
Entre ventos instáveis e reencontros históricos, vela oceânica vive fim de semana marcante
Condições de vento variáveis, travessias desafiadoras e o reencontro com uma prova tradicional marcaram o fim de semana da vela oceânica no Cone Sul. Após 50 anos, a Regata Rio de la Plata–Rio Grande voltou ao calendário e reuniu 18 embarcações de três países.
O Congere foi o mais rápido a completar o percurso e cruzou a linha de chegada em primeiro neste sábado (14), conquistando a Fita Azul. Na classificação da classe PHRF, o barco ficou em segundo, atrás do Zero, de Pedro Chiesa, formando uma dobradinha brasileira.
Representando o Veleiros do Sul, Sérgio Neumann e Niels Rump comandaram o Congere. Já o Zero, do Clube dos Jangadeiros, garantiu o título da categoria.
Na classe ORC, o domínio foi uruguaio, com o Lady e o Arosa XI ocupando as duas primeiras posições. O Sterna, de Henrique Horn Ilha, assegurou o terceiro lugar para o Brasil, competindo pelo Rio Grande Yacht Club. A campanha brasileira teve respaldo técnico da Associação Brasileira de Veleiros de Oceano (ABVO).
A largada ocorreu no dia 11, em La Plata, no Uruguai, com destino ao litoral gaúcho, em uma travessia tradicional da região.
O comandante do Zero comentou as dificuldades enfrentadas. “Foi uma regata bastante desafiadora com ventos que variaram muito de intensidade e direção”, afirmou Pedro Chiesa, cuja equipe também venceu de forma invicta o Circuito Oceânico Veleiros da Ilha de 2025 na classe Bico de Proa.
Integrante do Congere, André Gick destacou os momentos da prova e a integração entre os participantes. “A regata foi um pouco dura no início, com ventos mais fortes na largada, depois ventos fracos, contravento até o Cabo Polônio, no Uruguai e a partir daí começou a fluir. Foi muito prazeroso fazer a Fita Azul dessa regata e ficar com o troféu Vito Dumas pela primeira vez, o troféu rotativo”, disse. “E realmente foi muito bacana essa integração entre as tripulações. Conseguimos reunir aqui no Congere algumas lendas da vela aqui do Sul competindo. O Toto Ferreiro, do Cangrejo, com 87 anos estava correndo.”
Para Bayard Neto, comodoro da ABVO, o retorno da prova reforça a tradição náutica regional. “A volta da regata Rio de la Plata–Rio Grande é um marco para a vela oceânica do Cone Sul. Estamos falando de uma prova histórica, que conecta países e fortalece a tradição náutica da região. Além disso, a presença dos brasileiros no pódio é reflexo do trabalho que a ABVO vem desenvolvendo ao longo dos últimos anos, no aprimoramento e treinamento de de velejadores e em todo o processo de certificação dos barcos, para fortalecer a vela oceânica no Brasil.”
Resultados da Regata Rio de La Plata-Rio Grande
ORC
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Lady (Nicolas Gonzales)
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Arosa XI (Volker Knupper)
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Sterna (Henrique Horn Ilha)
PHRF
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Zero (Pedro Chiesa)
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Congere (Sérgio Neumann)
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Lua (José Romero)
Enquanto isso, no Rio de Janeiro, a Copa Aniversário do Iate Clube do Rio de Janeiro deu início às comemorações de 106 anos da entidade com disputas nos dias 14 e 15 de março.
O evento reuniu mais de 50 embarcações e teve como vencedores o Maximus (ORC Cruiser Racer), o Duma (ORC Performance), o Katana II (Bra-RGS A), o Revayah (Bra-RGS B), o Ribeira (RGS-Cruiser) e o Chica Guapa (J24).
A agenda festiva segue nas próximas semanas, mantendo o calendário ativo para diferentes classes.
Responsável pela gestão técnica da vela oceânica no país, a ABVO acompanha as principais competições e atua no desenvolvimento da modalidade, organizando eventos e promovendo avanços no sistema de rating.
Resultados da Copa Aniversário ICRJ – Oceano
ORC Performance
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Duma (Haakon Lorentzen)
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Eurus (Ronaldo Senfft)
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Loyalty 06 Team (Alexandre Leal)
Orc Cruiser Racer
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Maximus (Ralph Rosa)
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Ventaneiro (Renato Cunha)
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Saravah (Pierre Joullie)
Bra-RGS A
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Katana II (Carlos Chaves)
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Tequila (Daniel Winter)
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Loren C (Clóvis Cesar de Oliveira)
Bra-RGS B
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Revayah (Alessandro Jácome)
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Chica Guapa (Vinicius Degrave)
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Dorf (Roberto Schnarndorf)
RGS-Cruiser
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Ribeira (Eduardo Valença)
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Zélia (Bento Albuquerque)
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Alegrete (Rafael Tony)
J24
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Chica Guapa (Vinicius Degrave)
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Revayah (Alessandro Jacomé)
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Maracanã (David Eliecer Tang Quiros)
Criada em 1955, a ABVO é o braço da Confederação Brasileira de Vela para a vela oceânica. A entidade é liderada por Bayard Umbuzeiro Neto, com Torben Grael como 1º Vice-Comodoro e Paulo Cezar Gonçalves, o Pileca, como 2º vice-Comodoro, e trabalha para ampliar a participação, aprimorar o calendário e fortalecer o esporte no país.













