Brasil em destaque na 52 SUPER SERIES 2026: Crioula é nono e Caballo Loco, 14º

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Da Redação | Agência Regata News

Duas equipes brasileiras enfrentaram uma das frotas mais competitivas da vela mundial, reforçando a presença do Brasil nas grandes regatas internacionais. Enquanto a Platoon Aviation conquistou o título da temporada, Crioula e Caballo Loco levaram as cores brasileiras a um circuito de alto nível técnico.

O Brasil tem um litoral de dimensões continentais, uma longa tradição náutica e um número crescente de velejadores que levam o nome do país para além de nossas águas. Em um cenário internacional cada vez mais competitivo, a participação de equipes brasileiras em grandes circuitos oceânicos demonstra a evolução da vela nacional e a capacidade de nossos velejadores de enfrentar adversários experientes e estruturas altamente profissionalizadas.

Foi nesse contexto que os barcos brasileiros Crioula, de Eduardo e Renato Plass, e Caballo Loco, comandado por Mauro Dottori, concluíram sua participação na temporada 2026 da 52 SUPER SERIES, um dos principais circuitos mundiais de monocascos de alto desempenho.

O Crioula encerrou o campeonato na nona colocação geral, enquanto o Caballo Loco terminou em 14º lugar, entre 16 equipes participantes. Mais do que posições na classificação, os resultados representam a presença brasileira em uma competição internacional marcada pelo elevado nível técnico, pela regularidade das tripulações e pela disputa entre equipes de diferentes países.

As duas equipes possuem experiência em regatas internacionais e vêm construindo suas trajetórias em um ambiente no qual conhecimento técnico, preparação física, estratégia, desenvolvimento dos barcos e entrosamento das tripulações são determinantes para o desempenho.

Crioula e Caballo Loco: experiência brasileira nas águas internacionais

O Crioula, de Eduardo e Renato Plass, voltou a demonstrar sua competitividade ao terminar entre os dez primeiros colocados da classificação geral da temporada. A nona posição, com 338 pontos, colocou a equipe brasileira à frente de diversos adversários internacionais de tradição no circuito.

Já o Caballo Loco, de Mauro Dottori, encerrou a temporada na 14ª colocação, com 523 pontos. A equipe também enfrentou uma temporada exigente, marcada pela necessidade de adaptação às diferentes condições de vento e mar e pela disputa contra adversários com grande experiência em competições de alto rendimento.

Em uma frota de 16 barcos, na qual pequenas diferenças de velocidade, posicionamento e estratégia podem alterar significativamente os resultados, a participação brasileira reforça a importância de manter equipes nacionais presentes nos principais palcos da vela internacional.

O desafio vai além de competir. Estar nesses circuitos significa acumular experiência, desenvolver conhecimento técnico, aprimorar procedimentos de bordo e ampliar o intercâmbio com equipes que estão entre as mais avançadas do esporte.

Uma tradição que ultrapassa fronteiras

A participação do Crioula e do Caballo Loco integra uma trajetória mais ampla da vela brasileira em competições internacionais. Ao longo dos anos, velejadores e equipes nacionais vêm buscando espaço em regatas oceânicas, circuitos de alto desempenho e desafios que exigem preparação para enfrentar condições muito diferentes das encontradas em águas brasileiras.

Essa presença internacional também ajuda a projetar o potencial da vela no Brasil. Com uma costa extensa, condições variadas de navegação e uma comunidade náutica distribuída por diferentes regiões, o país reúne características favoráveis ao desenvolvimento do esporte.

Entretanto, transformar esse potencial em resultados internacionais exige investimentos, formação de tripulações, apoio técnico, patrocínio e continuidade dos projetos esportivos.

Nesse cenário, cada equipe brasileira que participa de um circuito mundial contribui para ampliar a experiência nacional e manter o Brasil representado entre os protagonistas da vela de competição.

Brasil também está na Globe40

Outro exemplo dessa presença brasileira nas grandes competições oceânicas é o projeto do barco Brasil, tripulado pelo médico e velejador José Guilherme Calas e Molina, que participa da Globe40, uma regata de volta ao mundo disputada em etapas.

A competição representa um desafio de natureza diferente daquele enfrentado pelas equipes da 52 SUPER SERIES. Enquanto o circuito de TP52 privilegia regatas curtas, disputas táticas intensas e barcos de alto desempenho, a Globe40 exige resistência, planejamento de longo prazo, capacidade de navegação oceânica e preparo para enfrentar períodos prolongados no mar.

São modalidades distintas, mas que compartilham o mesmo espírito: levar a vela brasileira a competir internacionalmente e demonstrar a capacidade dos nossos velejadores em desafios de grande exigência técnica e humana.

