- Adilson Pacheco | Agência Regata News
Santa Catarina vive um movimento histórico de reconexão com o mar. O que antes era percebido apenas como vocação turística hoje se consolida como uma política econômica baseada na chamada economia azul, envolvendo náutica, turismo marítimo, logística portuária, construção naval, marinas, pesca e grandes eventos internacionais.
O ponto de inflexão ocorreu em 2012, quando Itajaí recebeu pela primeira vez uma etapa da então Volvo Ocean Race, atual The Ocean Race. Naquele momento, poucos imaginavam a dimensão da transformação que o evento provocaria. A cidade, que se preparava para receber uma regata internacional inédita no Brasil, ouviu do então CEO da prova, Knut Frostad, uma frase que hoje soa profética:
“Esta cidade vai se tornar um grande polo náutico nacional.”
Quatorze anos depois, a previsão se concretizou. Itajaí está prestes a receber pela quinta vez uma parada da The Ocean Race, tornando-se a única cidade da América do Sul a sediar regularmente a principal regata oceânica do planeta.
Os números ajudam a dimensionar o impacto. A edição de 2023 movimentou cerca de R$ 195,6 milhões na economia local, segundo dados divulgados pela organização do evento e pela prefeitura. O setor náutico de Itajaí concentra aproximadamente 27% das empresas de construção de embarcações de Santa Catarina e responde por mais da metade das exportações catarinenses de barcos de esporte e lazer, que alcançaram US$ 26,2 milhões em 2024. Além disso, a atividade gera milhares de empregos diretos e indiretos em estaleiros, marinas, hotelaria, gastronomia, logística e serviços especializados.
O avanço não ficou restrito a Itajaí. Balneário Camboriú consolidou sua operação de navios de cruzeiro e avança com projetos de marina e infraestrutura náutica voltados ao turismo de alto padrão. Itapema ganhou o o Píer Oporto, empreendimento anunciado por um consórcio de incorporadoras e empresas de engenharia que criar um novo complexo turístico avançando sobre a orla marítima.
No norte do estado, Joinville inaugurou o novo Cais do Espinheiros, na Baía da Babitonga, com investimento de R$ 6,1 milhões. A estrutura foi concebida para impulsionar turismo, pesca e navegação, ampliando o uso econômico e social da baía pela primeira vez com uma infraestrutura totalmente concluída para receber moradores e visitantes.
Já na Ilha de Santa Catarina, historicamente conhecida como Florianópolis, volta a olhar para o mar de forma estruturada. O projeto Parque Urbano e Marina Beira-Mar representa uma mudança significativa na relação da capital com sua orla central. Desenvolvido por meio de concessão à iniciativa privada e financiado integralmente com recursos privados, o empreendimento prevê novos espaços para esportes náuticos, lazer, contemplação e atividades marítimas, resultado de estudos apresentados por entidades empresariais e avaliados pela prefeitura através de um Procedimento de Manifestação de Interesse (PMI).
Quando se observa esse conjunto de investimentos — The Ocean Race em Itajaí, cruzeiros e marinas em Balneário Camboriú, Píer Oporto em Itapema, Cais do Espinheiros em Joinville e a Marina Beira-Mar em Florianópolis — percebe-se que Santa Catarina está construindo uma rede integrada de infraestrutura marítima, algo raro no cenário brasileiro.
O estado já possui liderança nacional em portos, construção naval de lazer e turismo costeiro. Agora adiciona um novo ativo estratégico: a capacidade de combinar eventos globais, marinas, inovação urbana e desenvolvimento econômico associado ao mar.
A história iniciada com a chegada da primeira regata internacional a Itajaí em 2012 deixou de ser apenas um capítulo esportivo. Tornou-se um projeto econômico de escala estadual, capaz de gerar investimentos bilionários, ampliar a competitividade turística, atrair negócios internacionais e consolidar Santa Catarina como o principal território brasileiro da economia azul.













