Na vela e nos negócios, Marcelo Bellotti defende adaptação e autonomia para alcançar resultados

0
58
Créditos: Aline Bassi / Balaio de Ideias

Decidir quando insistir em uma estratégia, reconhecer os limites individuais e manter a confiança depois de um erro são desafios que ultrapassam o ambiente empresarial. Na vela, essas escolhas podem influenciar diretamente o desempenho de uma equipe. É a partir dessa experiência que Marcelo Bellotti, empresário e comandante do Phytoervas 4Z, analisa os fundamentos da liderança antes de disputar a Regata Santos–Rio, que começa em 22 de outubro.

O Phytoervas 4Z chega à competição como atual campeão da Santos–Rio e do Circuito Rio. O projeto tem o co-patrocínio da Galápagos Capital e da Raff Infra, e a prova deste ano marcará a abertura do Campeonato Brasileiro de Oceano 2026.

Para Bellotti, a preparação não termina com a definição de um plano. A equipe precisa estar pronta para rever decisões conforme a situação evolui, sem perder de vista os objetivos estabelecidos. “Ter um plano é essencial, mas a única certeza é que, na prática, ele não vai acontecer exatamente da forma que você pensou”, afirma.

A capacidade de interpretar cenários e comparar alternativas é, segundo ele, um diferencial para reduzir falhas. “A todo tempo, você precisa avaliar os riscos e os benefícios, ficar cruzando essas informações e decidindo. A cabeça que funcionar melhor nessa dinâmica vai errar menos e ser recompensada no resultado”, explica.

O papel do comandante é coordenar competências

Uma liderança eficiente, na visão do velejador, começa com a compreensão de que diferentes pessoas possuem habilidades distintas. Concentrar todas as responsabilidades em uma única figura pode comprometer o funcionamento do grupo, enquanto a delegação permite aproveitar melhor as competências disponíveis.

“Não dá para ser bom em tudo. Se achar que é o melhor em tudo, já começou errado. Saber delegar funções é uma virtude”, diz Bellotti.

Além de dividir tarefas, o comandante considera necessário reconhecer quem está mais preparado para resolver cada dificuldade. A liderança deve ser flexível o suficiente para transferir autonomia a quem pode contribuir de maneira mais efetiva em determinado momento.

“Entender, em cada circunstância, em qual posição está o gargalo e empoderar a pessoa para que lidere o comando nesse momento é fundamental. Cabe ao comandante orquestrar e não impor nada”, afirma.

Aprender com o erro sem comprometer o grupo

Outro aspecto da gestão de equipes abordado por Bellotti é a forma como um grupo reage quando algo não sai como esperado. Em uma regata, uma falha pode gerar prejuízos imediatos, mas a perda de confiança também pode afetar o desempenho nas etapas seguintes.

“Para além do impacto direto do erro, que pode custar caro em uma competição, o principal a ser combatido nesse momento é a falta de confiança”, avalia.

O comandante acredita que o episódio precisa ser analisado dentro de uma perspectiva mais ampla. O trabalho anterior, as competências de cada integrante e os objetivos coletivos não devem ser desconsiderados por causa de um único resultado negativo.

“Não deixar o momento estragar algo que é muito maior. Tentar olhar o filme e não a foto”, resume.

Esses conceitos estarão presentes na preparação do Phytoervas 4Z para a travessia entre Santos e Rio de Janeiro, em que a equipe terá de combinar planejamento, capacidade de adaptação e trabalho coletivo.

Histórico de conquistas na vela brasileira

A trajetória do Phytoervas reúne oito barcos nas classes Star, Snipe e ORC, formando o que é considerado o projeto mais longo e consistente da vela brasileira. Os integrantes mantêm participação ativa em disputas olímpicas, campeonatos sul-americanos e competições de oceano.

Em 2025, o time conquistou o vice-campeonato geral da Semana Internacional de Vela de Ilhabela e chegou ao tricampeonato no Soto40. Também venceu a Regata Santos-Rio e o Circuito Rio, ampliando sua lista de resultados na vela oceânica nacional. A equipe possui ainda títulos individuais em campeonatos brasileiros e sul-americanos das classes Star e Snipe.

Sobre a Phytoervas

A história da Phytoervas começou em 1986, com o objetivo de desenvolver produtos que valorizassem a beleza natural dos cabelos. A empresa trabalha com o conceito de Cosmética Integral, baseado na extração responsável de ativos naturais em sua forma mais pura e no compromisso com o meio ambiente.

Pioneira no lançamento do shampoo sem sal, a marca seguiu ampliando seu portfólio e se tornou totalmente vegana e cruelty-free. Seus produtos não contêm parabenos, sulfatos ou corantes. A atuação atual abrange as categorias de cuidados capilares, corporais e domésticos. Os itens estão disponíveis em www.phytoervas.com.br.

Sobre a Galapagos Capital

Com atuação global, a Galapagos Capital oferece soluções financeiras integradas para indivíduos, famílias e negócios. A companhia foi fundada em 2019 por executivos seniores com vasta experiência de mercado e conta com mais de 400 profissionais.

Sua estrutura inclui onze escritórios no Brasil e unidades em Miami, Genebra e Abu Dhabi. A empresa reúne mais de 50 mil investidores e administra aproximadamente R$ 40 bilhões.

Sobre a Raff Infra

Brasileira e especializada em infraestrutura, a RAFF Infra concentra suas atividades em energia limpa e soluções sustentáveis. A companhia investe no desenvolvimento e na operação de ativos que favorecem a diversificação da matriz energética e contribuem para o desenvolvimento socioeconômico do país.