Novos segmentos podem ampliar cálculo da economia esportiva brasileira na segunda edição do PIB do Esporte

0
27
Créditos: Ticket Agora LTDA

Medir o peso do esporte na economia brasileira exige observar uma cadeia que vai muito além das entidades e competições. Foi a partir dessa constatação que o Instituto Sou do Esporte identificou lacunas na primeira edição do PIB do Esporte e prepara uma nova rodada do levantamento, iniciada em setembro de 2026 e com conclusão prevista para o segundo semestre do próximo ano.

O primeiro estudo estimou que o esporte representou R$ 183,4 bilhões da economia brasileira em 2023, equivalente a 1,69% do Produto Interno Bruto (PIB), além de registrar mais de 3,3 milhões de empregos gerados pelo setor.

Agora, a intenção é ampliar o alcance da mensuração. Bets, turismo esportivo, eventos, eSports e atividades da economia informal ligada ao esporte estão entre os segmentos que podem contribuir para um retrato mais abrangente.

As apostas não foram contabilizadas anteriormente porque a regulamentação do setor ocorreu apenas em 2024, com efeitos em 2025. Também ficaram de fora atividades informais ou ilícitas, incluindo serviços não registrados e comércio ambulante informal.

Outra lacuna identificada está no turismo esportivo. Na primeira edição, não foi possível reunir de forma consolidada os gastos de torcedores e de outros públicos que viajam motivados por eventos esportivos ou pelo exercício de sua atividade profissional.

Nos eSports, a mensuração também foi parcial. Apenas as vendas do “FIFA Soccer” entraram no levantamento anterior, enquanto eventos, outros jogos, skins e equipes de competição não foram considerados.

A primeira edição ainda não conseguiu contemplar amplamente corridas de rua e torneios regionais de modalidades olímpicas e não olímpicas. A educação física escolar não dispunha de dados específicos para consolidação, e as informações relativas ao desporto militar não estavam disponíveis.

A presidente do Instituto Sou do Esporte, Fabiana Bentes, destaca que a segunda etapa pretende justamente preencher parte dessas lacunas.

“A segunda edição nasce com o desafio de levar o PIB do Esporte para mais esferas da economia. Temos atividades que não estavam mensuradas ou que apareceram apenas parcialmente na primeira edição. Bets, turismo esportivo, eventos, eSports e a própria economia informal mostram como existem outras camadas dessa indústria que precisam ser compreendidas. Quanto mais conseguirmos ampliar a qualidade e a disponibilidade dos dados, mais próximo estaremos de dimensionar o tamanho da economia do esporte brasileiro”, afirma Fabiana Bentes.

A própria metodologia da primeira edição apontou que os R$ 183,4 bilhões estavam condicionados à disponibilidade e à confiabilidade das informações. Dados não validados ou considerados insuficientemente confiáveis foram descartados para preservar a precisão do resultado.

A segunda edição, portanto, também terá como desafio aumentar a quantidade e a qualidade das informações. O estudo anterior havia indicado a necessidade de mais transparência por parte das entidades e de uma coleta padronizada, prevista na Lei Geral do Esporte por meio do Sistema Nacional de Informações e Indicadores Esportivos (SNIIE).

Fabiana Bentes explica que a incorporação de novas áreas permite compreender a estrutura econômica existente em torno de cada atividade.

“Quando conseguimos incorporar uma nova atividade, não estamos apenas aumentando um número. Estamos entendendo quantas empresas, profissionais, empregos, serviços e investimentos fazem parte daquela cadeia. A segunda edição precisa avançar justamente onde o primeiro estudo mostrou que ainda existe uma lacuna de informação”, acrescenta Fabiana Bentes.

O efeito multiplicador do esporte

Os resultados já obtidos demonstram que o impacto econômico do setor não se limita ao valor contabilizado diretamente. O primeiro PIB do Esporte calculou que cada R$ 1 investido pelo setor privado em atividades relacionadas à prática esportiva gera mais R$ 23,35 no restante da cadeia produtiva. Entre os investimentos do poder público, cada R$ 1 gera outros R$ 12,83.

