Complexo do Itajaí sente o impacto das restrições operacionais e da atual conjuntura econômica

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A necessidade de ampliação da bacia de evolução e alargamento dos canais de acesso ao Complexo Portuário do Itajaí, aliada às questões econômicas e cambiais, já podem ser sentidas no primeiro trimestre deste ano. A retração na movimentação de contêineres nos meses de janeiro, fevereiro e março ficou em 8%. Somou 241,74 mil TEUs (Twenty-foot Equivalent Unit – unidade internacional equivalente a um contêiner de 20 pés), ante os 263,87 mil TEUs operados no igual período do ano passado.
O volume operado pela APM Terminals no trimestre somou 95,43 mil TEUs, ante os 102,23 mil TEUs operados em 2014, com queda de 7%. Já as operações da Portonave – Terminal Portuário Navegantes S/A nos meses de janeiro, fevereiro e março deste ano ficaram em 146,31 mil TEUs, com decréscimo de 9% em relação aos 161,63 mil TEUs registrados no primeiro trimestre do ano passado.
“Esse recuo na movimentação de cargas a partir de 2015 já era previsto como impacto das limitações de nossa bacia de manobras e canais de acesso, agravado pela atual conjuntura econômica brasileira e mundial”, explica o diretor Administrativo-Financeiro do Porto de Itajaí, Heder Cassiano Moritz.
Segundo o executivo, tais perdas poderiam ter sido minimizadas caso a nova estrutura aquaviária estivesse sendo utilizada já a partir deste ano, uma vez que o Complexo do Itajaí está perdendo navios para portos vizinhos, devido ao comprimento das embarcações. “São navios de 335 metros, que teremos condições de operar somente quando as obras de nossa bacia de evolução estiverem concluídas, a partir do segundo semestre do próximo ano”, acrescenta o diretor.
Para o superintendente do Porto de Itajaí, engenheiro Antonio Ayres dos Santos Júnior, a execução dos novos acessos será de grande importância para o Porto de Itajaí e demais terminais que formam o Complexo. “O mercado da navegação é muito dinâmico e os armadores estão aumentando o tamanho dos navios para redução de custos e otimização das escalas”, diz Ayres.
Ara ele, a primeira etapa das obras, que aumentará a capacidade operacional de 305 para 335 metros, já está em fase de elaboração dos projetos executivos e deve ser iniciada em até 60 dias. “No entanto, ainda estamos em fase de alocação de recurso para a segunda fase do projeto”, diz Ayres
Fator cambial – Além das limitações estruturais, a supervalorização da moeda norte-americana também vem impactando nas importações do Complexo. No primeiro trimestre deste ano o dólar acumulou um aumento de 20% em relação à moeda brasileira, chegando a R$ 3,19 no dia 31 de março. Fator que desacelerou as importações brasileiras. Em Itajaí o recuo foi de 8,4%, passando de 133,82 mil TEUs no primeiro semestre do ano passado, para 122,53 mil TEUs, nos primeiros três meses de 2015.
O aumento do dólar, que teoricamente favoreceria as importações, não teve esse papel. Os embarques delo Porto de Itajaí e terminais instalados nas duas margens do rio homônimo acumularam queda de 8,1%, passando de 130,05 mil TEUs no primeiro trimestre do ano passado, para 119,53 mil TEUs em igual período de 2015. Esse encolhimento nas exportações pelo Complexo Portuário do Itajaí pode ser creditado à retração da produção industrial brasileira de 7,1%, segundo números do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), aliada às restrições operacionais e a conjuntura econômica global.
“No entanto, temos boas perspectivas para as exportações em 2015, devido à abertura de novos mercados para as carnes de frango e suína”, afirma Ayres. Para as carnes de frango, que respondem pela fatia de 33,6% das exportações do Complexo, o ano é visto por especialistas como favorável, com oportunidades de conquista de novos mercados e do aumento no comércio com a Rússia.
Para a carne suína brasileira, as perspectivas são ainda mais otimistas no9 mercado externo, com a possibilidade de abertura de novos mercados – como México, Coreia do Sul e Colômbia -, além da oportunidade de consolidação em outros pouco explorados, como Japão.