Da Redação | Agência Regata News
Mesmo sendo uma das maiores potências da vela mundial e contando com atletas reconhecidos internacionalmente, o Brasil continua sem uma equipe própria na The Ocean Race. O país segue presente na regata por meio de seus velejadores, que frequentemente são contratados por campanhas estrangeiras para integrar tripulações de alto nível, mas ainda não conseguiu estruturar um novo projeto nacional capaz de disputar a volta ao mundo.
- A última e única campanha brasileira de grande porte foi o histórico Brasil 1, idealizado pelo empresário e velejador Alan Adler. O projeto marcou época ao reunir profissionais brasileiros para construir, operar e competir com um barco nacional na então Volvo Ocean Race 2005–2006.
Capitaneada pelo bicampeão olímpico Torben Grael, a equipe superou inúmeras dificuldades financeiras ao longo da campanha. Mesmo enfrentando limitações orçamentárias em relação aos principais concorrentes internacionais, o Brasil 1 protagonizou uma das maiores histórias da vela oceânica brasileira ao terminar a regata em um honroso terceiro lugar na classificação geral, resultado que permanece como um marco do esporte nacional.
Desde então, nenhum outro barco brasileiro voltou a alinhar na largada da principal regata de volta ao mundo.
- Em 2020, surgiu uma nova esperança. A empresa SCBrasil Esporte Náutico, sediada em Itajaí (SC), apresentou oficialmente um projeto com o objetivo de colocar novamente o Brasil na The Ocean Race. A iniciativa demonstrava a ambição de aproveitar a tradição de Itajaí como única cidade da América do Sul a sediar a competição por cinco edições.
Entretanto, assim como ocorre em diversas campanhas internacionais, o projeto esbarrou na dificuldade de captar os elevados recursos financeiros necessários para sua execução. Sem a formação do orçamento previsto, a equipe não conseguiu desenvolver todas as etapas do programa esportivo, tecnológico e logístico exigidas para participar da competição.
A ausência de um barco brasileiro evidencia o tamanho do desafio. Hoje, uma campanha competitiva na classe IMOCA exige investimentos que podem superar 30 milhões de euros ao longo de um ciclo completo, além de uma estrutura profissional composta por engenheiros, arquitetos navais, especialistas em performance, equipes de comunicação, logística internacional e patrocinadores comprometidos com um projeto de longo prazo.
O Brasil possui tradição, talento e reconhecimento internacional na vela. O que ainda falta é transformar esse potencial esportivo em um projeto empresarial robusto, capaz de atrair grandes investidores e patrocinadores dispostos a sustentar uma campanha de volta ao mundo.
- Com Itajaí consolidada como uma das principais sedes da The Ocean Race e referência na Economia do Mar, cresce a expectativa de que, em um futuro próximo, o país volte a alinhar um barco com bandeira brasileira na largada da mais desafiadora regata oceânica do planeta. Se esse momento chegar, representará não apenas o retorno do Brasil à competição, mas também um importante impulso para a indústria náutica, a inovação tecnológica e o desenvolvimento da vela oceânica nacional.













