- Da Redação | Agência Regata News
Uma regata com 700 tripulantes, 68 nacionalidades, 14 etapas, oito paradas internacionais, 11 meses de duração e cerca de 40 mil milhas náuticas percorridas pelos principais oceanos do planeta. Esse é o perfil da Clipper Round the World Yacht Race 2027-28, considerada uma das maiores e mais exigentes competições oceânicas do mundo e que pode colocar Santa Catarina em um novo patamar de exposição internacional no setor náutico.
A articulação para trazer uma etapa da competição ao Estado está sendo conduzida pela gerente de Patrocínios para a América Latina da Clipper Race, Flávia Goffi, com apoio da Agência Regata News. A possível parada, prevista para ocorrer entre setembro e outubro de 2027, reforça um movimento que vem consolidando Santa Catarina como um dos principais polos náuticos e esportivos da América do Sul e como destino apto a receber grandes regatas de rendimento internacional.
Uma volta ao mundo em 11 meses
Fundada em 1996 por Sir Robin Knox-Johnston, o primeiro velejador a completar uma circunavegação solo sem escalas, a Clipper Race transformou-se em uma plataforma global de esporte, turismo e promoção territorial. Desde sua criação, mais de 6 mil tripulantes de mais de 60 países já participaram da competição.
Diferentemente de regatas profissionais tradicionais, a Clipper Race combina comandantes profissionais com velejadores amadores treinados pela organização, criando um modelo único de participação internacional. Cada integrante da tripulação passa por quatro níveis obrigatórios de treinamento, independentemente de sua experiência prévia, para enfrentar algumas das condições oceânicas mais severas do planeta.
O modelo econômico da Clipper
A edição 2025-26 conta atualmente com 10 iates Clipper 70, cada um com aproximadamente 20 tripulantes, sendo dois profissionais responsáveis pelo comando técnico da embarcação. Os barcos representam países, cidades ou parceiros corporativos, transformando a regata em uma poderosa ferramenta de marketing internacional.
Na edição 2027-28, a competição dará um salto tecnológico com a estreia da nova geração Clipper RX, uma frota de 12 veleiros monotipo de 70 pés, atualmente em construção em Qingdao, na China. Os novos barcos foram projetados para oferecer maior velocidade, segurança, estabilidade e eficiência operacional em travessias oceânicas extremas.
Por serem monotipos, todos os iates possuem desempenho equivalente. Isso significa que os resultados dependem principalmente da habilidade da tripulação, da estratégia de navegação e do trabalho em equipe, aumentando o equilíbrio esportivo e o interesse internacional pela disputa.
Impacto econômico de uma parada internacional
O potencial econômico da Clipper Race vai muito além da competição em si. Uma parada internacional mobiliza:
700 tripulantes de diversas nacionalidades;
equipes técnicas e de manutenção;
organização internacional do evento;
patrocinadores globais;
imprensa especializada;
familiares e visitantes que acompanham a frota ao longo da volta ao mundo.
Esse fluxo gera demanda direta para hotelaria, gastronomia, transporte, marinas, abastecimento, manutenção naval, serviços portuários, comunicação, segurança e turismo receptivo.
Além do impacto imediato, o principal ativo econômico é a visibilidade prolongada. Como a regata dura 11 meses, as cidades-sede permanecem associadas ao evento durante todo o ciclo da competição, aparecendo em conteúdos digitais, transmissões, relatórios de etapa, material promocional e cobertura da mídia náutica internacional.
Consolidação de marca marítima
A Clipper Round the World Yacht Race percorre seis continentes, atravessando oceanos e algumas das regiões mais remotas do planeta. Estar nesse circuito significa integrar um seleto grupo de destinos reconhecidos pela capacidade de receber eventos oceânicos de alta complexidade logística.
Para Santa Catarina, a possível chegada da Clipper Race representa um movimento estratégico de consolidação de marca marítima. O Estado já possui forte presença na construção de embarcações de lazer, infraestrutura portuária, marinas e turismo náutico, e a entrada em um circuito global de volta ao mundo reforçaria sua posição como centro de referência para grandes eventos oceânicos no hemisfério sul.
Com 12 novos Clipper RX, 40 mil milhas náuticas de percurso, 14 etapas intercontinentais, 68 nacionalidades e 11 meses de exposição contínua, a Clipper Race não é apenas uma regata. Trata-se de uma plataforma internacional de economia azul, projeção global e fortalecimento da identidade náutica, capaz de ampliar a presença de Santa Catarina no cenário mundial dos esportes oceânicos e dos negócios ligados ao mar













