OPINIÃO DE CÉLIO FURTADO:CENÁRIO

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*Célio Furtado
Engenheiro e professor da Univali
celio.furtado@univali.br

 

Escrevo algumas palavras sobre o futuro próximo, hábito comum de muitas pessoas nas últimas semanas do ano, quando, normalmente, se faz um balanço, críticas e autocriticas, e, naturalmente, planos para o curto, médio e longo prazo. Ao longo prazo, como diria Lorde Keynes, todos nós estaremos mortos.

Escrevo, ouvindo o famoso violonista russo Estas Tonne (Internal Fight), como inspiração para avançar nas reflexões pessoais, na meditação e na tão difícil “arte de pensar”. Estamos num mundo com elevado grau de incerteza no cenário global, as delicadas relações entre os Estados Unidos e a China, a questão da Inglaterra (Brexit), as incertezas do novo governo da Argentina, a confusão crônica no Irã e Iraque, o poderio militar da Rússia e a competência inegável do Putin, a possibilidade do impeachment do presidente norte-americano entre tantos outros problemas. No plano nacional persiste a indagação sobre o futuro do governo Bolsonaro, seus problemas pessoais e familiares, suas imprevisíveis e desajeitadas declarações.   Ainda goza de grande popularidade e apoio popular, porém, decrescente como mostram as sucessivas pesquisas de opinião.

Há uma percepção favorável dos agentes econômicos sobre a possibilidade de crescimento nos próximos anos. Isso é muito bom, principalmente, se refletir no aumento da geração de empregos, um problema dramático que atinge uma grande quantidade de brasileiros que vivem em condições precárias.

As terapias macroeconômicas da equipe são acertadas, pelo menos nas intenções. Buscar o equilíbrio orçamentário e fiscal, conter a inflação, baixar os juros e, tentando irrigar a economia com recursos, ampliar a liquidez com a possibilidade de saques no FGTS, tudo dentro dos limites. Sempre é atual a ideia do “cobertor curto”, se cobre a cabeça, os pés ficam descobertos e assim por diante.

Passada a Reforma da Previdência, virão outras reformas, administrativa, tributária e fiscal, tudo dependendo, evidentemente, do Congresso Nacional. Além do mais, teremos eleições municipais, agora, no próximo ano, um fato importante que poderá gerar novos cenários, novas oportunidades e ameaças.

Eleição nunca acaba; concluída uma, vem outra e assim, sucessivamente. Dessa forma, existe uma elevada percepção de risco e quando isso acontece com maior agudeza, busca-se o ativo ideal que é o ouro, o metal precioso por excelência, a melhor garantia de segurança. Todos nós, seres humanos racionais, temos uma aversão natural ao risco e, de um modo mais acentuado no investidor, mais preparado psicológica e tecnicamente para lidar com as incertezas do mercado.

Não há, de fato, o risco concreto de que a “vaca vá para o brejo”, havendo uma forte possibilidade de um crescimento medíocre, abaixo da média mundial (3,4%). O conjunto de problemas acima citados provoca uma demanda global mais fraca, havendo mais cautela tanto da parte dos exportadores, quanto a de importadores, pois  o que se afirma é que o cenário está muito “opaco”, poucas sinalizações no forte nevoeiro global.

Investir, do ponto de vista conceitual e filosófico é “trocar o presente pelo futuro”, sacrificar um pouco agora para desfrutar melhor no futuro, assim caminha a Humanidade. Feliz e próspero 2020 !!!


*Célio Furtado, nascido em 1955/ Professor da Univali/ Formado em Engenharia de Produção na Universidade Federal do Rio de Janeiro/ Mestre Engenharia de Produção/ Coppe/Ufrj/trabalhou no Sebrae Santa Catarina e Rio de Janeiro. Consultor de Empresa/ Comunicador da Rádio Conceição FM 105.9/ celio.furtado@univali.br

 

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