Egressa de Enfermagem relata cenário do Coronavírus na Itália

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Egressa teve resultado positivo para o Covid-19 e está em quarentena

Santa Catarina- Gisele Rosa da Silva, enfermeira formada pela Universidade do Vale do Itajaí (Univali) em 1997, trabalha e mora há 15 anos na região norte da Itália, em Lombardia, na província de Bérgamo, uma das áreas mais atingidas pelo Coronavírus no país. Lá, ela atua no Policlinico San Pietro, um hospital público de gestão privada e, desde o início de março, foi afastada de suas atividades e está em quarentena, pois recebeu o resultado positivo do teste Covid-19.

A enfermeira avalia o sistema de saúde da Itália como organizado e preparado, mas com poucos profissionais, o que dificultou ainda mais a situação diante da rápida evolução do contágio da doença entre os italianos, principalmente os idosos, e da piora do quadro dos acometidos. No vídeo gravado para a Univali, ela contextualiza o cenário desde a notícia dos primeiros casos confirmados no país e traz números atuais, além de pontuar medidas tomadas pelo governo.

A alumna (egressa) ressalta que pelo país ter muitos idosos, eles foram os mais atingidos no começo da pandemia, assim como pessoas com outras patologias e dificuldade em reagir, que têm a saúde debilitada. Porém, alerta que a dinâmica mudou e há um grande número de pessoas mais jovens com a doença, entre 40 e 50 anos.

Como a equipe de saúde enfrenta a situação?

Gisele explica que apesar de trabalhar em um hospital público, não é o maior da região. Segundo ela, a unidade hospitalar que é a principal referência de Bérgamo passa por uma situação incontrolável. Há relatos de colegas dela de que, em um plantão de 12 horas, uma enfermeira cuida de 35 pacientes, sendo que quase todos eles apresentam sintomas do Covid-19. Além disso, em muitos casos não dá tempo de atender o paciente ou levá-lo para a terapia intensiva. Na triagem, muitas vezes, o médico tem que escolher quem atender.

“Eu estou bem, mas a condição que estamos enfrentando é muito triste. Tenho colegas com marcas no rosto de máscaras, óculos, pelo tempo que ficam direto trabalhando sem parar, tomar água, comer. É tanta história se perdendo, é muita dor. A Itália, infelizmente, está servindo de exemplo para as pessoas que ainda não entenderam que a situação é grave e que precisam ficar em casa”, pontua.