André Fonseca,Bochecha: O Herói está em casa.

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News Letter 22

Tarcísio Mattos
Jornalista
Especial

Os caras largaram da Nova Zelândia, velejaram pelo mar mais inóspito do planeta, cruzaram o cabo Horn, subiram toda a costa da Argentina e a do Brasil até Itajaí e chegaram antes de mim, que saí de Florianópolis com o mesmo destino e fiquei preso na “calmaria” da BR 101 por longas duas horas e meia.
Não deu tempo de embarcar para assistir de perto a mais emocionante chegada dos barcos da Volvo que se tem registro, mas deu para ver e fotografar a alegria do André Fonseca, o Bochecha, ao encostar com o Mapfre no píer da Vila da Regata embrulhado na bandeira do Brasil e ser recebido e ovacionado como o grande herói do esporte brasileiro que ele é.
André nasceu em Florianópolis, tem 37 anos, começou a velejar no ICSC há 31 anos e esta é a sua terceira regata de Volta ao Mundo. Tem centenas de títulos nacionais, dezenas de internacionais e defendeu o Brasil em três olimpíadas como timoneiro de um dos barcos mais radicais, o 49er.
O Mapfre, barco de bandeira espanhola que ele tripula, cruzou a linha em frente aos molhes da cidade em segundo lugar, apenas 35 minutos após o vencedor da quinta etapa, o Abu Dahbi. Menos de meia hora depois, e com apenas um minuto de diferença entre eles, chegaram o Alvimedica e o Brunel. Nunca antes na história desta regata, que teve a primeira edição no final da década de 1960, quando ainda se chamava Withbread, quatro barcos chegaram no mesmo dia. E acho que nunca mais haverá uma chegada assim, com quatro veleiros chegando dentro da mesma hora depois de competir por 19 dias. E eu fora da água (sniff, sniff).
Também foi emocionante caminhar entre as milhares de pessoas que se reuniram em torno da vela esportiva no parque da Marejada. Não dá para sonhar que um dia a vela venha a ter apelo popular no Brasil como a Fórmula 1, por exemplo, um esporte que está muito mais longe do alcance da população do que o iatismo, mas que forma ídolos e tem torcida semanal.
André é o único brasileiro entre os 66 tripulantes de 19 nacionalidades que estão correndo nos sete barcos desta edição da regata. Além de fazer parte da nata da vela mundial, ele é em esmerado “acertador” de barcos. Depois de descansar por uns poucos dias, “Bochecha” poderá ser encontrado nos pátios da Vila, preparando o Mapfre para a Regata do Porto, que acontece dia 18, e para a largada em direção ao Estados Unidos, no dia seguinte. Ou, quem sabe, dando conselhos nas raias do Mundial de S40, que acontecerá em Florianópolis, de 11 a 17 deste mês muito especial para a vela nestas águas de Santa Catarina.