Reforma Tributária muda rotina das pequenas empresas antes mesmo de 2027; outubro será mês de preparação

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Créditos: Acervo | Meu Contador Online

A transição para a Reforma Tributária não ficará restrita às regras que entrarão em vigor no próximo ano. Para as micro e pequenas empresas, os últimos meses de 2026 já exigem decisões e ajustes que envolvem emissão de documentos fiscais, planejamento financeiro, preços, contratos e capital de giro.

No primeiro semestre de 2027, as empresas que já estavam regularmente no Simples Nacional e não escolheram o recolhimento de IBS e CBS pelo regime regular permanecerão com esses tributos dentro da sistemática do Simples. Aquelas que optaram pelo modelo híbrido poderão cancelar a decisão até 30 de novembro. Em março de 2027, haverá uma nova possibilidade de escolha pelo recolhimento regular, válida para o segundo semestre.

É nesse cenário que Anderson Diogenes Pavanello, CEO do Meu Contador Online, recomenda antecipar os preparativos. Segundo ele, considerar janeiro como o início da Reforma pode levar o empresário a ignorar problemas que precisam ser resolvidos ainda em 2026.

“O maior erro é acreditar que a Reforma Tributária começa em janeiro de 2027. Janeiro é apenas uma data no calendário. Para a empresa que chegar despreparada, os problemas terão começado muito antes.”

Entre outubro e dezembro, três pontos devem concentrar os esforços dos pequenos negócios.

Notas fiscais exigem preparação imediata

O calendário estabelece 1º de novembro de 2026 como uma data importante para os optantes pelo Simples. Microempresas e empresas de pequeno porte prestadoras de serviços que precisam emitir NFS-e terão de adotar o padrão nacional por meio do Emissor Nacional.

A ferramenta poderá ser acessada pela aplicação web ou utilizada por integração via API.

Uma atualização divulgada pelo Portal da NFS-e no domingo (28) reforçou que os optantes pelo Simples estarão habilitados, a partir de 1º de novembro, a utilizar os emissores nacionais independentemente da opção feita pelo município.

Antes disso, outubro deverá ser dedicado à conferência dos cadastros e das integrações, além da realização de testes.

“Às vezes, uma enorme mudança tributária se apresenta ao empresário de uma maneira muito pequena: uma nota fiscal que simplesmente não sai.”

Uma dificuldade na emissão, porém, pode gerar reflexos também sobre o faturamento.

“Não espere novembro para descobrir se novembro funciona. Teste em outubro.”

Planejamento financeiro deve considerar diferentes cenários

A preparação para 2027 também passa por uma análise financeira mais ampla. Não basta calcular o montante dos impostos. A empresa deverá observar créditos, fornecedores, perfil dos clientes, preços, margens, prazos de recebimento e capital de giro.

Para os empresários que escolheram em setembro o recolhimento regular de IBS e CBS, a avaliação é particularmente relevante porque a opção ainda poderá ser cancelada até 30 de novembro.

Pavanello orienta que sejam elaboradas simulações para identificar os efeitos de cada modelo sobre a operação.

“A pergunta deixa de ser apenas ‘quanto imposto vou pagar?’ e passa a ser ‘quanto dinheiro vai sobrar na minha empresa depois que tudo acontecer?’”

Contratos firmados em 2026 também entram na análise

A implementação das novas regras poderá alcançar contratos assinados ainda em 2026. Por isso, valores, margens, cláusulas e condições comerciais devem ser revisados antes da chegada do novo ano.

“O papel não sabe que houve uma Reforma Tributária. O empresário precisa saber.”

Contratos de médio e longo prazo merecem atenção, assim como as negociações de preços para 2027. A empresa precisa verificar se os termos definidos atualmente permanecerão viáveis diante das mudanças tributárias e financeiras que serão enfrentadas no próximo ano.

Preparação começa antes da virada

Com a NFS-e nacional obrigatória a partir de novembro, o próximo mês representa um teste concreto para as empresas. Em janeiro de 2027, entram em vigor as regras referentes a IBS e CBS para os optantes pelo Simples.

O Meu Contador Online acompanha a transição junto a uma carteira de cerca de 4,7 mil empresas ativas. Entre elas, 3.943 são optantes pelo Simples Nacional.

Pavanello considera que a preparação feita no último trimestre poderá diferenciar a forma como cada empresa chegará à mudança.

“30 de setembro fecha uma porta, mas não fecha a Reforma. Outubro abre outra: a porta da vida real da empresa.”

“A Reforma vai chegar para todos. A diferença é que alguns empresários vão encontrá-la depois de três meses de testes, contas e negociações; outros vão conhecê-la quando ela já estiver batendo no caixa.”

A síntese da orientação para os próximos meses é: “Não espere 2027 para começar a viver 2027.”

Sobre o Meu Contador Online

A história do Meu Contador Online está ligada à tradição contábil iniciada em 1966, em Santo André (SP). A empresa atualmente reúne aproximadamente 4,7 mil clientes ativos, distribuídos por 558 municípios de todos os estados brasileiros e do Distrito Federal.

Com cerca de 80 profissionais, a companhia concentra sua atuação em micro e pequenas empresas. Do total da carteira, 84,4% são optantes do Simples Nacional. A empresa possui forte presença entre prestadores de serviços e oferece soluções que incluem abertura de empresas, troca de contabilidade, migração de MEI para ME e rotinas contábeis, fiscais e trabalhistas.

A estrutura combina tecnologia voltada à simplificação dos processos com atendimento direto dos empresários pelos profissionais responsáveis por suas empresas.