
Semana Internacional de Vela de Ilhabela reflete avanço da participação feminina na vela oceânica
A crescente presença das mulheres na vela oceânica tem transformado o cenário da modalidade nos últimos anos. Esse movimento também pode ser observado na Semana Internacional de Vela de Ilhabela Daycoval (SIVI), considerada a principal competição de vela oceânica da América Latina, que vem reunindo um número cada vez maior de mulheres não apenas nas tripulações, mas também em funções estratégicas dentro e fora das embarcações.
A evolução ficou evidente na edição de 2024, quando o evento registrou um aumento de 30% na participação feminina em comparação ao ano anterior. O crescimento reforça uma tendência de maior representatividade em áreas como arbitragem, comissão de regatas, organização e liderança das equipes.
Segundo o diretor de regatas, Cuca Sodré, a mudança acontece de forma consistente, resultado de um processo que vem sendo construído ao longo do tempo.
“A participação feminina na vela oceânica, e especialmente na Semana Internacional de Vela de Ilhabela Daycoval, vem crescendo de forma gradual e consistente. Não houve um aumento repentino, mas uma evolução constante ao longo dos anos. Cada vez mais vemos mulheres integrando as tripulações e ocupando espaços importantes dentro dos barcos. O que realmente chama a atenção é o aumento da presença feminina nas tripulações de maneira geral, mostrando que as mulheres estão cada vez mais inseridas e protagonistas no esporte”, destacou.
Entre as embarcações que representam esse avanço está o Bora Bora, que retorna nesta edição com sua tradicional tripulação formada exclusivamente por mulheres. Outras equipes também contarão com participação feminina, como Ka Mua, Vela1, A Valente, Fuga III, Inaê I e o argentino Der Bekannte 2.
A transformação também é percebida por quem acompanha a modalidade há décadas. Integrante da tripulação do Bora Bora, Daniela Sanchez lembra que o cenário era bastante diferente quando iniciou sua trajetória na vela.
“Quando comecei a velejar, há cerca de 25 anos, não tínhamos tantas referências femininas na vela. Hoje a história está mudando, e isso é motivo de comemoração.”
Para Daniela, a representatividade deve ser observada em toda a estrutura das competições e não apenas entre as atletas que disputam as regatas.
“Outro ponto fundamental é a participação das mulheres na organização das competições, seja em júris, comissões de regata ou na gestão dos eventos. Essa representatividade também é muito importante.”
Ela cita nomes que vêm contribuindo para essa transformação.
“A Ann Viebig, por exemplo, realiza um trabalho extraordinário na organização da Semana de Vela de Ilhabela e dos campeonatos da Copa Mitsubishi. No ano passado, também tivemos a participação de uma árbitra internacional argentina (Marisa Delgado). Ainda existe espaço para avançar, mas os exemplos já são muito significativos.”
Outro aspecto destacado por Daniela é o aumento da presença feminina no comando das embarcações.
“Também considero muito importante observar a presença de mulheres como capitãs de embarcações, independentemente de a tripulação ser feminina ou mista. Ainda são poucos os exemplos, mas eles existem e são muito relevantes.”
Ela lembra que a própria Semana Internacional de Vela de Ilhabela Daycoval contará com importantes lideranças femininas.
“Na própria Semana de Vela temos alguns casos importantes. No nosso barco, a timoneira e capitã é a Isabela Malpighi. Há também o Veleiro Mina, do Rio de Janeiro, comandado pela Elisa, e o Bossa Nova, que tem como capitã Valeria Havani. São referências importantes para inspirar outras mulheres.”
A edição deste ano também terá representantes do projeto Ela na Vela, iniciativa dedicada ao fortalecimento da participação feminina no esporte. O projeto será representado por Renata Bellotti, embarcada no Nautilus, e Marina Bidoia, que integra a tripulação do Morgazek.
Fora das embarcações, a presença feminina também se amplia. Voluntária da comissão de regatas e integrante da equipe de raia, a argentina Marisa Delgado retorna à competição para sua terceira participação e afirma perceber um crescimento constante da presença de mulheres na organização.
“Na equipe da raia, em 2024, éramos apenas duas mulheres. No ano passado já havia mais participação feminina e acredito que este ano teremos ainda mais. Quando observamos toda a estrutura do evento, percebemos que há muitas mulheres atuando em diferentes funções.”
Ela observa que essa evolução também acontece entre as equipes estrangeiras.
“Entre as tripulações argentinas que competem em Ilhabela, também vejo um crescimento constante da participação feminina. Em 2024 havia uma ou duas mulheres em algumas equipes; no ano passado esse número aumentou e, neste ano, várias tripulações já estão vindo com mais mulheres a bordo.”
Na avaliação de Marisa, a modalidade se fortalece justamente pela diversidade de experiências reunidas dentro das equipes.
“Há mulheres de diferentes perfis e níveis na vela. Algumas são profissionais da área, outras competem por hobby ao lado de amigos, mas todas contribuem para fortalecer a presença feminina no esporte.”
Ela também destaca outro avanço importante ocorrido recentemente na arbitragem.
“O Brasil teve recentemente a nomeação de sua primeira juíza internacional feminina, a Tatiana Almeida. Na Argentina também temos várias mulheres atuando como juízas internacionais. Esse movimento é muito importante para ampliar a representatividade dentro do esporte.”
As categorias mistas da Semana Internacional de Vela de Ilhabela Daycoval reforçam esse ambiente de integração, permitindo que homens e mulheres dividam responsabilidades técnicas, estratégicas e operacionais durante as disputas.
Para Marisa, essa característica faz do evento um espaço acolhedor para todos os participantes.
“A Semana Internacional de Vela de Ilhabela abre espaço para todos. Este será o meu terceiro ano participando e nunca me senti excluída. Pelo contrário, sempre fui muito bem recebida.”
Ela ressalta ainda que a competição proporciona muito mais do que resultados esportivos.
“A vela é um esporte de união, oportunidade, crescimento e amizade. Muito além da disputa por troféus, ela proporciona convivência e aprendizado. O que mais gosto em Ilhabela é ver a raia cheia de barcos, com diferentes classes e perfis de participantes. Há espaço para todos dentro do evento.”
Ao reunir equipes cada vez mais plurais e ampliar a participação feminina em diferentes áreas da modalidade, a Semana Internacional de Vela de Ilhabela Daycoval reafirma seu papel como um dos principais exemplos da evolução da vela oceânica brasileira, contribuindo para formar novas referências e incentivar futuras gerações de navegadoras.
Sobre o Banco Daycoval
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