- Regata News — Cobertura da The Ocean Race Atlantic 2026
- Um dos barco mais moderno e tecnológico da regata Team Malizia termina em quarto.
- Os times agora entram em outra fase de preparação para a grande largada em janeiro de 2027. Eles chegam em Itajaí em março de 2027
- Da Redação | Agência Regata News
A United by the Ocean, comandada pelo francês Paul Meilhat, venceu nesta quinta-feira, 10 de setembro, a primeira edição da The Ocean Race Atlantic, depois de uma chegada emocionante e extremamente equilibrada na costa francesa.
A equipe francesa travou uma disputa barco a barco com a 11th Hour Racing, de Francesca Clapcich, que terminou na segunda colocação. Durante várias horas, as duas equipes alternaram a liderança por margens mínimas.
A vitória foi conquistada depois de uma travessia de aproximadamente 3.000 milhas náuticas pelo Atlântico Norte, em uma regata que reuniu seis barcos IMOCA de 60 pés equipados com foils.
Depois de dias de altíssimas velocidades, com os barcos chegando a superar os 30 nós, navegando na dianteira de um sistema de baixa pressão que avançava para leste, as horas finais foram completamente diferentes: vento em torno de 10 nós e mar praticamente plano.
Na última noite no mar, a 11th Hour Racing optou por uma rota mais ao sul e, por volta das 11h00 CEST, assumiu a liderança de Kojiro Shiraishi, da DMG MORI Global One, que havia comandado a frota durante as 48 horas anteriores.
Pouco depois, a United by the Ocean também ultrapassou o barco japonês.
Começava então uma batalha direta entre os dois primeiros colocados.
Nos últimos 10 milhas náuticas, os barcos foram convergindo para a linha de chegada, ao norte da Île de Groix, diante de Lorient.
No fim, a posição mais ao norte adotada pela United by the Ocean fez a diferença. Com vento fraco e variável, o barco francês abriu aproximadamente uma milha náutica de vantagem, mantendo a liderança até a chegada.
A United by the Ocean completou a travessia em:
7 dias, 23 horas, 39 minutos e 11 segundos.
A 11th Hour Racing cruzou a linha apenas 8 minutos e 56 segundos depois, garantindo a segunda posição.
DMG MORI GLOBAL ONE FICA COM O TERCEIRO LUGAR
Na disputa pelo terceiro lugar, a DMG MORI Global One, de Kojiro Shiraishi, precisou resistir a uma forte recuperação da Team Malizia, de Boris Herrmann.
Por volta do meio-dia, a equipe alemã chegou a estar 40 milhas náuticas atrás da liderança, mas recuperou terreno rapidamente nas milhas finais.
A DMG MORI Global One garantiu o terceiro lugar com o tempo de 8 dias, 4 minutos e 40 segundos.
Exatamente cinco minutos depois, a Team Malizia cruzou a linha de chegada, terminando na quarta posição.
PAUL MEILHAT: “SOMOS UMA BOA EQUIPE COM ESTE BARCO”
Para Paul Meilhat, a vitória no Atlântico é ainda mais significativa porque acontece com o mesmo barco que venceu, no ano passado, a edição da The Ocean Race Europe, quando ainda competia com o nome Biotherm.
Segundo Meilhat, o barco não é um dos projetos mais recentes da classe IMOCA, mas apresenta excelente desempenho em determinadas condições.
“O barco não é o projeto mais recente. É rápido, mas tivemos alguns momentos difíceis porque ele não é realmente rápido em ondas grandes. Há três dias tivemos uma noite muito difícil, com ondas grandes e na direção errada. Mas sabemos que, com vento médio e fraco e água plana, ele é realmente muito, muito rápido. Muitas regatas terminam nessas condições. Somos uma boa equipe com este barco e isso está funcionando bem.”
FRANCESCA CLAPCICH: “É POR ISSO QUE CORREMOS”
A comandante da 11th Hour Racing, Francesca Clapcich, admitiu a frustração por ter deixado escapar a vitória, mas destacou a satisfação com o segundo lugar.
“Foi épico. Quando você chega tão perto de vencer uma regata, quer ganhar, não é? Mas, há cerca de seis horas, não poderíamos sequer ter esperado esse resultado. No fim, nas ilhas Glénan, tivemos a chance de vencer, mas terminamos em segundo — e estamos muito felizes.”
