Bra-RGS e RGS-Cruiser encerram Brasileiro de Oceano com títulos do Avohai e Invocado

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Classes de compensação de tempo reuniram veleiros de diferentes projetos; campeonato teve oito resultados na Bra-RGS e cinco na RGS-Cruiser.

O Campeonato Brasileiro de Vela de Oceano 2026 terminou nesta segunda-feira (2), no Rio de Janeiro (RJ), com a confirmação do Avohai, IMX 40 de Luiz Henrique Macedo, como campeão geral da Bra-RGS e a vitória do Invocado, Bavaria Cruiser 46 de Marco Polo de Melo Lopes, na RGS-Cruiser. As duas classes disputaram o título nacional utilizando regras de compensação de desempenho, permitindo que veleiros de diferentes tamanhos e projetos competissem em uma mesma classificação. O campeonato foi realizado em duas etapas, com início na 76ª Regata Santos-Rio, em 22 de outubro, e encerramento no 57º Circuito Rio, em 2 de novembro.

Na Bra-RGS, o Avohai terminou com 117,3 pontos, seguido pelo Nativo 3, Delta 32 de Eduardo Stephan Harabedian, com 107,3, e pelo My Boy, Multimar 32 de Lars Muller, com 103,1. A campanha do campeão começou com a vitória na Santos-Rio e prosseguiu com a liderança na etapa carioca.

Na RGS-Cruiser, o Invocado conquistou o título com 30 pontos após vencer a regata final. O Mangalô BL3, Jeanneau Sun Odyssey 42 DS de Pedro Luis Oliveira Rodrigues, terminou em segundo lugar, com 28,5, enquanto o Mc Daud, Delta 45 de Edmilson Lira, ficou em terceiro, com 23,4.

Como funciona o rating na vela oceânica

Diferentemente de uma classe monotipo, em que todos os competidores utilizam embarcações de um mesmo modelo, a Bra-RGS permite a participação de barcos com dimensões, cascos, velas e características diferentes.

Cada embarcação recebe um fator técnico de desempenho, denominado rating, utilizado para corrigir o tempo real de regata. Essa compensação permite comparar barcos que naturalmente não possuem a mesma velocidade.

A classificação de cada prova é estabelecida após a aplicação da correção de tempo. No Brasileiro de Oceano, os resultados das regatas foram convertidos em pontos para a formação da classificação acumulada.

Na Bra-RGS, as embarcações também foram divididas em A e B, conforme critérios técnicos relacionados ao potencial de desempenho. Os resultados gerais reuniram os barcos das duas divisões.

O Avohai conquistou a Bra-RGS A, com 56,4 pontos. O Dourado, First 40.7 de Roque Luiz Vieira Araújo, foi segundo, com 45,9, e o Deja Vu, Delta 36 de Nuno Marques, terceiro, com 40,6.

Na Bra-RGS B, o título ficou com o Nativo 3, que somou 57,1 pontos. O My Boy, com 54,5, e o Beleza Pura 2, Farr 38 de Felipe Degan Ferraz, com 47,2, completaram o pódio.

“A Santos-Rio foi uma regata muito dura, muito difícil, mas conseguimos vencer. Já no Circuito Rio, as regatas foram bem equilibradas. E tivemos dias de vento forte, de vento fraco. Valeu todo o empenho da tripulação, o tempo que nós passamos treinando”, afirmou Gereba Carvalho, integrante do Avohai.

RGS-Cruiser reúne embarcações voltadas à navegação de cruzeiro

A RGS-Cruiser possui critérios próprios para permitir a participação de veleiros de cruzeiro, que não precisam apresentar a mesma configuração de um barco dedicado às regatas.

Os modelos participantes podem contar com instalações internas, equipamentos e características de navegação voltadas a viagens e passeios. Para estabelecer uma disputa equilibrada, são utilizados fatores de correção de tempo associados às características das embarcações.

O Invocado, Bavaria Cruiser 46 do Iate Clube do Rio de Janeiro, e o Mangalô BL3, Jeanneau Sun Odyssey 42 DS, protagonizaram a decisão do campeonato. A disputa permaneceu aberta até a última largada, quando o barco comandado por Marco Polo de Melo Lopes venceu a prova de encerramento e ultrapassou o adversário na classificação.

“A previsão era de tempo muito ruim, mas tivemos bom vento em todos os dias de campeonato, pudemos fazer regatas lá fora no mar, e o barco respondeu muito bem, e conseguimos vencer. Estou muito feliz e parabenizo toda a tripulação”, declarou Marco Polo de Melo Lopes.

Percursos e pontuação no Brasileiro

A competição teve início com a Santos-Rio, travessia oceânica de aproximadamente 200 milhas náuticas, e prosseguiu com o Circuito Rio, realizado entre 30 de outubro e 2 de novembro.

