OPINIÃO DE CÉLIO FURTADO: JUVENTUDE EMPREENDEDORA/

0
88

Célio Furtado – Engenheiro e professor da Univali celio.furtado@univali.br

Escrevo nessa bela e tranquila manhã de julho, domingo ensolarado, ouvindo música (Bach/ suíte nº1), enquanto escrevo, iniciando um artigo.

O tema central de minha reflexão matinal é a nossa juventude empreendedora, jovens que darão continuidade à construção de um país mais próspero, mais justo e mais integrado à modernidade circundante, ou como se diz:” o primeiro mundo”.

O ponto de partida é a lembrança da entrevista, na Rádio Conceição FM 105.9, junto com a professora e poeta Heloísa Abrahão, no Programa “Prazer em Recebê-lo”, todas as terças e quinta feiras, a partir das 15 horas. Os entrevistados, dois jovens Engenheiros de Computação, formados pela Univali, Eduardo Borges e Júlia Perón Metzger, apresentaram um pequeno invento, blocos magnéticos-eletrônicos, já patenteado, destinado à educação tecnológica das crianças, o denominado EletroBlocks.

A conversa de uma hora foi gratificante para o grande público e, de um modo especial, para esse veterano professor de Empreendedorismo, que durante muitos anos fomentou ideias, conceitos e práticas que, certamente, estimulou o espírito empreendedor de nossa valorosa juventude universitária.

https://www.instagram.com/varandacolaborativa/

Porém, o centro da atenção é essa dupla de jovens inventores, de 25 anos, que conceberam, planejaram, criaram o protótipo e agora estão comercializando o “brinquedo” pedagógico. Convém destacar o papel do professor orientador, antes de tudo, um catalizador, alguém que estimula a busca de soluções, sem interferir de mais ou de menos, apenas ajudando na caminhada heurística de buscas de soluções.

Enquanto Engenheiro de Produção, lembro-me da disciplina de Engenharia de Produto, na UFRJ, estudo teórico e prático da concepção de algo tão próximo e tão distante que se denomina o “produto”. O seu valor em si e, principalmente, a sua viabilidade técnica e comercial, ou seja, a aceitação bem sucedida do mercado, esse ente abstrato e concreto que movimenta toda a economia.

Os componentes, as peças principais são importadas da China Comunista, hoje, o grande fornecedor de inteligência e importador de matéria prima. Isso estimula ao debate necessário sobre a desindustrialização de nosso país. Lamentavelmente, temos que importar, pedaços de plástico e fios, algo que contém a inteligência e que agrega valor de uso e de troca.

https://www.instagram.com/regata_news.sc/

Os chineses tomaram a dianteira na Engenharia do Conhecimento; há todo um esforço coletivo em atingirem a vanguarda mundial; isso, os jovens, Eduardo e Júlia, tem plena consciência, dos obstáculos naturais a um empreendedor brasileiro, que queira viver, honesta e dignamente do “suor” do próprio trabalho.

Eu me formei engenheiro no final de 1977, no Rio de Janeiro, e, devo admitir, que a minha geração tinha mais perspectivas de crescimento individual e coletivo, havia uma sensibilidade nacionalista, uma percepção da “emancipação tecnológica nacional”.

Essa geração, formada, há quase cinquenta anos depois, dispõem de muito mais recursos financeiros e de apoio tecnológico, pois sabemos que a modernidade é irreversível, e vivemos na era da instantaneidade, tudo é obtido e comprado rapidamente, tornando-se obsoleto.

Porém, perdemos o rumo do desenvolvimento, endógeno, autóctone, de modo que os desafios atuais são mais sutis e complexos.

Parabéns engenheiros, Júlia e Eduardo!

 

Célio Furtado, nascido em 1955/ Professor da Univali/ Formado em Engenharia de Produção na Universidade Federal do Rio de Janeiro/ Mestre Engenharia de Produção/ Coppe/Ufrj/trabalhou no Sebrae Santa Catarina e Rio de Janeiro. Consultor de Empresa/ Comunicador da Rádio Conceição FM 105.9/ celio.furtado@univali.br


NR: Os artigos assinados são de inteira responsabilidade de seus autores