adalberto Casaes, capitão da Flotilha de Oceano do Iate Clube do Rio de Janeiro, destaca o impacto dos pesos progressivos na classificação:

“A pontuação poderá alterar o posicionamento dos ponteiros a cada dia. Cada regata terá sucessivamente maior peso, permitindo que a disputa fique aberta até o último dia”

Mudança no percurso busca dar mais velocidade à chegada

A 76ª Regata Santos-Rio terá sua linha de chegada instalada na região da Ilha Rasa, antes da entrada da Baía de Guanabara. A alteração modifica justamente um dos momentos mais decisivos da tradicional travessia.

A proposta é retirar da parte final do percurso a influência das condições existentes no interior da baía. Correntes e períodos de calmaria podem mudar significativamente as posições após centenas de milhas navegadas em mar aberto.

A expectativa é que a chegada pelo lado externo da Guanabara produza uma conclusão mais rápida e reflita com maior fidelidade o desempenho apresentado durante a travessia.

Diretor de Vela do Iate Clube de Santos, Odoardo Lantieri aponta a importância estratégica da alteração:

“A Regata-Santos Rio é a mais antiga travessia do Brasil, e também uma regata extremamente técnica, onde a estratégia e a leitura das condições faz toda a diferença. Ela fará deste Brasileiro o mais completo que já tivemos, com uma regata de longo percurso, regatas de médio percurso e regatas barla-sota. E, neste ano, a chegada na Ilha-Rasa mudará completamente a estratégia”

Gate para RGS-Cruiser será novamente adotado

Os barcos da classe RGS-Cruiser voltarão a contar com um gate específico no Canal de São Sebastião, em Ilhabela (SP), durante a Santos-Rio. A iniciativa, que também esteve presente na edição anterior, será mantida em 2026.

Os três primeiros barcos da classe a passarem pelo ponto de controle receberão premiação, independentemente de completarem ou não posteriormente o trajeto integral até o Rio de Janeiro.

A medida pretende facilitar a entrada de veleiros de cruzeiro e de tripulações que queiram participar de uma grande regata oceânica, mas ainda não tenham experiência ou estrutura para cumprir todo o percurso.

A ABVO considera que essa iniciativa, somada à inclusão das quatro classes e à nova fórmula de pontuação, contribui para um Brasileiro mais abrangente e alinhado à diversidade da vela oceânica nacional.

Além de administrar tecnicamente as principais regras de rating adotadas no Brasil, a ABVO é representante brasileira da ORC. A entidade trabalha ao lado dos clubes responsáveis pelas competições para promover provas equilibradas, seguras e tecnicamente consistentes.

Inscrições e Aviso de Regata: www.sailrace.com.br

Sobre a ABVO

A Associação Brasileira de Veleiros de Oceano foi fundada em 1955 e é a única entidade dedicada à promoção da Vela de Oceano no Brasil. Oficialmente ligada à Confederação Brasileira de Vela (CBVela), a ABVO organiza campeonatos todos os anos e atua na preservação do legado de um dos esportes mais vitoriosos do país, incluindo classes olímpicas e não olímpicas.

O comando da associação é formado pelo santista Bayard Umbuzeiro Neto, Comodoro; pelo bicampeão olímpico Torben Grael, 1º Vice-Comodoro; e por Paulo Cezar Gonçalves, o Pileca, 2º Vice-Comodoro.

Entre as prioridades da atual gestão estão a otimização e racionalização do calendário nacional, a aproximação com os clubes para fortalecer eventos, o aumento da participação das flotilhas regionais, o suporte técnico às competições, o aperfeiçoamento dos sistemas de apuração e a contribuição para melhores condições de desenvolvimento da vela oceânica no Brasil.