Fim de semana histórico para a vela: Dobradinha brasileira e o resgate de uma prova lendária

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Créditos: Fabiano Benedetti
Créditos: Fabiano Benedetti

Entre ventos instáveis e reencontros históricos, vela oceânica vive fim de semana marcante

Condições de vento variáveis, travessias desafiadoras e o reencontro com uma prova tradicional marcaram o fim de semana da vela oceânica no Cone Sul. Após 50 anos, a Regata Rio de la Plata–Rio Grande voltou ao calendário e reuniu 18 embarcações de três países.

O Congere foi o mais rápido a completar o percurso e cruzou a linha de chegada em primeiro neste sábado (14), conquistando a Fita Azul. Na classificação da classe PHRF, o barco ficou em segundo, atrás do Zero, de Pedro Chiesa, formando uma dobradinha brasileira.

Representando o Veleiros do Sul, Sérgio Neumann e Niels Rump comandaram o Congere. o Zero, do Clube dos Jangadeiros, garantiu o título da categoria.

Na classe ORC, o domínio foi uruguaio, com o Lady e o Arosa XI ocupando as duas primeiras posições. O Sterna, de Henrique Horn Ilha, assegurou o terceiro lugar para o Brasil, competindo pelo Rio Grande Yacht Club. A campanha brasileira teve respaldo técnico da Associação Brasileira de Veleiros de Oceano (ABVO).

A largada ocorreu no dia 11, em La Plata, no Uruguai, com destino ao litoral gaúcho, em uma travessia tradicional da região.

O comandante do Zero comentou as dificuldades enfrentadas. “Foi uma regata bastante desafiadora com ventos que variaram muito de intensidade e direção”, afirmou Pedro Chiesa, cuja equipe também venceu de forma invicta o Circuito Oceânico Veleiros da Ilha de 2025 na classe Bico de Proa.

Integrante do Congere, André Gick destacou os momentos da prova e a integração entre os participantes. “A regata foi um pouco dura no início, com ventos mais fortes na largada, depois ventos fracos, contravento até o Cabo Polônio, no Uruguai e a partir daí começou a fluir. Foi muito prazeroso fazer a Fita Azul dessa regata e ficar com o troféu Vito Dumas pela primeira vez, o troféu rotativo”, disse. “E realmente foi muito bacana essa integração entre as tripulações. Conseguimos reunir aqui no Congere algumas lendas da vela aqui do Sul competindo. O Toto Ferreiro, do Cangrejo, com 87 anos estava correndo.”

Para Bayard Neto, comodoro da ABVO, o retorno da prova reforça a tradição náutica regional. “A volta da regata Rio de la Plata–Rio Grande é um marco para a vela oceânica do Cone Sul. Estamos falando de uma prova histórica, que conecta países e fortalece a tradição náutica da região. Além disso, a presença dos brasileiros no pódio é reflexo do trabalho que a ABVO vem desenvolvendo ao longo dos últimos anos, no aprimoramento e treinamento de de velejadores e em todo o processo de certificação dos barcos, para fortalecer a vela oceânica no Brasil.”

Resultados da Regata Rio de La Plata-Rio Grande

ORC

  1. Lady (Nicolas Gonzales)

  2. Arosa XI (Volker Knupper)

  3. Sterna (Henrique Horn Ilha)

PHRF

  1. Zero (Pedro Chiesa)

  2. Congere (Sérgio Neumann)

  3. Lua (José Romero)

Enquanto isso, no Rio de Janeiro, a Copa Aniversário do Iate Clube do Rio de Janeiro deu início às comemorações de 106 anos da entidade com disputas nos dias 14 e 15 de março.

O evento reuniu mais de 50 embarcações e teve como vencedores o Maximus (ORC Cruiser Racer), o Duma (ORC Performance), o Katana II (Bra-RGS A), o Revayah (Bra-RGS B), o Ribeira (RGS-Cruiser) e o Chica Guapa (J24).

A agenda festiva segue nas próximas semanas, mantendo o calendário ativo para diferentes classes.

Responsável pela gestão técnica da vela oceânica no país, a ABVO acompanha as principais competições e atua no desenvolvimento da modalidade, organizando eventos e promovendo avanços no sistema de rating.

Resultados da Copa Aniversário ICRJ – Oceano

ORC Performance

  1. Duma (Haakon Lorentzen)

  2. Eurus (Ronaldo Senfft)

  3. Loyalty 06 Team (Alexandre Leal)

Orc Cruiser Racer

  1. Maximus (Ralph Rosa)

  2. Ventaneiro (Renato Cunha)

  3. Saravah (Pierre Joullie)

Bra-RGS A

  1. Katana II (Carlos Chaves)

  2. Tequila (Daniel Winter)

  3. Loren C (Clóvis Cesar de Oliveira)

Bra-RGS B

  1. Revayah (Alessandro Jácome)

  2. Chica Guapa (Vinicius Degrave)

  3. Dorf (Roberto Schnarndorf)

RGS-Cruiser

  1. Ribeira (Eduardo Valença)

  2. Zélia (Bento Albuquerque)

  3. Alegrete (Rafael Tony)

J24

  1. Chica Guapa (Vinicius Degrave)

  2. Revayah (Alessandro Jacomé)

  3. Maracanã (David Eliecer Tang Quiros)

Criada em 1955, a ABVO é o braço da Confederação Brasileira de Vela para a vela oceânica. A entidade é liderada por Bayard Umbuzeiro Neto, com Torben Grael como Vice-Comodoro e Paulo Cezar Gonçalves, o Pileca, como vice-Comodoro, e trabalha para ampliar a participação, aprimorar o calendário e fortalecer o esporte no país.