Opinião- Bruno Doro: “Dez anos depois, a aventura do Brasil 1 ainda não acabou”:

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*Bruno Doro
Jornalista é repórter da Uol
Atuou na assessoria de imprensa do Barco Brasil 1

Segundo semestre de 2004. Torben Grael e Marcelo Ferreira voltam dos Jogos de Atenas com seu segundo ouro olímpico quando um anúncio muda para sempre a vela brasileira: o país teria, pela primeira vez, um barco na mais importante regata de volta ao mundo.
O Brasil 1 foi para água em 2005 e deu início a uma verdadeira revolução do esporte no país. Antes mesmo do início da Volvo Ocean Race 05/06, a indústria náutica brasileira deu um salto tecnológico: o barco era o mais moderno já construído no país, com os mais avançados materiais disponíveis do planeta, vindos de mais de dez países diferentes.
E, se o barco era inovador, o material humano não ficava atrás. Joca Signorini fez uma travessia Brasil-Europa com a costela quebrada. André Fonseca mergulhou nas águas geladas do Oceano Índico para salvar as velas quando o mastro partiu ao meio, durante uma tempestade. Todo o time superou um pesadelo quando o barco precisou ser resgatado na costa oeste da Austrália, atravessar o Outback (o deserto australiano) em cima de um caminhão e chegar ao local da regata In-Port apenas 24 horas antes da largada. Ninguém imaginava, mas os brasileiros quase venceram a prova – só um problema técnico, fruto do esforço para aprontar o barco a tempo, impediu o primeiro lugar.
O time ainda saiu daquela competição com um histórico terceiro lugar na classificação geral, incluindo a vitória em uma das etapas. Tudo isso mostra o talento daqueles velejadores, que chegaram a uma regata de volta ao mundo como atletas olímpicos e saíram como marinheiros calejados. Ninguém se espantou quando, na edição seguinte, Torben Grael comandou o barco campeão, ou quando Joca Signorini, já um dos mais importantes velejadores de Oceano do país, foi escolhido para ser um dos técnicos do time feminino desta edição da prova, o sueco SCA. Ou no momento em que André Fonseca foi convocado para ser o único brasileiro desta Volvo, a bordo do espanhol Mapfre.
E como toda boa história tem continuação, esse espírito de aventura segue vivo em Itajaí. Uma parada cheia de inovação, talento e garra, que representa muito bem o sonho que começou com o Brasil 1.