OPINIÃO DE CELIO FURTADO: ENSINO PROFISSIONALIZANTE

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Célio Furtado –
Engenheiro e professor da Univali
celio.furtado@univali.br

 

Em artigo anterior, mencionei a expressão “geração perdida”, ao me referir ao grande número de jovens brasileiros desempregados ou sem perspectiva imediata de conseguir uma oportunidade no denominado mercado de trabalho formal. Cada ano, um grande contingente de jovens se aproximam da idade normal para a iniciação profissional e nada encontram.

Alguns especialistas denominam, de um modo descontraído, a expressão “nem nem”, ou seja, nem trabalham e nem estudam, um problema ainda maior.

A condição do desemprego é normal no modo de produção capitalista, faz parte do exército de reserva, necessário para um adequado equilíbrio na economia política do trabalho. O denominado “pleno emprego” acontece raramente, ou em situação de guerra ou em excepcional desenvolvimento econômico, crescimento do PIB acima de 5% ao ano como vem acontecendo com a China nas últimas décadas. Isso também acontece quando a taxa de investimento interno supera aos 20% do PIB, provocando uma retroalimentação salutar, um ciclo virtuoso, onde a prosperidade atrai a prosperidade, a economia se expande e “mais braços” são necessários ao processo produtivo como um todo.


#vamoselegerjaque

 


No Brasil, infelizmente, isso não vem acontecendo. O atual presidente da República conseguiu desperdiçar o seu primeiro ano de governo, com um fraco crescimento do PIB, de 1%, abaixo do governo Temer, anterior, cercado de excepcionalidade.

Nesse segundo ano, o Brasil vai encolher, assim como grande parte dos países do planeta Terra, é normal; a pandemia se tornou um problema atípico, uma ameaça global, a ricos e pobres, onde a prioridade é a sobrevivência individual e coletiva, acompanhada de um apoio emergencial aos mais necessitados, os excluídos, os “barrados no baile”. Infelizmente, nesse momento psicossocial que estamos vivendo, de uma idolatria descabida a um “mito”, dentro de uma lavagem cerebral irreversível, torna-se desconfortável apontar o dedo e dizer que “o rei está nu”.

A história julgará esse momento com o devido rigor, pois é óbvio que estamos sendo governados por uma pessoa despreparada para o comando da nação brasileira. Numa linguagem futebolística, pode ser comparado ao jogador que joga para a torcida, falta-lhe experiência e bagagem cultural e administrativa para conduzir o povo brasileiro nesses “´ásperos tempos”.

Em um momento de crise como este, de pandemia associada ao baixo desenvolvimento, precisaríamos de um estadista, um homem que reunisse os sonhos e ideias de nossa gente para um “grande salto à frente”, como fizeram os dirigentes chineses.

Infelizmente, Bolsonaro, com toda a votação e prestigio junto a um forte segmento da população, não é um Xi Jinping. Nesse sentido é que estamos vivendo um desemprego enorme, sem perspectiva a curto prazo de uma “virada” do jogo. O dólar alto, a inflação ameaçando retornar, e o capital fugindo para outras praças mais seguras.

Com isto, o investimento público cai ainda mais, refletindo na saúde, na educação e na geração de empregos. O número de jovens ociosos aumenta e sabemos “uma mente ociosa é a oficina do Diabo”.

Precisamos de uma revolução no ensino profissionalizante. Vamos nos concentrar em nossa juventude, o futuro do Brasil.

 


Célio Furtado, nascido em 1955/ Professor da Univali/ Formado em Engenharia de Produção na Universidade Federal do Rio de Janeiro/ Mestre Engenharia de Produção/ Coppe/Ufrj/trabalhou no Sebrae Santa Catarina e Rio de Janeiro. Consultor de Empresa/ Comunicador da Rádio Conceição FM 105.9/ celio.furtado@univali.br


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