Depois da Globe40, José Guilherme Caldas volta ao mar na maior regata da América do Sul

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Foto Gabriela Peternella
Da Redação | Agência Regata News

Pouco mais de um mês após conquistar um feito histórico para a vela oceânica brasileira na Globe40, o médico e velejador José Guilherme Caldas está de volta às competições. Desta vez, o desafio é nacional: a 53ª Semana Internacional de Vela de Ilhabela Daycoval, principal evento da vela oceânica da América do Sul.

O Barco Brasil estreou na competição neste domingo (26) com um resultado expressivo. A equipe comandada por José Guilherme Caldas terminou em segundo lugar na classe HPE25 na Regata Renato Frankenthal, uma das provas de percurso que tradicionalmente abrem a Semana de Vela logo após o Desfile dos Barcos no píer da Vila, no centro histórico de Ilhabela.

Com vento fraco, rondado e correnteza intensa no Canal de São Sebastião, a Comissão de Regatas reduziu o percurso original de 10 para pouco mais de 6 milhas náuticas, até o Farol dos Moleques. O Barco Brasil cruzou a linha de chegada atrás apenas do Espetáculo II, de Luis Fernando Staub.

A estreia marcou também a formação de uma tripulação de alto nível. Ao lado de José Guilherme Caldas estavam Rafael Martins e Juliana Duque, medalhistas pan-americanos de bronze na classe Snipe, Mila Beckerath, campeã mundial feminina de Snipe, além de Taboada.

“Depois de mais de um mês da Globe40, eu já estava com saudades de voltar para a água. Nosso foco agora é velejar e aproveitar Ilhabela como preparação para o Campeonato Brasileiro de HPE25, que será disputado em novembro, na Bahia”, afirmou José Guilherme Caldas.

Da volta ao mundo para Ilhabela

O retorno de José Guilherme ao circuito nacional acontece após a conquista inédita do título da Globe40 na categoria Sharp, ao lado de Luiz Bolina. A regata de volta ao mundo em duplas é considerada um dos desafios mais exigentes da vela oceânica internacional.

Durante oito meses, a dupla percorreu mais de 30 mil milhas náuticas, enfrentando condições extremas de mar e clima, com escalas em Lorient, Cádiz, Mindelo, Ilha da Reunião, Sydney, Valparaíso e Recife. O Barco Brasil foi a única equipe da competição a disputar a regata sem patrocínio e sem tripulantes suplentes.

A campanha foi transformada no documentário “Cada Minuto Conta”, exibido pela primeira vez em uma sessão especial dentro da programação oficial da 53ª SIVI Daycoval. O filme reúne imagens captadas ao longo da volta ao mundo, depoimentos dos velejadores, familiares e integrantes da equipe, retratando os bastidores de uma travessia que ultrapassou os limites de uma competição esportiva.

Ilhabela reúne tradição, espetáculo e alto nível técnico

A abertura da Semana Internacional de Vela contou com o tradicional Desfile dos Barcos, a presença da Fragata Tamandaré F200, o mais moderno navio de guerra da Marinha do Brasil, e as manobras da Esquadrilha da Fumaça, que voltaram a transformar o céu de Ilhabela em um grande espetáculo para o público que lotou o píer da Vila.

Na sequência, a flotilha partiu para as regatas Alcatrazes por Boreste, Toque-Toque por Boreste e Renato Frankenthal, dando início à disputa que segue até 1º de agosto com as classes ORC, BRA-RGS, RGS-Cruiser, Clássicos, C30 e HPE25.

Para José Guilherme Caldas, a presença do Barco Brasil em Ilhabela simboliza a continuidade de um projeto que saiu de uma volta ao mundo para seguir escrevendo novos capítulos na vela brasileira — agora diante da maior vitrine náutica do continente.