França – Coluna da jornalista Raquel Cruz – 8ª edição da Vendée Globe -Partida iminente!

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RAQUEL CRUZ

Jornalista catarinense, amante do mar e do esporte. Atuou na comunicação da etapa brasileira da Volvo Ocean Race 2014-2015, Transat Jacques Vabre (edições 2013, 2015 e 2017) e 1ª Semana da Vela de Itajaí. Foi repórter esportiva e voluntária na Associação Náutica de Itajaí. Atualmente, cursa pós-graduação em Gestão Digital pela Université de Paris X – Nanterre, França, de onde acompanha as principais regatas de oceano do circuito europeu.
Contato: raquelcruz@outlook.com
Twitter: @_raquelcruz




 

 

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Partida iminente!

Senhoras e senhores, assumam os seus lugares, o tour do mundo vai começar! No próximo domingo, exatamente às 10h02, pelo horário de Brasília, começa a 8ª edição da Vendée Globe – regata que parte da França e faz a volta ao mundo. Para demonstrar a grandeza desse evento (e o porquê de eu estar batendo nessa tecla há quatro semanas consecutivas), tirei a calculadora da mochila e trago, aqui, algumas curiosidades e marcos que estão para serem cravados na história da regata e da vela oceânica:

  • A Vendée Globe é a única regata de volta ao mundo em solitário, sem escala (isto é, começa e termina no mesmo ponto sem fazer pit stop) e sem assistência (depois de largarem, é só o velejador em seu barco, ninguém mais pode interferir na sua trajetória ao longo do percurso).
  • Com duração de 78 dias – recorde batido na última edição – a prova acontece durante o período de inverno no Hemisfério Norte, o que torna a saída e o retorno extremamente delicados e desgastantes para quem participa.
  • Desde que o desafio foi lançado pela primeira vez, em 1989, metade dos velejadores que se engajam a cumpri-lo quebram ou abandonam a prova antes do fim. O número exato de desistências é de 63 sobre 138 tentativas.
  • Ao todo, são 44 mil quilômetros a serem percorridos com direito a ondas gigantes na altura do Cabo Horn, calor intenso na Linha do Equador, icebergs no Pacífico Sul, sem contar o risco de bater de frente com um navio cargueiro nas regiões de tráfego marítimo intenso.
  • Embarcar em uma volta ao mundo não se faz do dia para a noite, requer gestão de recursos, conhecimento meteorológico e náutico, gestão da fatiga, da alimentação, do sono… Por falar em dormir, sabia que o cochilo mais longo que os velejadores terão nos três próximos meses é de incríveis 40 minutos? Isso mesmo, eles programam um despertador e, assim, mantêm-se atentos ao rumo que estão tomando e a possíveis “inconvenientes” que possam encontrar pelo caminho!
  • A difusão midiática desta edição, que deve se intensificar a partir da largada, envolve veículos de comunicação de 190 países – é realmente uma volta ao mundo sobre as águas e por de imagens imagens, vozes e linhas escritas pelos mais de mil jornalistas envolvidos na cobertura.
  • Dos 29 velejadores, 14 são “calouros” e vão fazer a primeira circum-navegação de suas vidas.
  • Ao todo, sete barcos estarão equipados com fólios – Falei sobre esse novo aparato tecnológico há algumas semanas – trata-se de “asas de carbono” acopladas nas laterais do barco que, quando submersas, impulsionam o veleiro para fora da água, fazendo-o flutuar a uma velocidade acima da média com relação aos barcos tradicionais. O detalhe é que essa será a primeira vez que eles serão testados em uma regata de volta ao mundo e ainda não se sabe até que ponto os fólios são eficazes ou mesmo seguros!
  • O mais jovem e o mais, digamos, “experiente” dos velejadores da história da Vendée Globe estarão presentes na linha de largada no próximo domingo. O suíço Alan Roura tem 23 anos (mas carrega no currículo mais milhas percorridas que muitos marmanjos por aí). Ao lado dele, o americano Rick Wilson eleva o limite de idade com 66 anos (pensa no pique que do vovô!)
  • Um IMOCA, barco de 60 pés usado na aventura, pode chegar a até 30 nós de velocidade (por volta de 55km/h). Com tamanha rapidez sobre águas nem sempre – ou quase nunca – tranquilas, você deve estar imaginando que acidentes podem acontecer, certo? A resposta é sim e, para isso, um médico está sempre de plantão para auxiliar os velejadores pelo rádio em momentos de apuro. As ocorrências vão desde cortes, ferimentos nas mãos, luxações, até língua cortada ao meio e costurada por meio de uma pequena cirurgia feita pelo próprio velejador – Bertrand de Broc, e fratura do fêmur – como foi o caso do francês Yann Eliès (posso imaginar a sua cara de repulsa ao ler essa última frase). Pensa que isso os intimida? Que nada, ambos estarão presentes na linha de largada logo mais.

 

Chinês desaparecido: informação atualizada

Na semana passada, estive em Sables d’Olonne (França), cidade da largada da Vendée Globe, de onde recebi a notícia sobre o desaparecimento do velejador chinês Guo Chuan, de 51 anos. Seu barco foi encontrado próximo à costa havaiana sem ninguém a bordo e, depois de mais de uma semana de buscas sem sucesso, as chances de encontrá-lo com vida são praticamente zero. Chuan iniciou uma campanha para participar da Vendée Globe e seu desaparecimento deixa um silêncio doloroso em meio a festa.



 

 

 



 

Coluna anterior – http://regatanews.com.br/franca-coluna-da-jornalista-raquel-cruz-direto-da-vendee-globe-desaparecido-no-hawaii/