Portugal em risco de sair da rota da Ocean Race

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A Câmara Municipal de Lisboa e o Governo português declinaram uma proposta dos responsáveis da prova de vela para que a próxima edição terminasse em Lisboa, mas mantêm abertura para negociar.

Ocean Race largada em Alicante /Foto: Adilson Pacheco/RN

Cristóvão Norte, porta-voz do Conselho Estratégico Nacional do PSD, anunciou nesta segunda-feira que entregou um requerimento para ouvir na comissão parlamentar de Agricultura e Mar a ministra do Mar, Ana Paula Vitorino, o sueco Richard Brisius, CEO da Ocean Race, e a presidente da Administração do Porto de Lisboa, Lídia Sequeira. Em causa está o futuro da ligação de Portugal à Ocean Race, que pode estar em risco. Segundo o PÚBLICO apurou, a Câmara Municipal de Lisboa (CML) e o Governo português declinaram uma proposta para que a próxima edição da prova de circum-navegação por equipas em barcos à vela terminasse em Lisboa, mas mantêm abertura para negociar: Johan Salén, vice-presidente da Ocean Race, esteve nesta quinta-feira em Lisboa.

   A próxima edição da competição terá o seu início no Outono de 2021 com um novo naming – a marca Volvo deixa de estar associada ao nome da prova, apesar de a construtora automóvel permanecer como parceiro comercial – e a largada voltará a ser de Alicante, mas após um ciclo de três edições de ligação de Lisboa à competição, a rota da 14.ª edição da regata pode não passar por Portugal.

   Em declarações à agência Lusa, Cristóvão Norte, deputado do PSD, afirmou​ que não se pode “desperdiçar oportunidades destas”, lembrando que este é “um evento que tanto custou a trazer para Portugal”. “Não compreendemos como esta estrutura e este assunto estejam a ser tratados de forma tão pouco diligente para não dizer irresponsável. Está em causa a vocação de Portugal como país marítimo, além dos grandes efeitos em termos económicos e reputacionais, com a eventual deslocalização do estaleiro e infraestrutura”.

 O porta-voz social-democrata para os Assuntos do Mar referiu ainda que a Ocean Race foi recentemente notificada para retirar a sua base da Doca de Pedrouços, mas o boatyard, onde é efectuado o refit dos veleiros, já foi desmantelado em Agosto – a APL pretende agora que os contentores com o material do estaleiro sejam retirado de Algés.

  Embora o desenho da próxima prova tenha sido originalmente pensado com Lisboa como um dos nove stopovers, o prazo dado pelos responsáveis da Ocean Race às entidades portuguesas para que o acordo ficasse fechado terminou no final de 2018, sem que surgisse um entendimento entre as duas partes. Em cima da mesa esteve a possibilidade de a capital portuguesa ser o palco da chegada da última etapa, o que implicaria custos maiores do que ser apenas um stopover, mas o PÚBLICO confirmou que, para já, essa possibilidade foi declinada pela CML e pelo Governo português.

  Apesar do impasse, a vontade dos responsáveis pela regata oceânica é que Portugal continue a ter um papel de relevo na competição – Johan Salén, vice-presidente da Ocean Race, estará nesta quinta-feira em Lisboa​ – e, segundo o PÚBLICO apurou, há abertura das autoridades portuguesas para negociar a permanência de Portugal na rota da mais longa prova de circum-navegação de vela por equipas. Mas difícil será segurar o boatyard, infraestrutura muito desejada por Espanha


Fonte: https://www.publico.pt/