A presença de projetos brasileiros nessas competições evidencia que o país não se limita à tradição da vela costeira. Há também equipes dispostas a encarar desafios oceânicos de grande dimensão, representando o Brasil em provas que percorrem milhares de milhas náuticas.

Platoon Aviation conquista o título de 2026

Na disputa pelo campeonato da 52 SUPER SERIES, a alemã Platoon Aviation, liderada pelo proprietário e velejador Harm Müller-Spreer, confirmou o título da temporada após a conclusão da Valencia Sailing Week, quinta e última etapa do calendário de 2026.

A equipe terminou a temporada com 216 pontos, abrindo uma vantagem de 30 pontos sobre a norte-americana Sled, de Takashi Okura, que somou 246 pontos. A italiana Alkedo Cetilar, comandada por Andrea Lacorte, completou o pódio do campeonato, com 253 pontos.

A decisão aconteceu nas águas de Valência, na Espanha, região que recebeu a Copa América de 2007. A etapa final reuniu uma frota recorde de 16 equipes, em condições de vento fraco e inconstante, que exigiram precisão tática e regularidade.

A Platoon Aviation chegou à última etapa com 11 pontos de vantagem sobre a Sled e conseguiu ampliar essa diferença ao longo da semana. A conquista marcou o segundo título da temporada da equipe alemã, que já havia vencido o campeonato em 2023.

A campanha de 2026 foi construída com resultados consistentes ao longo das cinco etapas. Mesmo depois de enfrentar dificuldades em Marina Rubicón, nas Ilhas Canárias, a equipe se recuperou e venceu a Royal Cup, em Puerto Calero, antes de assegurar mais um pódio em Valência.

A Sled, por sua vez, começou o ano em grande estilo, vencendo as duas primeiras etapas, incluindo o Campeonato Mundial Rolex TP52, em Porto Cervo, na Sardenha. Entretanto, problemas com equipamentos durante as regatas em Lanzarote e dificuldades nas condições de vento de Valência prejudicaram sua reação na reta final.

Apesar disso, a equipe encerrou o campeonato na segunda posição geral, consolidando mais uma campanha de destaque no circuito.

Alkedo Cetilar vence em Valência

Se a Platoon Aviation ficou com o título da temporada, a vitória na etapa de Valência foi da italiana Alkedo Cetilar, que encerrou a semana com 36 pontos e garantiu o primeiro lugar na regata.

A equipe, que disputa apenas sua segunda temporada no circuito, também terminou o campeonato geral na terceira posição. O resultado representou um avanço significativo para o projeto comandado por Andrea Lacorte, que tinha como objetivo alcançar o pódio da classificação anual.

A holandesa No Way Back, de Pieter Heerema, terminou a etapa de Valência na segunda colocação e fechou a temporada em quarto lugar.

A classificação final demonstrou o equilíbrio da competição e a importância da regularidade ao longo do calendário. Em uma temporada com cinco etapas e equipes de diferentes países, conquistar posições consistentes em cada evento foi decisivo para a definição do título.

Resultados brasileiros na temporada

Na classificação geral da 52 SUPER SERIES 2026, os representantes brasileiros terminaram nas seguintes posições:

  • 9º lugar — Crioula (Brasil): Eduardo e Renato Plass, 338 pontos.
  • 14º lugar — Caballo Loco (Brasil): Mauro Dottori, 523 pontos.

Os resultados colocam as duas equipes brasileiras entre os participantes de um circuito internacional altamente competitivo, proporcionando experiência e visibilidade para a vela nacional.

O Brasil segue navegando

A participação do Crioula e do Caballo Loco na 52 SUPER SERIES, somada à presença do barco Brasil na Globe40, mostra diferentes caminhos pelos quais os velejadores nacionais buscam espaço no cenário internacional.

De um lado, as regatas de alto desempenho em monocascos exigem velocidade, precisão e decisões táticas tomadas em poucos segundos. De outro, os desafios oceânicos de longa distância colocam à prova a resistência, a navegação e a capacidade de enfrentar dias ou semanas em mar aberto.

Em ambos os casos, o Brasil tem representantes dispostos a competir, aprender e evoluir.

A extensa costa brasileira oferece um ambiente privilegiado para a prática da vela, mas o crescimento do esporte depende também da continuidade dos projetos, da formação de novos velejadores e do apoio a equipes que levam o nome do país para competições internacionais.

O nono lugar do Crioula e a 14ª posição do Caballo Loco são capítulos dessa trajetória. Mais do que números em uma tabela, representam a presença brasileira em uma disputa mundial e a continuidade de uma tradição que conecta o país ao mar.

A vela brasileira segue avançando, dentro e fora de nossas águas, mostrando que há talento, experiência e disposição para enfrentar os grandes desafios do esporte internacional.