“Vivemos de costas para o mar. Eu bato sempre nessa tecla e espero que um dia o poder público ouça o apelo das entidades”Samuel Koch,presidente da ABIH/SC

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O presidente da Associação Brasileirada Indústria Hoteleira, Seccional de Santa Catarina Samuel Koch se oportunizou de um momento importante para o setor hoteleiro para trazer a tona realidade do turismo de cruzeiro do principal cartão de visita dos catarinenses: a ilha capital de Santa Catarina. “Nossa Capital é uma ilha e não temos transporte marítimo e muito menos píer para navios” falou em alto e bom som durante a abertura do maior evento do setor no sul do Brasil a Encatho & Exprotel.
Samuel Koch concedeu esta entrevista exclusiva ao Regata News jornal/site (Leia também no site:https://regatanews.com.br/)
Adilson Pacheco
Editor


encatho final (98)
Regata News – Samuel – A Abih/SC tem uma projeção de quanto a hotelaria tem ganho com cruzeiros marítimos em Porto Belo, São Francisco do Sul e Itajaí. E o Percentual de ocupação de leitos?
Samuel Koch – Santa Catarina atrai cada vez mais cruzeiros, mas os dados que temos são das últimas pesquisas realizadas pela Santur – Santa Catarina Turismo e pela Fecomércio/SC, na temporada de 2012/2013. Foi quando o município de Porto Belo recebeu 43 escalas de navios e trouxe para a cidade mais de 11 mil turistas de diversos países. O total de passageiros informados foi de 111.956, sendo que 96.082 embarcaram na cidade. A receita estimada foi de R$ 4,5 milhões.
No Porto de Itajaí, no período de dezembro de 2012 a março de 2013, aportaram no Terminal de Passageiros mais de 30 navios realizando cruzeiros, que levaram 46 mil pessoas ao município, segundo a Fecomércio/SC. Navios vindos principalmente de Santos (84,4%), Rio de Janeiro (6,3%), Porto Belo (6,3%) e Punta Del Leste (3,1%). E cujos destinos eram, também, diversos: Rio de Janeiro (31,3%), Montevidéu (28,2%), São Francisco do Sul (12,5%), Búzios (12,5%), Santos (9,4%), Cabo Frio (3,1%) e Paranaguá (3,1%).
A média de passageiros desses cruzeiros foi 1.729, o que representa 87% da capacidade máxima de passageiros dos navios, que varia de 1.600 a 2.020 pessoas. Destes passageiros, 88,5% eram brasileiros, 10,6% argentinos e menos de 1% naturais de outros países como Espanha, Japão e Chile. Quanto ao gênero, a maioria dos passageiros era mulheres, 53,4%.
De acordo com a Fecomércio/SC, 50,4% dos turistas que chegaram a Itajaí optaram por permanecer e conhecer a cidade. Em seguida, o roteiro mais procurado foi Balneário Camboriú, com 32%, seguido de Blumenau, com 10,5%. O consumo dos turistas que permaneceram em Itajaí foi de R$183,50 em média, sendo mais significativo o gasto com presentes e souvenires, R$141,01.
Já em Florianópolis, um dos destinos com maior potencial para o turismo náutico no Brasil, o segmento continua sendo ignorado pelas autoridades do setor.

Regata News – O que falta no receptivo destes três municípios para que a hotelaria tenha uma maior ocupação, embora em média os navios ficam um dia?
Samuel – As pesquisas não apontam quantos turistas se hospedaram nas cidades, mas é sabido que a maioria acaba pernoitando no navio, já que faz parte do pacote. Esses turistas trazem muitos benefícios para a economia da cidade, mas quem ganha mais é o comércio.

Regata News– – ABIH/SC tem a taxa de ocupação de Itajaí em decorrência do crescimento da rota de cruzeiros marítimos? O que falta em Itajaí para aumentar este volume de ocupação na temporada?
Samuel – A ABIH-SC realiza o levantamento da taxa de ocupação no Estado todo mensalmente, mas a pesquisa não comporta esse tipo de questionamento, portanto não temos dados sobre isso.

Regata News – Observamos que Balneário Camboriú absorve a grande demanda de turista procedente dos cruzeiros que atracam em Itajaí. E para isto já está pleiteando um píer para atração de cruzeiros. E qual é a opinião da ABIH diante deste novo mercado na principal praia de Santa Catarina.
Samuel – Balneário Camboriú é um dos principais destinos de Santa Catarina e, se está abrindo os olhos para esse nicho de mercado, com certeza os resultados serão ainda mais positivos para a cidade e região.

Regata News – O setor público privado está se voltando para o mar – Itapema, PortoBelo, Itajaí vão ganhar marinas. Isto significa algum ganho para o aumento do fluxo de hóspedes nos hotéis?
Samuel – Com certeza, qualquer investimento realizado em prol do desenvolvimento turístico do Estado influenciará no retorno positivo para toda a cadeia produtiva do turismo.

Regata News – O senhor falou forte em seu discurso na abertura da Encatho cobrando a ausência de píer, transporte marítimo na Ilha de Santa Catarina. Em decorrência de seu discurso gerou algum resultado prático?
Samuel – Nossa Capital é uma ilha e não temos transporte marítimo e muito menos píer para navios. Vivemos de costas para o mar. Eu bato sempre nessa tecla e espero que um dia o poder público ouça o apelo das entidades.

