Regata Transat Jacques Vabre tem recorde histórico de quebras

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Brasil (1)

Regata do café – vira na regata de quebra-quebras de barcos – um total de 17 abandonos, maior número do evento.


 

Edição – Adilson Pacheco
Fonte – Flávio Perez/Onboardsports
Post – 5/11-10:45


 

A Transat Jacques Vabre 2015 entra para a história como a mais difícil das 12 edições. A regata entre a França e o Brasil, considerada a maior travessia transatlântica do mundo, registra 17 abandonos, maior número do evento. Os barcos partiram de Le Havre, no domingo (25), com destino a Itajaí, em Santa Catarina, para um percurso de 10 mil quilômetros pelo Oceano Atlântico. As condições meteorológicas previstas – ventos superiores a 30 nós, ondas e correntes contrárias – ajudaram a contribuir para que a temporada atual superasse as 15 baixas de 2011, quando a prova terminou na Costa Rica. Entre as causas das desistências estão capotagem, perda do mastro e falta de energia a bordo. Integrantes de duas equipes foram resgatados por helicóptero.

”A meteorologia é difícil e o vento é bem forte e contrário, por isso o barco sofre mais. Isso não ocorre só com a Transat Jacques Vabre. A cada edição, há barcos que não estão preparados o suficiente para isso. Por outro lado, é também um esporte técnico, então é normal que ocorram quebras”, disse a diretora da Transat Jacques Vabre, Sylvie Viant.

A edição 2015 da Transat Jacques Vabre conta com um barco 100% brasileiro. O campeão olímpico Eduardo Penido e seu parceiro Renato Araújo seguem firmes na disputa, mas já tiveram problemas com uma das velas, o que quase colocou em risco a campanha do Zetra, como é chamado o veleiro de 40 pés. Para Eduardo Penido, a regra é reduzir a velocidade quando mar está ruim. ”Não botamos 100%. Estamos poupando o barco. Estamos mais preocupados em não quebrar nada no barco do que andar rápido. As condições foram muito duras. Batia muito barco. Eu achava que ia quebrar se acelerasse. Mas mesmo assim quebrou”.

O brasileiro Renato Araújo disse que o objetivo da dupla é chegar bem em Itajaí. Eles estão em sétimo lugar na Class40. ”As condições de mar são muito diferentes das dos treinos que fizemos antes. Quando chegar em Itajaí vamos conhecer melhor o barco e quem sabe nas próximas edições brigar por melhores posições. Esperamos terminar a regata bem sem nenhum problema mais sério”, disse Renato Araújo.

Os primeiros barcos a chegar em Itajaí (SC) serão os dois modernos trimarãs – com três cascos – da classe Ultime. A previsão é que Macif e Sodebo cruzem a linha de chegada entre o fim da noite de quinta-feira (5) e o início da tarde de sexta-feira (6).

As desistências

Os casos mais graves foram do monocasco Hugo Boss e do multicasco Prince de Bretagne. Os velejadores foram resgatados por helicóptero após suas embarcações capotarem por causa do mau tempo. Apesar de não se machucarem, a situação exigiu que eles acionassem o botão de emergência. Outros abandonos ocorreram por quebras de peças fundamentais e de vela.

”Durante o outono no Atlântico Norte e mesmo no Atlântico Sul, é registrada uma sequência de depressões e as condições são difíceis. Em regatas de longas distâncias isso ocorre. A Transat Jacques Vabre sempre é feita nessa época, porque nesse período temos a participação do público, uma cobertura midiática importante. Durante o verão, a gente não tem o mesmo impacto e também tem a Vendée Globe (regata de volta ao mundo em solitário). É justamente a dificuldade da regata que desperta o interesse das pessoas”, disse o diretor da Transat Jacques Vabre, Manfred Ramspacher.


 

Lista dos barcos que estão fora da Transat Jacques Vabre


 

Team Concise (Class40)
Bretagne Crédit Mutuel (Class40)
Earendil (Class40)
Le French Tech Rennes Saint Malo (Multi50)
Hugo Boss (IMOCA)
Safran (IMOCA)
Adopteunskipper.net (IMOCA)
SMA (IMOCA)
O Canada (IMOCA)
Spirit of Hungary (IMOCA)
Bastide – Otio (IMOCA)
Edmond de Rothschild (IMOCA)
Aerocampus (IMOCA)
Maître CoQ (IMOCA)
St Michel – Verbac (IMOCA)
Prince de Bretagne (Ultime)
Actual (Ultime)


 

Sobre a TJV2015


 

A regata, que é disputada em duplas, larga sempre da cidade portuária de Le Havre, na Normandia, com destino a um país produtor de café, característica que lhe rendeu o apelido de “Rota do Café”. Já tendo passado por cidades como Cartagena (Colômbia), Puerto Limon (Costa Rica) e Salvador (BA) em 11 edições, essa será a segunda vez que a competição terá a cidade catarinense como chegada. Em 2013, a regata reuniu mais de 590 mil visitantes nas duas Vilas da Regata (Le Havre e Itajaí).