Com três bicampeões olímpicos na tripulação, Magia IV supera favorito Crioula 52 por apenas 6,7 pontos no Rio de Janeiro.
Torben Grael acrescentou mais um título à sua trajetória na vela brasileira com uma virada decidida na última regata do Campeonato Brasileiro de Oceano 2026, nesta segunda-feira (2), no Rio de Janeiro (RJ). A bordo do Magia IV, um ILC 30, o bicampeão olímpico superou o Crioula 52, TP52 comandado por Eduardo Plass, que defendia o título nacional e chegou à competição como favorito. A conquista foi definida na última prova do 57º Circuito Rio, quando o barco de Grael reverteu a desvantagem e terminou com 195,2 pontos, contra 188,5 do adversário.
A façanha começou a ser construída depois de uma sequência de mudanças de liderança. O Crioula 52, representante do Veleiros do Sul, venceu a 76ª Regata Santos-Rio e a Regata Victor Demaison, que abriu o Circuito Rio. O Magia IV reagiu no sábado (31), assumiu a primeira posição, mas voltou a ficar atrás no domingo (1º). Na segunda-feira, o Crioula ampliou sua vantagem para 8,6 pontos após a primeira regata. Restava apenas uma prova, justamente a de maior peso na classificação acumulada. Torben e sua tripulação venceram, ultrapassaram o adversário e conquistaram o campeonato por 6,7 pontos.
“Preciso dar bastante ênfase à Santos-Rio, porque é uma regata oceânica, a mais tradicional do calendário, e deve ter mais peso nas disputas. Foi uma regata longa e demorada, começando com vento muito forte contra e depois com vento muito fraco. Quero dar os parabéns a todos os veleiros que completaram a travessia. As regatas do Circuito Rio foram excelentes, as condições de vento nos deram um pouquinho de tudo. E tenho que parabenizar a minha equipe, que foi excelente”, destacou Torben Grael.
A conquista teve outro componente na composição da equipe. O Magia IV reuniu três bicampeões olímpicos: Torben Grael, Martine Grael e Marcelo Ferreira, além de Andrea Grael. Nas últimas regatas, Nick Grael substituiu Martine, enquanto Duda Serrão, jovem formada no Projeto Grael e atleta da classe ILCA 6, atuou na vela grande. A combinação entre experiência olímpica e novos velejadores garantiu ao barco também o título da categoria Super 30.
O Campeonato Brasileiro foi disputado em duas etapas, começando com a Santos-Rio, em 22 de outubro, e terminando com o Circuito Rio, entre 30 de outubro e 2 de novembro. A competição adotou o sistema High Point, com pesos progressivos de 1 a 1,7 nas oito provas contabilizadas na ORC. A pontuação da última regata foi decisiva para a mudança de liderança.
“Estou muito satisfeito com a participação de 42 embarcações, das 48 que se inscreveram inicialmente. O Rio de Janeiro nos brindou aqui com ventos bastante bacanas, rondados, ventos fortes, ventos médios, ventos fracos. E foi um desafio para todas as tripulações. Aquilo que a gente também procurou inovar, para trazer a disputa do campeonato em todas as regras até o último dia de competição, me parece que foi um sucesso entre os velejadores. As disputas ficaram realmente para a última regata. E já temos um campeão brasileiro na ORC, um campeão brasileiro na Bra-RGS, um campeão brasileiro na Clássicos e um campeão brasileiro na Cruiser”, analisou Bayard Umbuzeiro Neto, comodoro da Associação Brasileira de Veleiros de Oceano (ABVO).
Na classificação geral da ORC, o Duma, de Haakon Lorentzen, completou o pódio com 175,9 pontos. Nas demais classes, os títulos brasileiros ficaram com o Avohai, de Luiz Henrique Macedo, na Bra-RGS; o Invocado, de Marco Polo de Melo Lopes, na RGS-Cruiser; e o Don Alberto, de Tomas Bonel, nos Clássicos. O Onda Phytoervas, de Marcelo Bellotti, conquistou a Super 40.
Organizado pela ABVO em conjunto com o Iate Clube de Santos e o Iate Clube do Rio de Janeiro, o Campeonato Brasileiro de Oceano 2026 reuniu 42 embarcações participantes, de 48 inscritas inicialmente, e foi encerrado após as últimas regatas do 57º Circuito Rio, na Baía de Guanabara.
Informações e resultados: www.sailrace.com.br
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