Vela brasileira conquista três ouros e um bronze nos Jogos Pan-Americanos 2023

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Martine Grael e Kahena Kunze (49erFX), Bruno Lobo (Kite) e Mateus Isaac (IQFoil) são campeões no Chile

A Equipe Brasileira de Vela conquistou quatro medalhas nesta sexta-feira (3) nos Jogos Pan-Americanos de Santiago 2023. Foram três ouros e um bronze após os duelos finais, chamados de medal race, na raia chilena de Algarrobo, em Valparaíso.

Martine Grael e Kahena Kunze (49erFX), Bruno Lobo (Kite) e Mateus Isaac (IQFoil) foram campeões no Chile, enquanto Maria do Socorro Reis (Kite) levou o bronze. Os brasileiros lideram provisoriamente o quadro geral de medalhas da modalidade após o desempenho recente.

O time volta às regatas neste sábado (4) com chances reais de pódio em outras classes como Snipe, Nacra e ILCA 7. As categorias ILCA 6 e Lighting não apresentam possibilidades matemáticas de pódio no Pan 2023.

A primeira conquista do dia veio com Bruno Lobo, que repetiu a dose na Fórmula Kite de Lima 2019, e subiu no lugar mais alto do pódio após vencer a prova final. Já classificado para Paris 2024, o atleta do Maranhão só não ficou em primeiro lugar em uma das 17 provas do calendário.

”Estou muito feliz com essa conquista. Realmente consegui imprimir o meu ritmo em todas as regatas, não cometi muitos erros. Eu acho que isso é fruto de muito treino, muita dedicação, fiz uma boa preparação, cheguei muito confiante e deu tudo certo”, contou Bruno Lobo.

O atleta teve apoio de Juan Sienra, da CBVela, nesse período de treinos para o Pan e agora será focado em Paris 2024. ”Agradeço a Deus e a todo mundo que me apoia e acredita em mim. Ainda tem uma grande jornada pela frente até o grande desafio de Paris 2024, garantimos vaga no Mundial também, então agora é continuar evoluindo e trabalhando duro”.

A também maranhense Maria do Socorro Reis ficou com o bronze na versão feminina da categoria Kite. E o resultado foi improvável. A atleta entrou em quarto e precisa se aproximar ou ganhar da campeã, a norte-americana Dani Moroz, nas regatas finais. Com um segundo lugar, a brasileira pulou uma casa e foi medalhista.

”Estou muito feliz, comecei o campeonato com algumas dificuldades, me classifiquei para a medal race em quarto lugar. Fui confiante para a final, com a cabeça tranquila, centrada para tomar boas decisões e deu certo”.

”Conversei um pouquinho com Deus que é importante, pedi calma e tranquilidade, e consegui evoluir ao longo dos Jogos, o que me fez chegar confiante para o momento decisivo. Agora o foco é todo na França, vou fazer de tudo para buscar uma das cinco vagas restantes e representar o Brasil em Paris”, contou Maria do Socorro Reis.

Mesmo com o bronze, Maria do Socorro não pegou a vaga olímpica, pois a vice-campeã foi a argentina Maria Turienzo.

Com a classificação olímpica antecipada, a dupla Martine Grael e Kahena Kunze entrou focada no bicampeonato e logo na largada abriram vantagem para o ouro. Venceram com ampla vantagem e comemoraram mais um título histórico.

“Desde o primeiro dia tivemos uma disputa forte com as americanas e as canadenses. No penúltimo dia, brigamos um pouco mais com as americanas, e as canadenses ganharam pontos. Com isso, ficamos as três praticamente empatadas. Foi bem apertado”, disse Martine Grael.

“Foi uma semana divertida, principalmente nos primeiros dias, com mais ondas. É uma condição que a gente gosta e não tem muito o costume de velejar, porque corremos muitos campeonatos europeus, lá no Mediterrâneo, com ondas limitadas. Então, velejar com ondão é sempre uma diversão, fora a regata”, completou Kahena Kunze.

Com o resultado, elas repetiram o feito de Lima 2019 e aumentaram para três a conta de conquistas em Jogos Pan-Americanos. Em Toronto 2015, a parceria mais vitoriosa da vela feminina brasileira levou a prata.

As canadenses Alexandra Ten Hove e Mariah Alice Millen foram prata e as norte-americanas Stephanie Roble e Margareth Shea, bronze. Sem muito tempo para comemorar, a dupla já viaja esta semana para Vilamoura, em Portugal, onde buscará o tricampeonato do Europeu de 49erFX, entre os dias 8 e 13 de novembro.