Clapcich também destacou a intensidade da disputa:
“Fazer uma travessia de 3.000 milhas e terminar apenas alguns minutos separados é um sonho. É por isso que corremos. Queremos competir contra outras equipes e isso é muito legal.”
A velejadora ressaltou que, nas milhas finais, a proximidade entre os barcos era tanta que os competidores praticamente deixaram de olhar para os números dos instrumentos.
“Você fica tão perto das outras equipes que nem está mais olhando para os números, porque consegue vê-las. Você está velejando contra elas, olhando para elas. É incrível.”
SAMANTHA DAVIES DESTACA A DISPUTA ENTRE QUATRO BARCOS
A britânica Samantha Davies, da DMG MORI Global One, afirmou que a equipe já esperava uma chegada muito equilibrada.
“É incrível ter uma chegada tão próxima. Nós percebemos isso vários dias antes. Acho que o mais impressionante é termos cruzado o oceano tão próximos uns dos outros e termos tido tantas mudanças de posição, sem que uma única equipe dominasse.”
Para Davies, a competição foi decidida por uma combinação de velocidade do barco, estratégia e sorte.
“Para mim, a parte interessante foi que tivemos um pouco de velocidade do barco, um pouco de estratégia e um pouco de sorte. Foi divertido durante toda a travessia do Atlântico.”
A velejadora também destacou o valor da competição para a preparação da equipe, formada por dois velejadores japoneses, um britânico e um francês, tendo como principal objetivo a edição ao redor do mundo da The Ocean Race, no próximo ano.
“O melhor exercício de construção de uma equipe é tirá-la da zona de conforto. E nós definitivamente fizemos isso nesta travessia. Durante vários dias foi brutal. Levamos o barco e nós mesmos aos nossos limites.”
Segundo Davies, os desafios do Atlântico também ajudaram a fortalecer a comunicação e a confiança entre os integrantes.
“É aí que você aprende: como cada pessoa funciona dentro da equipe, como apoiar uns aos outros e como se comunicar. Vimos as qualidades de cada integrante surgirem e uma comunicação incrível dentro dessa equipe internacional e multicultural.”
TEAM MALIZIA RECUPERA 100 MILHAS, MAS TERMINA EM QUARTO
Apesar de terminar na quarta posição, Cole Brauer, da Team Malizia, afirmou que a equipe deixou a regata orgulhosa de sua performance.
O barco enfrentou um problema no sistema de controle do foil de bombordo durante grande parte da travessia, o que comprometeu seu desempenho.
“Tivemos o problema com o controle do foil a partir do terceiro ou quarto dia, no meio do Atlântico. Depois tivemos que improvisar uma solução e fazê-la funcionar. Enfrentamos 40 nós de vento e depois ficamos sem vento.”
Brauer destacou a recuperação da equipe:
“Voltar depois de estar 100 milhas atrás e então perder no último quilômetro é muito doloroso.”
Mesmo diante das dificuldades, a velejadora afirmou que a equipe não diminuiu o ritmo.
“Nós pressionamos em cada milha. Desde o momento em que descobrimos o problema no foil, nunca tiramos o pé do acelerador.”
A atleta também revelou que enfrentou dificuldades físicas durante a travessia.
“Estou um pouco emocionada porque não comi nem dormi muito bem e estou doente desde o primeiro dia.”
Para Brauer, entretanto, a experiência fortaleceu a equipe.
“Como equipe, nos unimos muito melhor do que eu poderia imaginar. Todos trabalhamos muito bem juntos. Justine Mettraux e eu fomos absolutamente incríveis durante nossos turnos. Quando as coisas ficam difíceis, você simplesmente acelera.”
DOIS BARCOS AINDA ESTÃO NO ATLÂNTICO
Com os quatro primeiros barcos já em segurança em Lorient, as atenções agora se voltam para as duas últimas equipes da frota.
A Embrace the Challenge, de Oliver Heer, da Suíça, ocupa a quinta posição e é esperada em Lorient nas primeiras horas desta sexta-feira.
Na sexta colocação está a MSIG Europe, do neozelandês Conrad Colman, cuja chegada está prevista para o fim de semana.
A primeira edição da The Ocean Race Atlantic chega, assim, à sua fase final depois de uma travessia marcada por alta velocidade, condições severas no Atlântico Norte e uma das chegadas mais equilibradas já registradas em uma regata transatlântica.
Regata News — na cobertura da The Ocean Race Atlantic 2













