Do Cabo Horn ao Recife: a superação da dupla brasileira na penúltima perna da volta ao mundo

0
61
Créditos: Divulgação
Créditos: Divulgação

Superação marca chegada do Barco Brasil ao Recife na Globe40

Depois de quase um mês no mar, enfrentando problemas técnicos e forte desgaste físico e psicológico, o Barco Brasil completou mais um capítulo da volta ao mundo em duplas. A equipe cruzou a linha de chegada no Recife (PE) na manhã desta quinta-feira (19), encerrando a penúltima etapa da Globe40.

Foram 4.800 milhas náuticas desde Valparaíso, no Chile, com passagem pelo Cabo Horn e subida pelo Atlântico, concluídas em 28 dias, 16 horas e 56 minutos. Na classe Sharp, o melhor desempenho da etapa foi do francês Free Dom.

Mesmo com dificuldades ao longo do trajeto, o barco brasileiro segue na liderança da categoria Sharp e entra na etapa final com grandes chances de título. A largada rumo a Lórient, na França, está marcada para o dia 29 de março.

José Guilherme Caldas descreveu a experiência como uma jornada dividida em momentos distintos. “Após uma etapa difícil, chegamos a Recife, no Brasil. Para nós, esta etapa foi dividida em duas partes: a primeira até o Cabo Horn, quando concentramos todos os nossos esforços para terminar em primeiro lugar entre os barcos da classe Sharp e em segundo na classificação geral; e a segunda parte, com muitos problemas técnicos e grande pressão física e psicológica, o que torna tudo ainda mais difícil para dois velejadores mais experientes!”, relatou.

Apesar dos contratempos, a dupla manteve o desempenho competitivo. “No entanto, conseguimos superar os obstáculos e manter uma boa competitividade até o final. Estamos muito felizes com nosso desempenho inicial e por termos chegado a Recife logo depois dos outros”.

A campanha inclui três vitórias (Cádiz, Mindelo e Sydney) e dois segundos lugares (Prólogo e Reunião). Nesta etapa, o resultado foi o sétimo lugar geral e o quarto entre os Sharp, diminuindo a vantagem na classificação.

Ainda assim, o cenário segue favorável: uma colocação intermediária na última etapa pode garantir o título.

Caldas também destacou os desafios finais da travessia. “A cada início de recuperação, surgia um novo problema, e assim continuou até 48 horas atrás. No entanto, o vento diminuiu, o que impediu uma recuperação mais rápida. Nosso bom desempenho nas outras etapas ainda nos permite manter uma posição confortável, mas queremos mais! Enquanto isso, seguimos em frente ‘na ponta dos cascos’”.

O Barco Brasil, formado por Caldas e Luiz Bolina, é o único representante do país e compete sem patrocínio. A iniciativa busca ampliar a conscientização sobre o AVC.

Enquanto disputa a regata, Caldas mantém sua atuação médica como Professor Livre-Docente da USP, Chefe no Hospital das Clínicas e Coordenador no Sírio Libanês, realizando atendimentos durante a competição.

Bolina traz experiência no windsurf, com título brasileiro em 1991, além de conquistas no kitesurf e wingfoil, contribuindo na manutenção da embarcação em situações extremas.

Na classificação da categoria Sharp, o Barco Brasil lidera com 22 pontos. Wilson Around The World aparece em segundo, com 26,5, seguido por Free Dom, com 30,5. Na geral, a equipe brasileira é terceira, com 49,5 pontos, atrás de Belgium Ocean Racing – Curium e Credit Mutuel, ambos com 19.

A Globe40 reúne sete equipes e utiliza sistema de menor pontuação. A competição começou em Lórient, com prólogo, e teve largada em Cádiz, passando por Mindelo, Ilha Reunião, Sydney e Valparaíso antes da chegada ao Brasil.

Contato:

Flávio Perez e Juliana Leite
flavio@onboardsports.net
+55 11 999498035
www.onboardsports.net