Na versão masculina do 49er, Marco Grael e Gabriel Simões ficaram em quinto no geral, com o título indo para os EUA.

Virada de Isaac

Na IQFoil, Mateus Isaac teve que ganhar as regatas dos playoffs e da grande final para superar os adversários e ganhar o ouro na classe das pranchas. Resultado bastante comemorado pelo atleta paulista, que teve problemas no início de campeonato no Chile.

Mateus, que tem como técnico o medalhista olímpico Bruno Prada, disse que tinha muita coisa em jogo na regata final, pois era a meta de 2023 após a vaga olímpica confirmada no Mundial de Haia.

”Eu queria ganhar e isso mostra que o trabalho foi recompensado, com muito tempo de sofrimento. Meu ano não foi o que a gente esperava. Era a nossa meta ganhar aqui no Chile e vamos com muita força mesmo para Paris 2024 e ver no que vai dar!”, comemorou Mateus Isaac. A prata ficou com Ethan Westera (Aruba) e o bronze com Noah Lyons (EUA).

No IQFoil feminino, Bruna Martinelli ficou na sexta colocação no geral após as finais. A mexicana Mariana Peon foi a campeã.

Na Nacra 17, Samuel Albrecht e Gabriela Nicolino entram para a medal race neste sábado em terceiro, muito próximos dos norte-americanos. Como os argentinos Mateo Majdalani e Eugenia Bosco ganharam o Pan por antecipação e a vaga olímpica no Mundial, os brasileiros confirmaram o multicasco verde e amarelo em Paris 2024.

A dupla que representará o país em Paris 2024 será a que atingir o índice no Troféu Princesa Sofia de 2024, na Espanha. Se os dois principais candidatos da Nacra 17 conseguirem tal feito, será realizada uma seletiva local.

Na Snipe, a dupla Juliana Duque e Rafa Martins entra na final em segundo lugar com chances de ouro. Mas outros barcos que estão atrás podem complicar a busca por medalha. O mesmo vale para Bruno Fontes na ILCA 7 em quarto e com chances de pódio sendo prata ou bronze. Gabriella Kidd na ILCA 6 não tem mais possibilidade.

Na Lightning, Thomas Sumner, Ana Barbachan e Larissa Juk seguem na sétima colocação após dez disputas e fora do pódio.

Acompanhe o tracking das regatas  – Livestream e Resultados

A vela do Brasil defende a liderança histórica do quadro geral de medalhas da olimpíada das Américas. Ao longo destes 72 anos, foram 85 medalhas, sendo 39 ouros, 27 pratas e 19 bronzes. Nos Jogos Pan-Americanos de Lima 2019, o país levou cinco medalhas de ouro, duas de prata e duas de bronze para a equipe brasileira de vela.

Apoio à vela Jovem

A vela brasileira tem como destaque o Núcleo de Base do programa da Confederação Brasileira de Vela – CBVela junto ao Ministério do Esporte pelo Convênio 920223/2022.

O projeto ajuda no fomento à modalidade desde o ano passado. Sede da Rio 2016 e de outros grandes eventos da vela, a Marina da Glória, na capital fluminense, recebe adolescentes entre 13 e 17 anos para treinos visando eventos nacionais e internacionais da Vela Jovem. Outros campings de treinamento foram realizados no Clube Naval Charitas, em Niterói (RJ).

O trabalho leva jovens atletas a se aperfeiçoarem na modalidade, com o propósito de levá-los ao alto-rendimento, incluindo participações em classes olímpicas e pan-americanas.

Sobre a CBVela

A Confederação Brasileira de Vela (CBVela) é a representante oficial da vela esportiva do país nos âmbitos nacional e internacional. É filiada à Federação Internacional de Vela (World Sailing) e ao Comitê Olímpico Brasileiro (COB), além de ter o Comitê Brasileiro de Clubes (CBC) como parceiro no fomento à Vela nacional.

A vela é a modalidade com o maior número de medalhas de ouro olímpicas na história do esporte do Brasil: oito. Ao todo, os velejadores brasileiros já conquistaram 19 medalhas em Jogos Olímpicos.

A CBVela foi a primeira confederação esportiva brasileira a integrar a Rede Brasil do Pacto Global da ONU e a incorporar a agenda global da sustentabilidade – a Agenda 2030, com seus 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) – ao seu planejamento estratégico.

Foto: Miriam Jeske/COB