Regata News – Quem está falhando na Ilha de Santa Catarina o poder público municipal, estadual que ainda não dotou a ilha com uma infraestrutura de píer e alfandegaria para receber cruzeiros. E veja que o atual presidente da Embratur Vinicius Lummertz- disse que passam a distância da Ilha 200 navios de cruzeiros.
Samuel – Esse é um interesse de todos. Ou pelo menos deveria ser. É a união de todas as esferas públicas que irá resultar numa ilha voltada para o mar.

Regata News – O que representaria para os hoteleiro ver a Ilha de Santa Catarina na rota dos cruzeiros marítimos?
Samuel – Como falei anteriormente, a vinda de cruzeiros marítimos beneficia muito o comércio local e com certeza os hotéis acabam sendo favorecidos. Tanto por aqueles que optam por ficar na cidade, quanto por aqueles que conhecem a cidade em um dia e tem a possibilidade de voltar e se hospedar por mais tempo.

Regata News – ABIH/SC tem algum levantamento demonstrativo das perdas que o setor tem na temporada em virtude de ausência de um píer para atração de cruzeiros? Qual é a taxa de ocupação alta temporada de veraneio na Ilha?
Samuel – Como falei anteriormente, a ABIH-SC realiza o levantamento da taxa de ocupação no Estado todo mensalmente, mas a pesquisa não comporta esse tipo de questionamento, portanto não temos dados sobre isso. A média da taxa de ocupação em janeiro e fevereiro nos últimos quatro anos é de 65% e 55%, respectivamente.
Regata News – Mas se por um lado falta píer para cruzeiros, falta também marinas com toda infraestrutura e veja que a região da grande Florianópolis tem estaleiros de grande porte fabricantes de yates ? Falta visão para o poder público ou grande entrave são os ecologistas? Basta ver que o complexo hoteleiro que sairia na Ponta das Canas (??) está sendo inviabilizado?
Samuel – Como falei, esse é um interesse de todos. Ou pelo menos deveria ser. É a união de todas as esferas públicas que irá resultar numa ilha voltada para o mar.
Regata News – O mercado hoteleiro em Santa Catarina somente em Itajaí tem previsão de quatro novos hotéis e de bandeira internacional. Como o senhor encara este crescimento – antigamente eram hotéis administrados por famílias e hoje vemos grandes grupos empresariais realizando os serviço. Quantos hotéis existem em Santa Catarina- e geram quanto empregos. Quanto faturou o setor na temporada?
Samuel – Nosso Estado conta hoje com quase 3 mil meios de hospedagem, que somam 240 mil leitos nas 10 regiões turísticas. O setor de Turismo gera em torno de R$ 20 bilhões em receita, e representa 12,5% do PIB de Santa Catarina, gerando 400 mil empregos diretos e 1,5 milhão de ocupações indiretas. São números extremamente relevantes e que tendem a crescer a cada ano, com investimentos e inovações. Segundo a Fecomércio, o setor hoteleiro representa entre 4 e 7% o PIB de Santa Catarina.
Na alta temporada 2014, passaram quase 2 milhões de turistas por Santa Catarina, sendo 211 mil estrangeiros. Receita em reais: gastaram no total em torno de R$ 1,8 bilhão. Gasto médio diário estimado por turista: R$ 114,94.
O setor hoteleiro mudou muito nos últimos anos e as operações independentes estão perdendo espaço para as grandes redes. E Santa Catarina está atraindo cada vez mais essas marcas.

Regata News – Qual o seu principal projeto no setor para Santa Catarina?
Samuel- Além do Encatho & Exprotel, que ocorre há 29 anos, o grande projeto da ABIH-SC é o ABIH-SC Road Show, que tem como objetivo promover a interiorização da entidade, integrando e fomentando o turismo nas regiões. O projeto busca fortalecer a economia e contribuir para o desenvolvimento regional, capacitando o trade turístico, levantando as dificuldades do turismo local e posicionando melhor as potencialidades de cada região. A meta é promover o evento nas 10 regiões turísticas catarinenses. Até o momento, foi realizado no Vale do Contestado e na Serra Catarinense.

Regata News – Qual é o seu maior medo diante deste mercado exigente?
Samuel – O grande desafio da atualidade é a crise econômica que o País está enfrentando, que afeta todos os setores. Além disso, um dos grandes desafios que o hoteleiro enfrenta é se adaptar às novas inovações e tecnologias. Além dos desafios do dia a dia de gestão. Os hotéis têm que ter um maior controle de seus custos. Porém, desafios são sinônimos de oportunidade. Não devemos ter medo, temos que enfrentar a realidade, se adaptar e se reinventar.
Regata News – A crise econômica eu está provocando demissões na empresas já afeta o setor hoteleiro? O setor não tem problema devido a demanda ?
Samuel – Não temos informações quanto a demissões ou fechamento de hotéis em Santa Catarina devido à crise, mas é fato que a demanda diminuiu este ano e todos estão passando por um momento delicado.