Itajaí e Havre: Agora é a vez dos franceses # Transat Jacques Vabre

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Depois de receber a regata Volvo Ocean Race – Itajaí se prepara para receber a maior regata francesa. Criado em 1962, por Jacques Tati, figura conhecida na França em seus 22 anos de história.

Adilson Pacheco
Editor
Post:24/09-09:32

 

Depois de receber a regata Volvo Ocean Race – Itajaí se prepara para receber a maior regata francesa. Criado em 1962, por Jacques Tati, figura conhecida na França em seus 22 anos de história, esta edição será ainda mais intensa que as anteriores: é a 12ª edição, com 42 duplas, duas classes de multicascos (Ultime e Multi50), duas classes de monocascos (Imoca e Classe40), entre duas cidade (Le Havre e Itajaí), que unem dois países (França e Brasil) e os dois tradicionais parceiros (Le Havre e Jacques Vabre), responsáveis por dar continuidade à competição ao longo dos anos. Além, é claro, de dois velejadores para cada barco.

Tem brasileiro
Às vésperas dos Jogos Olímpicos 2016, a Zetra amplia o investimento em marketing esportivo com o patrocínio do atleta Edu Penido, primeiro campeão olímpico brasileiro de vela. O investimento total será de R$ 1 milhão e engloba um calendário de três regatas este ano. Convidado por Edu Penido para participar das competições, o presidente da Zetra, Renato Araújo, topou o desafio e completa a equipe a bordo do Class40, barco offshore monocasco com 12 m de comprimento e 4 m de largura.
É a primeira vez que uma dupla de velejadores brasileiros participa da Transat Jacques Vabre 2015. “Estamos muito confiantes. A vela é um esporte que exige muita determinação. Precisamos estar atentos não só ao funcionamento do barco, mas também à meteorologia e condições do mar. Pela experiência empreendedora do Renato, tenho certeza que conquistaremos grandes resultados”, afirma Edu Penido.
De acordo com o velejador brasileiro olímpico Lars Grael, “é um grande desafio para a dupla brasileira. Depois do veleiro Brasil 1, a dupla fará o projeto mais impactante da Vela Oceânica Brasileira”, revela.
Uma edição de peso em 2015
As 42 duplas da Transat Jacques Vabre 2015 formam um grupo de velejadores de peso. Entre eles, estão estrelas como Michel Desjoyeaux, François Gabart, Kito de Pavant, Marc Guillemot, Armel Le Cléac’h, Jean-Pierre Dick, Vincent Riou, Yann Elies, Sébastien Josse, Alex Thomson e Yvan Bourgnon. Além de jovens como Morgan Lagravière, Paul Meilhat, Jack Bouttel, Charlie Dalin e Alan Roura. Mas os nomes não param por aí. A lista é longa!

Principais números desta edição
42 barcos
Distância a ser percorrida: 5.400 milhas
4 classes de barcos, sendo 14 da Classe40, 4 da Multi50, 20 da Imoca e 4 da Ultime
592.000 visitantes em 2013 (entre Le Havre e Itajaí)
Data limite para os barcos se apresentarem em Le Havre: 16 de outubro, às 12h.

CLASS40
A classe “miscigenada”

Pensada em 2004 para ser uma categoria oceânica intermediária entre os Mini-transat e os IMOCA de 60 pés, a Classe40 se tornou conhecida desde a Rota do Rum (Route du Rhum) de 2006 com a partida de 25 velejadores solitários, dez meses apenas depois da concepção do projeto. Atualmente, são mais de 140 veleiros que ganham vida através de projetistas internacionais e de velejadores vindos de todas as partes do cenário da vela e do esporte em geral. Muitos veteranos têm adotado essa classe que tem regras simples e evolução tecnológica limita, mas que, ao mesmo tempo, possui uma enorme variedade de formatos de casco.

Catorze países estão representados nela por mais de vinte projetistas do mundo inteiro que têm se debruçado sobre o projeto para encontrar o melhor formato dentro das regras permitidas, nas quais o comprimento não deve passar de 12,19 metros, a largura de 4,5 metros e o calado de 3 metros, o peso de 4.500 kg e as velas em torno de 115 m2 de área. Em dez anos, a Classe40 evoluiu muito, ainda que pareça simplista à primeira vista para os profissionais vindos da classe Figaro ou mesmo da IMOCA, e os amadores que passaram pela Mini-transat. A tendência arquitetônica privilegia a potência do casco avantajado, como os grandes 60 pés, que adotam uma área interna que vai da poupa à proa.

