Mensalidades recebidas ao longo do mês, folha de pagamento, aluguel, compra de equipamentos e contratação de serviços. A combinação dessas despesas e receitas passa a exigir atenção adicional de academias, escolas esportivas e outros negócios do setor na elaboração do planejamento financeiro para 2027.
A implementação da Reforma Tributária sobre o Consumo acrescenta IBS e CBS às projeções das empresas. Para pequenos negócios, o impacto dependerá da estrutura de cada operação, incluindo o perfil dos clientes, a participação da folha nos custos e as despesas que poderão gerar créditos tributários.
Academias e escolas esportivas apresentam uma característica específica: parte significativa da receita pode ser recorrente e proveniente diretamente de pessoas físicas. Ao mesmo tempo, os custos podem reunir profissionais, aluguel, manutenção, sistemas de gestão, equipamentos e diferentes fornecedores.
Por isso, comparar apenas o percentual dos tributos não é suficiente para projetar os efeitos sobre o negócio. Margem, formação do preço e disponibilidade de recursos ao longo do mês também precisam entrar nos cálculos.
“O empresário precisa saber quanto sobra de cada mensalidade e em qual data poderá usar esse dinheiro”, afirma Anderson Diogenes Pavanello, CEO do Meu Contador Online.
A folha de pagamento também coloca a contratação de profissionais entre as decisões que precisam ser consideradas no planejamento. No mercado esportivo, professores, treinadores, profissionais de atendimento e equipes administrativas têm participação direta na prestação do serviço e na relação com os alunos e clientes.
“Quando falamos de academias e clubes esportivos, é muito fácil olhar para estrutura, equipamentos e serviços como os principais fatores de experiência. Mas existe algo antes disso: quem entrega essa experiência são as pessoas. Um colaborador que se sente valorizado, preparado e conectado à cultura da organização tende a atender melhor, criar vínculos e cuidar mais de quem está do outro lado. No fim, investir na experiência do colaborador não é apenas uma questão de gestão de pessoas. É uma decisão que impacta a experiência do cliente, a retenção e a performance do negócio”, afirma Gabriel Polisandro Sowmy, porta-voz da NPW.
A situação tributária pode mudar quando a empresa também trabalha com clientes corporativos. Academias que mantêm contratos empresariais, escolas esportivas que prestam serviços para instituições ou negócios que combinam atendimento ao consumidor com operações B2B precisam considerar o perfil de cada receita.
Outro fator é a possibilidade de aproveitamento de créditos de IBS e CBS. O efeito depende das características da operação e das despesas realizadas pela empresa, razão pela qual negócios semelhantes podem chegar a resultados diferentes nas simulações.
“A preparação começa com uma simulação do negócio real. A escolha tributária do concorrente pode ser inadequada para a sua academia”, afirma Anderson Diogenes Pavanello.
As projeções para 2027 podem interferir em decisões comuns ao setor, como reajuste de mensalidades, compra de equipamentos, abertura de unidades e expansão das atividades. A contratação e a retenção de profissionais entram na mesma equação, principalmente em operações nas quais a folha representa parcela relevante dos custos.
Para empresas enquadradas no Simples Nacional, a possibilidade de manter IBS e CBS dentro do regime ou realizar a apuração regular dos dois tributos acrescenta uma escolha ao planejamento. O resultado deve ser analisado de acordo com os números de cada operação, e não apenas pela comparação com outras empresas do mesmo segmento.
Com a aproximação de 2027, academias e escolas esportivas terão de relacionar as mudanças tributárias às demais decisões do negócio. Receita, folha, custos, investimentos, contratação e caixa passam a fazer parte da mesma projeção.













