Santos-Rio abre o Brasileiro de Oceano em temporada que desafia Eduardo Harabedian e o Nativo 3

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Créditos: Divulgação

A solidariedade entre velejadores e a capacidade de superar imprevistos fazem parte da história recente de Eduardo Harabedian no Campeonato Brasileiro de Oceano. Após conquistar o título da Bra-RGS em 2025 em uma edição marcada por danos na embarcação, o comandante do Nativo 3 inicia a defesa do campeonato com a participação na 76ª Regata Santos-Rio, cuja largada será em 22 de outubro.

A trajetória de Harabedian na categoria inclui três títulos brasileiros, obtidos em 2017, 2020 e 2025. O resultado mais recente ganhou significado especial durante a Búzios Sailing Week do ano passado, quando uma colisão com uma escuna, antes mesmo da primeira regata, provocou avarias estruturais no barco e colocou em risco a presença da equipe.

A recuperação só foi possível graças à colaboração de outros velejadores da classe. Com o Nativo 3 reparado, a tripulação conseguiu participar do campeonato e encerrou a competição com os títulos gerais da Bra-RGS e da divisão RGS A.

Agora, o próximo objetivo começa antes da largada oficial. A equipe planeja deixar Angra dos Reis em 18 de outubro e seguir até Santos, com a possibilidade de passar a noite em Ilhabela. A previsão é chegar ao destino entre 20 e 21 de outubro, depois de percorrer cerca de 140 milhas náuticas.

O deslocamento será feito, se possível, exclusivamente à vela. Além de conduzir a embarcação até o local da competição, a tripulação pretende utilizar a viagem para finalizar os ajustes necessários. “A expectativa é sempre grande, sempre um grande desafio”, resume Harabedian.

Décadas de experiência e mudanças no percurso

A participação de Harabedian na Santos-Rio remonta ao fim dos anos 1980. Desde então, o comandante acumulou experiências que evidenciam a importância de avaliar as condições do mar e tomar decisões diante de situações inesperadas.

Uma delas ocorreu em 2020. Naquela edição, a bordo do Nativo 2, a equipe enfrentou vento forte e ondas durante a travessia. Ao identificar entrada de água no barco nas proximidades de Ilha Grande, Harabedian decidiu não continuar na disputa e retornou a Angra dos Reis. Depois de consertar a embarcação, a tripulação retomou as atividades competitivas no Circuito Rio.

A edição deste ano também terá uma modificação no trecho final. Em vez de concluir a regata dentro da Baía de Guanabara, os competidores terão a chegada na região da Ilha Rasa. A mudança pretende reduzir a influência de uma área de vento fraco localizada entre a Tijuca e as praias, que costuma dificultar a aproximação dos barcos.

O comandante vê a alteração como um fator favorável à disputa. “A chegada na Rasa ajuda a ficarmos fora do bolsão de pouco vento que sempre se forma entre a Tijuca e as praias”, afirma Harabedian. Na avaliação dele, “Creio que será uma grande regata.”

Na Bra-RGS, a lista de participantes foi fechada nesta sexta-feira (16), com 13 barcos inscritos. A presença da flotilha reforça a expectativa de uma competição equilibrada.

Quatro classes integram a programação nacional

A 76ª Regata Santos-Rio será a primeira prova do Campeonato Brasileiro de Oceano 2026, que terá continuidade com o 57º Circuito Rio, entre 30 de outubro e 2 de novembro.

O calendário reunirá as classes ORC, Bra-RGS, RGS-Cruiser e Clássicos. A participação conjunta das quatro categorias ocorre pela primeira vez na competição e amplia a diversidade de embarcações e velejadores na programação.

Outra novidade será o modelo de pontuação crescente ao longo do campeonato. Não haverá descarte da travessia Santos-Rio, uma decisão que busca preservar a importância da prova de abertura e deixar a disputa pelo título em aberto até o último dia.

A organização envolve a Associação Brasileira de Veleiros de Oceano (ABVO), o Iate Clube de Santos e o Iate Clube do Rio de Janeiro. Além de representar a ORC no país, a ABVO responde pela gestão das regras de rating adotadas nas competições e auxilia tecnicamente os clubes responsáveis pelos eventos, com foco no fortalecimento da vela oceânica brasileira.

O documento com as orientações da competição pode ser consultado em www.sailrace.com.br.

Sobre a ABVO

Fundada em 1955, a Associação Brasileira de Veleiros de Oceano é a única entidade voltada à promoção da vela de oceano no território brasileiro. Vinculada oficialmente à Confederação Brasileira de Vela (CBVela), a instituição promove campeonatos anuais e contribui para a continuidade de uma modalidade com histórico de conquistas expressivas no esporte nacional, tanto nas classes olímpicas quanto nas não olímpicas.

A diretoria tem Bayard Umbuzeiro Neto, de Santos, como Comodoro, Torben Grael, bicampeão olímpico, como 1º Vice-Comodoro, e Paulo Cezar Gonçalves, o Pileca, como 2º Vice-Comodoro.

A gestão atual trabalha para tornar o calendário nacional mais eficiente, estreitar os vínculos com os clubes, fortalecer os eventos, ampliar o envolvimento das flotilhas regionais, oferecer apoio técnico às competições e aperfeiçoar a apuração dos resultados. Também busca contribuir para melhores condições de desenvolvimento da vela oceânica no Brasil.