Dessa forma, os Classe40 conseguem manter dimensões mais humanas e, ao mesmo tempo, uma linha de desempenho sempre em crescimento, exigindo dos atletas um excelente condicionamento físico. A travessia de Sébastien Rogues e Fabien Delahaye em 2013, em menos de três semanas, confirma isso: eles atingiram uma média de mais de onze nós em 5.400 milhas, somente um dia e meio de diferença para o último IMOCA! E os resultados de várias outras provas das quais os Classe40 participam mostram que as chegadas são marcadas, às vezes, por minutos!

Características técnicas

Comprimento máximo: 12,19 m (40 pés)
Largura máxima: 4,5 m
Calado máximo: 3 m
Altura máxima: 19 m
Pesagem: 4.500 kg
Capacidade de lastro: 1.500 litros
Área de vela: 115 m2
Até três acessórios extras, proibido materiais de reparo não autorizados, mastro fixo, no máximo oito velas a bordo…

INSCRITOS

Bretagne – Crédit Mutuel Élite
Nicolas Troussel, Corentin Horeau
Carac Advanced Energies
Louis Duc, Christophe Lebas
Club 103:Alan Roura

Concise 2
Phillippa Hutton-Squire, Pip Hare
Creno Moustache Solidaire
Thibault Hector, Morgan Launay
Eärendil
Catherine Pourre, Antoine Carpentier
Espoir pour un café
Valentin Lemarchand, Arthur Hubert
Groupe Setin
Manuel Cousin, Gérald Quéouron
Le Conservateur
Yannick Bestaven, Pierre Brasseur
Solidaires En Peloton ARSEP
Thibaut Vauchel-Camus, Victorien Erussard
Team Concise
Jack Bouttell, Gildas Mahé
Teamwork 40
Bertrand Delesne, Nils Palmieri
V and B
Maxime Sorel, Sam Manuard
Zetra
Brasileiros – Eduardo Penido, Renato Araujo

IMOCA
Uma geração à parte

Projetados para participar de cursos de volta ao mundo em solitário desde 1982 (BOC Challenge), os monocascos de 60 pés ganharam um brilho a mais com a criação do Vendée Globe em 1989. A partir dessa prova, um grupo de competidores (Alain Gautier, Isabelle Autissier, Christophe Auguin, Jean-Luc Van den Heede) resolveu criar a IMOCA (sigla para International Monohull Open Class Association) reconhecida em 1998 como uma classe internacional pela Federação Internacional de Vela (ISAF).

Depois de seguidos contratempos no mar, os skippers fizeram um apelo aos projetistas para que fossem definidas normas de segurança mais rígidas, as quais evoluíram ao longo dos anos. Assim, o perfil das quilhas e a disposição dos cabos, desde então, têm a finalidade de reduzir os custos e aumentar a confiabilidade destes barcos tão exigidos em uma volta ao mundo em solitário.

A grande novidade para essa temporada está na adoção de hidrofólios – asas laterais hidrodinâmicas (chamadas pelos franceses de “dérive-foils”). Quatro novos protótipos serão testados em tamanho real para essa décima segunda Transat Jacques Vabre. Tais extensores devem, teoricamente, trazer uma nítida vantagem nas rajadas de vento, embora pareçam menos eficientes em meio a brisas mais suaves. A variação das condições meteorológicas encontrada no percurso entre Le Havre e Itajaí oferecerá uma noção mais precisa das vantagens e desvantagens desse avanço tecnológico antes do próximo Vendée Globe. Alguns protótipos mais antigos poderão modificar sua configuração ou mesmo os recém-lançados poderão aderir ao sistema…

Se os monocascos de 60 pés evoluíram drasticamente ao longo das temporadas, a classe IMOCA igualmente coloca em prática a evolução das pesquisas feitas na área e o desenvolvimento de soluções sustentáveis e responsáveis para diminuir o impacto ao meio ambiente, através de fontes de energia hidroelétrica, eólica e solar adotadas em inúmeros veleiros.

Características técnicas

Comprimento máximo: 18,28 m (60 pés)
Largura máxima: 5,85 m
Calado máximo: 4,5 m
Altura máxima: 29 m
Pesagem: livre
Área de vela: livre
Até quatro compartimentos de lastro, mastro standard, quilha fin (fin-keel), até cinco acessórios extras, no máximo nove velas a bordo…

INSCRITOS
Banque Populaire VIII
Armel Le Cléac’h, Erwan Tabarly
Bastide – Otio
Kito de Pavant, Yann Régniau
Bureau vallée
Louis Burton, Romain Attanasio
Comme Un Seul Homme – Stand As One
Eric Bellion, Sam Goodchild

MULTI 50
Compromisso com o desempenho

Reunindo os antigos multicascos dos anos 80, que respondiam pela classe “Spirit”, e os novos protótipos especialmente projetados para as travessias transatlânticas recentes, a exemplo do Arkema, os Multi50 oferecem a originalidade de agrupar experientes profissionais e amadores.

