
“Eu não recebi convite, mas ainda tem poucos times confirmados. Não estou esperando receber um. Tem muitas mulheres com experiência esperando um convite. Se eu conseguir uma oportunidade dessas há de considerar que vem com muita responsabilidade e sacrifício. O motivo de não haver tantas mulheres quanto homens também tem a ver com a fisicalidade de velejar com ondas do tamanhos de prédios e passar toneladas de velas de um lado para o outro do barco para ganhar aquele nó a mais de velocidade. Mas as mulheres do time feminino SCA que correu a última volvo mostraram que força não é tudo”. Declaração da Martine em 27 de outubro de 2016 exclusiva ao Regata News
A medalhista olímpica brasileira Martine Grael, campeã olímpica e mundial de Iatismo na classe 49er FX – junto com a parceira e proeira Kahena Kunze – eleita pela Federação Internacional de Vela a melhor velejadora do mundo em 2014, é a mais nova tripulante do Team AkzoNobel, que representa a Holanda na Regata Volvo Ocean Race prevista para largada em outubro da cidade espanhola de Alicante.
Pois é, hoje com 26 anos Martine está a bordo com um outros dois velejadores que já fizeram história com seu pai, Torben Grael. O ano era 2005, o Brasil entrava pela primeira vez na mais desafiadora regata do planeta Volvo Ocean Race, com o Brasil Brasil 1, projeto do velejador Alan Adler e construído em um estaleiro no interior de São Paulo. No time entre outros – estava Joca Signorini e o espanhol Roberto ‘Chuny’ Bermúdez de Castro. Naquela regata o Brasil 1 chegou em terceiro lugar. Já na edição seguinte – a bordo do Ericcsson – Torben Grael vencia a competição e no seu time estava Joca Signorini. Martine estava com 14 anos e já participava ativamente do esporte náutico.
Mas a paixão pela vela foi-lhe passada pela mãe. No final de 1990, já grávida de sete meses, Andrea participou numa regata feminina no Brasil. Depois, quando Torben andava pelo mundo a competir, foi ela que alimentou o bichinho da vela entre os filhos.

“A minha mãe é o pilar da nossa família. Ela resolve tudo. Quando éramos pequenos, ficava no Brasil a tomar conta de nós. Ela é apaixonada pela vela e a única maneira de velejar era levar-nos. Percebeu que gostávamos e começou a ensinar-nos”, contou Martine em 2016 durante os Jogos Olímpicos.
A juventude de Martine não é um problema para o skipper da AkzoNobel, Simeon Tienpont: “É uma das jovens velejadoras mais talentosas do mundo e já provou o que valia ao mais alto nível nos Jogos Olímpicos”. No Rio de Janeiro, há um ano, Martine venceu o título na classe 49erFX, fazendo dupla com Kahena Kunze, uma amiga desde a infância.
Martine Grael tem treinado a bordo do novo Volvo Ocean 65 da equipe AkzoNobel nas últimas semanas e participará do Leg Zero – uma série obrigatória de quatro regatas preliminares para as sete equipes concorrentes da Volvo Ocean Race antes do início da aventura em 22 de outubro, em Alicante, na Espanha.
A Leg Zero começa na quarta-feira (2) com um sprint em torno da Ilha de Wight, na Inglaterra, seguido da Rolex Fastnet Race, de 6 a 9 de agosto, e uma prova mais longa de Plymouth, na Inglaterra, para Lisboa, em Portugal. O último percurso terá uma parada de um dia no porto francês de St. Malo.
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