- Da Redação | Agência Regata News
Bicampeã olímpica, campeã mundial e primeira brasileira na Volvo Ocean Race, velejadora construiu trajetória entre a vela olímpica, as regatas oceânicas e o SailGP
A trajetória de Martine Grael no SailGP ganhou um novo capítulo nesta quinta-feira, 17 de setembro de 2026. A equipe dos Estados Unidos confirmou oficialmente a contratação da brasileira para comandar o F50 no Rolex Switzerland Sail Grand Prix, em Genebra.
A participação será específica para a etapa suíça, depois que Taylor Canfield e Harry Melges ficaram fora da competição por lesão. Com a chegada de Martine, a equipe norte-americana também se torna a primeira da história do SailGP a competir com duas mulheres a bordo.
A nova passagem pelo F50 acontece pouco depois de Martine deixar o Mubadala Brazil SailGP Team, equipe que marcou sua entrada na principal liga internacional de catamarãs com foils.
A chegada ao SailGP com o Brasil
Em setembro de 2024, o SailGP anunciou oficialmente Martine Grael como comandante da nova equipe brasileira para a temporada 2024/25.
A brasileira assumiu o comando do F50 e se tornou a primeira mulher a pilotar um F50 em uma competição do SailGP. A estreia aconteceu na etapa de Dubai, em novembro daquele ano.
A escolha também representava a chegada de uma atleta com uma trajetória construída em diferentes formatos da vela de alto rendimento.
No currículo estavam dois títulos olímpicos na classe 49erFX, conquistados ao lado de Kahena Kunze, no Rio de Janeiro, em 2016, e em Tóquio, em 2020. Martine também havia conquistado o Campeonato Mundial de 49erFX em 2014 e voltaria ao pódio mundial ao lado de Kahena em outras temporadas.
Do 49erFX para a volta ao mundo
Antes do SailGP, Martine já havia feito uma transição importante em sua carreira.
Em 2017, foi anunciada pelo Team AkzoNobel para disputar a então Volvo Ocean Race 2017-18, tornando-se a primeira brasileira a competir na regata de volta ao mundo.
A mudança representou uma passagem da vela olímpica para um barco de 65 pés, com uma tripulação maior e uma dinâmica completamente diferente de competição.
Martine disputou praticamente toda a volta ao mundo pelo AkzoNobel, participando das etapas e das regatas In-Port. A campanha também a levou a Itajaí, uma das paradas brasileiras da competição.
A experiência colocou Martine em contato direto com a vela oceânica e com uma das principais competições internacionais do esporte, em uma edição que percorreu cerca de 45 mil milhas náuticas ao redor do planeta.
Os títulos que construíram a carreira
A história de Martine no alto rendimento começou ainda jovem, mas ganhou projeção internacional principalmente na classe 49erFX.
Ao lado de Kahena Kunze, conquistou o Campeonato Mundial de 49erFX de 2014, em Santander, na Espanha. As duas também foram campeãs europeias em 2019 e 2022, além de acumularem participações em finais e pódios internacionais.
O maior momento chegou nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, em 2016. Competindo em casa, Martine e Kahena conquistaram a medalha de ouro na 49erFX.
Quatro anos depois, em Tóquio 2020, a dupla brasileira repetiu o resultado e voltou a conquistar o ouro olímpico. Martine tornou-se, assim, bicampeã olímpica.
A primeira vitória brasileira no SailGP
No SailGP, Martine também deixou sua marca.
Em junho de 2025, o Mubadala Brazil SailGP Team conquistou em Nova York sua primeira vitória em uma regata de frota. A equipe brasileira venceu a quarta prova da etapa e chegou perto de disputar a final do evento.
A vitória representou um dos principais resultados do projeto brasileiro desde sua entrada na liga.
O Brasil havia entrado no SailGP como a primeira equipe sul-americana da competição, ampliando a presença brasileira no circuito internacional da vela de alta velocidade.
A saída do Brasil e a mudança em 2026
Em setembro de 2026, Martine anunciou sua saída do projeto brasileiro antes do encerramento da temporada.
O SailGP confirmou posteriormente uma nova formação para o Mubadala Brazil: Paul Goodison passou de estrategista a piloto, enquanto Kahena Kunze retornou à equipe como estrategista. Pietro Sibello assumiu como wing trimmer, Rasmus Køstner ficou no controle de voo e Mateus Isaac, Marco Grael e Breno Kneipp completaram a tripulação como grinders.
A mudança, entretanto, durou pouco para Martine ficar fora do F50.
Agora, Estados Unidos
Nesta quinta-feira, 17 de setembro, veio a confirmação.
A U.S. SailGP Team anunciou Martine Grael como piloto para o Grand Prix de Genebra. A brasileira assumirá o comando do F50 norte-americano ao lado da também olímpica Anna Weis.
A participação está restrita à etapa de Genebra, marcada para 19 e 20 de setembro.
Com a mudança, Martine volta imediatamente ao cockpit de um F50 — agora representando os Estados Unidos.
É mais um capítulo de uma carreira que já passou pela vela olímpica, pelos campeonatos mundiais, pela volta ao mundo e pelo SailGP.
E, em Genebra, ela volta a fazer história: será a primeira vez que uma equipe do SailGP competirá com duas mulheres a bordo, com Martine no comando e Anna Weis na tripulação