A Regata Victor Demaison abriu a etapa carioca com um percurso médio. Na sequência, a Bra-RGS participou das provas barla-sota, em que as tripulações precisam executar manobras sucessivas entre boias de barlavento e sotavento. A RGS-Cruiser também teve regatas de percurso, dentro da programação destinada aos barcos de cruzeiro.

A Bra-RGS contabilizou oito resultados, incluindo a Santos-Rio e sete regatas do Circuito Rio. Já a RGS-Cruiser teve cinco resultados computados.

O campeonato adotou o sistema High Point. Na Bra-RGS, os pesos das provas aumentaram progressivamente, começando em 1 na Santos-Rio e chegando a 1,7 na última regata.

O objetivo foi ampliar a influência das últimas provas sobre o resultado final, mantendo as equipes em disputa durante toda a programação.

“Estou muito satisfeito com a participação de 42 embarcações, das 48 que se inscreveram inicialmente. O Rio de Janeiro nos brindou aqui com ventos bastante bacanas, rondados, ventos fortes, ventos médios, ventos fracos. E foi um desafio para todas as tripulações. Aquilo que a gente também procurou inovar, para trazer a disputa do campeonato em todas as regras até o último dia de competição, me parece que foi um sucesso entre os velejadores. As disputas ficaram realmente para a última regata. E já temos um campeão brasileiro na ORC, um campeão brasileiro na Bra-RGS, um campeão brasileiro na Clássicos e um campeão brasileiro na Cruiser”, analisou Bayard Umbuzeiro Neto, comodoro da Associação Brasileira de Veleiros de Oceano (ABVO).

Participação de 42 barcos

O Campeonato Brasileiro de Oceano reuniu 48 inscrições iniciais, com 42 embarcações participantes. Segundo a organização, 28 barcos vieram de fora do Rio de Janeiro.

O Iate Clube do Rio de Janeiro também recebeu atividades de confraternização entre os velejadores, com música ao vivo e programação social durante o Circuito Rio.

“Foi um evento fantástico, uma semana de ótimos ventos. O pessoal que veio de fora ficou fascinado em velejar no Rio de Janeiro. E, além das boas velejadas, tivemos ótimos happy hours, música ao vivo, muita cerveja e uma grande festa Halloween no dia 31, no Dia das Bruxas”, comemorou Ricardo Baggio, o Kadu, da Diretoria de Vela do ICRJ. “Neste ano, vieram 28 barcos de fora do Rio de Janeiro. Talvez seja, na história do Circuito Rio, o maior número de barcos de fora participantes numa edição do Circuito Rio.”

Resultados de Bra-RGS e RGS-Cruiser

Bra-RGS geral
1º Avohai — Luiz Henrique Macedo — 117,3 pontos
2º Nativo 3 — Eduardo Stephan Harabedian — 107,3 pontos
3º My Boy — Lars Muller — 103,1 pontos

Bra-RGS A
1º Avohai — Luiz Henrique Macedo — 56,4 pontos
2º Dourado — Roque Luiz Vieira Araújo — 45,9 pontos
3º Deja Vu — Nuno Marques — 40,6 pontos

Bra-RGS B
1º Nativo 3 — Eduardo Stephan Harabedian — 57,1 pontos
2º My Boy — Lars Muller — 54,5 pontos
3º Beleza Pura 2 — Felipe Degan Ferraz — 47,2 pontos

RGS-Cruiser
1º Invocado — Marco Polo de Melo Lopes — 30 pontos
2º Mangalô BL3 — Pedro Luis Oliveira Rodrigues — 28,5 pontos
3º Mc Daud — Edmilson Lira — 23,4 pontos

Demais campeões do Brasileiro

Na ORC geral, o Magia IV, comandado por Torben Grael, conquistou o título com uma virada na última regata. O ILC 30 terminou com 195,2 pontos, à frente do Crioula 52, TP52 de Eduardo Plass, com 188,5, e do Duma, Farr 11S de Haakon Lorentzen, com 175,9.

Nos Clássicos, o título ficou com o Don Alberto, de Tomas Bonel, que terminou com 11,2 pontos. Nas categorias especiais, o Onda Phytoervas, de Marcelo Bellotti, foi campeão da Super 40, à frente do Bravo Soto40 e do Inaê Soto40 Transbrasa. O Magia IV também venceu a Super 30.

O Brasileiro de Oceano 2026 foi organizado pela Associação Brasileira de Veleiros de Oceano, pelo Iate Clube de Santos e pelo Iate Clube do Rio de Janeiro.

Informações e resultados: www.sailrace.com.br

Assessoria de Comunicação — ABVO
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