Na linha dos trimarãs Orma, de 60 pés, esses multicascos têm um padrão definido para limitar os custos e ao mesmo tempo serem livres quanto à criação entre as versões trimarã ou catamarã. Sem materiais especiais como o revestimento tipo “ninho de abelha” e mastros retráteis como os MOD70 ou os Ultime, eles não têm hidráulica, mas mantêm o mesmo formato dos flutuantes e de área de vela, mesmo com a altura limitada de 23,77 metros.

Atualmente, a classe Multi50 reúne nove multicascos desde o mais antigo (PiR2), datado de 1983, ao mais recente (Arkema) que foi construído para a edição de 2013 da Transat Jacques Vabre. A não ser pelo seu tamanho e pelos indicadores de limite, os Multi50 são capazes de alcançar os trinta nós de velocidade e demonstram tanto desempenho quanto os trimarãs MOD70 e os monocascos IMOCA…

Características técnicas

Comprimento máximo: 15,24 m (50 pés)
Largura máxima: 15,24 m
Calado máximo: 3,5 m
Altura: 23,77 m
Pesagem mínima de um trimarã: 3.000 kg
Pesagem mínima de um catamarã: 2.500 kg
Área de vela: livre
Até quatro acessórios extras (trações e lemes), tecnologia para reparos regulamentada, no máximo sete velas a bordo, sendo uma vela de estai e uma buja para tempestade (storm-jib)…

INSCRITOS
Arkema
Lalou Roucayrol, César Dohy
Ciela Village
Thierry Bouchard, Oliver Krauss
FenêtréA Prysmian
Erwan Le Roux, Giancarlo Pedote
La French Tech Rennes Saint-Malo
Gilles Lamiré, Yvan Bourgnon

Ultim
O retorno dos gigantes

Em 1976, o gigante monocasco Club Méditerranée de Alain Colas (72 metros) participa da OSTAR. A partir dessa edição, os organizadores decidem limitar o comprimento total em 17 metros. Michel Étevenoncrée, então, faz a Rota do Rum (Route du Rhum), uma prova aberta para todos os tamanhos e tipos de barcos. Em 1982, Eugène Riguidel é o primeiro skkiper a se lançar em solitário a bordo de um maxi-trimaran de 27,10 metros. Armadores fixam, a partir da primeira Transat Québec-Saint Malo em 1984, um limite de 22,80 m que se mantém até 1990 – depois disso, mais nenhum multicasco foi construído para participar dessas provas…

Com a criação do Troféu Júlio Verne (Trophée Jules Verne) em alusão à volta ao mundo, em 1993, novos multicascos ganham vez a exemplo de Geronimo, Orange I et Orange II, Groupama 3, Banque Populaire V… E, então, a Rota do Rum retoma seu espírito de origem em 2012 com a exclusão dos limites de tamanho. É Franck Cammas quem, para surpresa geral, lança-se sobre um trimarã de 31,50 metros… E ganha a cena! Os gigantes estão de volta, seja na navegação em solitário ou por equipe.

A Transat Jacques Vabre, que acolheu os trimarãs monotipos da MOD70 em 2013, é claro que também se abre na décima segunda edição para receber os multicascos da classe Ultime! Essas máquinas excepcionais engolidoras de milhas devem, logicamente, bater o tempo recorde do percurso de 5.400 milhas entre Le Havre e Itajaí (11 dias e 5 horas) conquistada por um MOD70.

O encontro do próximo dia 25 de outubro será, também, o momento de descobrir o recém-lançado dos trimarãs da Ultime, Macif, guiado por François Gabart e Pascal Bidégorry, diante do Sodebo (ex-Geronimo), de Thomas Coville e Jean-Luc Nélias, e do Prince de Bretagne, de Lionel Lemonchois e Roland Jourdain.

Características técnicas

Comprimento: entre 21,33 m (70 pés) e 32 m (105 pés)
Largura máxima: 23 m
Calado: livre
Altura: 120% do comprimento do casco
Borda livre: 1,7 m
Área de vela: livre
Sem limitação tecnológica, sem limite de calado e sem limite de recursos extras…


INSCRITOS
Actual
Yves le Blévec, Jean-Baptiste Le Vaillant
Macif
François Gabart, Pascal Bidégorry
Prince De Bretagne
Lionel Lemonchois, Roland Jourdain
Sodebo Ultim’
Thomas Coville, Jean-Luc Nélias