A pesquisa também dimensionou a participação das Secretarias. Em 2023, elas responderam por R$ 11,12 bilhões, ou 6% do PIB esportivo, considerando informações de 26 estados e 2.438 municípios.

Também fazem parte da composição do levantamento os segmentos industriais, a Lei de Incentivo ao Esporte, a Lei Agnelo/Piva e o desporto militar.

Os patrocínios esportivos foram incluídos no resultado, embora não tenham sido tratados como segmento isolado. Os valores foram registrados nos balanços das entidades esportivas e distribuídos de forma transversal entre diferentes CNAEs. Para as receitas, a metodologia evitou a ocorrência de duplicidade.

O esporte como vetor econômico

Competições esportivas já demonstraram, na primeira edição, como a atividade pode alcançar diversos setores. Em 2023, a etapa da WSL gerou impacto econômico de R$ 219 milhões para o país. O Rio Open movimentou R$ 136 milhões no Rio de Janeiro no mesmo ano. Em Minas Gerais, a Stock Car apresentou impacto de R$ 170 milhões em 2024.

A cadeia econômica considerada inclui organizações públicas e privadas e reúne indústria, comércio e distribuição, consumo e participação, serviços, saúde e bem-estar, mídia e entretenimento, turismo esportivo, governança e regulação.

Na avaliação de Fabiana Bentes, ampliar essa leitura permite visualizar os efeitos das competições para além do ambiente esportivo.

“Quando conseguimos mensurar o esporte, conseguimos mostrar que uma competição não movimenta apenas atletas e organizações esportivas. Há uma cadeia que chega à hotelaria, alimentação, transporte, tecnologia, comércio, comunicação e serviços. O objetivo dessa nova edição é avançar nessa leitura e produzir dados que ajudem a compreender onde e como o esporte movimenta a economia brasileira”, completa Fabiana Bentes.

Realizada entre abril de 2024 e março de 2025, a primeira edição foi concluída em 2025 e utilizou 2023 como ano-base. O conceito empregado considera conjuntamente desporto e paradesporto, tomando como referência os níveis de formação esportiva, excelência esportiva e esporte para toda a vida estabelecidos pela Lei Geral do Esporte.

O início da segunda edição, em setembro de 2026, mantém o projeto do Instituto Sou do Esporte de construir uma base periódica sobre a economia esportiva brasileira. O objetivo é avançar nas áreas que apresentaram limitações no primeiro levantamento e disponibilizar mais informações para empresas, organizações esportivas, investidores e gestores públicos.

Sobre o Instituto Sou do Esporte

Criado em 2015 pela jornalista Fabiana Bentes, o Instituto Sou do Esporte atua de forma independente e apartidária para fortalecer o esporte brasileiro com foco em boa governança, transparência e responsabilidade social.

Ao longo de uma década, a organização tornou-se uma das principais referências nacionais em qualificação da gestão esportiva e em projetos que aproximam esporte, economia, inovação, comunicação e impacto social.

A atuação inclui o Prêmio Sou do Esporte, reconhecido como a maior premiação multissetorial do esporte brasileiro; o PIB do Esporte, estudo pioneiro realizado em parceria com a EY para mensurar a participação do setor na economia nacional; o SDE Bisutti Talks, série de encontros voltada ao intercâmbio de conhecimento e networking entre lideranças esportivas e empresariais; e o Sou do Esporte Gastronomia Nutritiva, que integra alimentação saudável, esporte, bem-estar e relacionamento.

O Instituto ainda desenvolve eventos, estudos, programas de capacitação e projetos estratégicos para fortalecer o ecossistema esportivo, aproximando organizações, empresas, governos e lideranças em torno de um esporte mais ético, transparente e sustentável.