Secretaria Especial do Esporte renova parceria com a UFMG para treinamento de atletas paralímpicos

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Pista de atletismo e sede do Centro de Treinamento Esportivo da UFMG, em Belo Horizonte. Foto: Rodolfo Vilela/ rededoesporte.gov.br

 

Centro de Treinamento Esportivo passará a contar com o taekwondo paralímpico, além do atletismo, da natação e do halterofilismo. Investimento total será de R$ 2,4 milhões

 O Ministério da Cidadania, por meio da Secretaria Nacional de Esporte de Alto Rendimento (SNEAR), renovou por mais dois anos a parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) para a realização de um projeto voltado ao esporte paralímpico de alto rendimento. O Termo de Execução Descentralizada foi publicado no Diário Oficial da União (DOU) da quarta-feira (07.07), no valor de R$ 974,4 mil, relativo ao repasse em 2021. Ao todo, o investimento será de R$ 2,4 milhões, conforme retificação publicada nesta sexta, 09.07.

O projeto será realizado nas instalações do Centro de Treinamento Esportivo (CTE), espaço complementar à Escola de Educação Física, Fisioterapia e Terapia Ocupacional (EEFFTO), construído por uma parceria entre a UFMG e o governo estadual mineiro para abrigar atividades de prática de estudo, pesquisa e fomento do esporte de alto rendimento. Com a renovação da parceria, o objetivo é dar continuidade ao treinamento dos atletas para competições nacionais e internacionais, além da formação de profissionais técnicos e de equipes multidisciplinares, e do desenvolvimento de projetos de pesquisa voltados ao esporte paralímpico.

 

 

De acordo com a professora Andressa Mello, coordenadora de esporte paralímpico do CTE, o projeto trabalha nos três eixos de atuação da universidade: extensão, ensino e pesquisa. “A continuidade do apoio do Ministério da Cidadania é fundamental para consolidar o trabalho que vem sendo realizado nos últimos dois anos com o esporte paralímpico no CTE, que amplia as oportunidades de inclusão de pessoas com deficiência para treinarem em um local com infraestrutura adaptada e adequada ao treinamento esportivo paralímpico de alto rendimento”.

Convocada para os Jogos Paralímpicos de Tóquio, Izabela Campos, do lançamento do disco classe F11, treina no CTE. “Antigamente, eu treinava em uma pista que não oferecia nada para a gente, nem um bom banheiro para a gente trocar de roupa. O CTE tem pista de nível internacional, oficial, e o setor de lançamentos é maravilhoso”, conta. “Quando saímos da pista, não precisamos procurar uma academia porque lá já tem a sala de força. Sem contar que sou acompanhada por nutricionista, fisioterapeuta e tenho apoio da equipe do projeto”, acrescenta.

A atleta mineira, que perdeu a visão gradativamente após contrair sarampo aos seis anos, foi bronze nos Jogos Rio 2016 com a marca de 32m60. Em junho deste ano, Izabela alcançou a marca de 35,60m na prova, superando o índice de 35,41m exigido para competir no Japão. “Treinar no CTE para mim foi um divisor de águas, veio para acrescentar 100% na minha carreira”, comenta. “Hoje em dia treino no paraíso”, define ela.

Maior alcance

Desde 2019, o CTE atende prioritariamente três modalidades paralímpicas: atletismo, natação e halterofilismo, graças a um investimento de R$ 1,76 milhão por um Termo de Execução Descentralizada da Secretaria Especial do Esporte do Ministério da Cidadania. Mais de 90 atletas paralímpicos foram beneficiados, além de alunos dos cursos de educação física, fisioterapia, nutrição, medicina e psicologia, que atuaram como estagiários.

Agora, a proposta é ampliar ainda mais o alcance a partir da inclusão de mais uma modalidade, o taekwondo paralímpico. Ao todo, serão contemplados 80 atletas de alto rendimento, sendo 30 do atletismo, 30 da natação, 10 do halterofilismo e 10 do taekwondo. O grupo conta com 54 atletas homens e 26 mulheres. Na divisão por faixa etária, 37 têm entre oito e 18 anos, e 43 têm idades acima dos 19 anos.

“Pretendemos oferecer estágios para alunos de graduação, supervisionados por professores doutores da UFMG. Além disso, daremos a oportunidade a alunos de pós-graduação (mestrado e doutorado) de realizarem projetos de pesquisa, contribuindo, assim, com esse brilhante projeto na formação de atletas, na formação de recursos humanos e no desenvolvimento de pesquisas científicas na área do esporte paralímpico”, afirma Andressa Mello.

O CTE conta com uma pista de atletismo de Categoria 1 da Federação Internacional de Atletismo (IAAF), piscina coberta com dimensões olímpicas, sala de laboratório de ciências aplicadas ao esporte, academia e espaço para fisioterapia, entre outros. No período de aclimatação para os Jogos Rio 2016, foi a casa de parte da delegação britânica.