“O Brasil 1 foi onde abriu a possibilidade, para que eu estivesse aqui hoje”: André Fonseca, Bochecha

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O catarinense André Fonseca, Bochecha – morador na Ilha de Santa Catarina é um dos tripulantes do barco espanhol MAPFRE – que venceu a quarta etapa da 12ª Volvo Ocean Race – realizada entre Sanya,China e Auckland, Nova Zelândia,.
Bochecha estava há dois dias para deixar o porto de Sanya, China – quando parou alguns minutos de sua jornada para conceder esta entrevista exclusiva ao Regata News, com apoio da jornalista Helena Paz. Um detalhe importante após o encerramento da Volvo Ocean Race previsto para junho em Gotemburgo, Suécia – André vai integrar um projeto náutico que será desenvolvido em Itajaí.
Adilson Pacheco
Editor

Regata News – Como foram quatros primeiras pernas? Desafios? Medos? Decepção?

André Fonseca – O desafio foi – fazia bastante tempo que eu não tinha possibilidade de navegar. Então para mim, foi muito importante estar na equipe da Espanha. O maior desafio foi conseguir se adaptar ao grupo e também a parte física. Foi um convite em cima da hora, eu não estava tão bem preparada fisicamente. Então, nas primeiras pernas os desafios foram a readaptação e o cuidado para não ter nenhuma lesão. Acho que minhas preocupações que tive nestas primeiras pernas foi ter cuidado do corpo e tentar não se machucar para continuar na equipe.
A gente não vem conseguindo obter bons resultados. Temos uma equipe boa, tem um barco bom, e a expectativa é das melhores, muito além do que viemos conseguindo fazer. Então, acho que a nossa decepção por enquanto é em relação aos resultados e a vontade de querer fazer bem, e a gente não conseguiu. Mas vamos continuar lutando para conseguir isto

Regata News – Você participou do Brasil 1, nesta edição o barco completa 10 anos, o que mudou na sua vida profissional depois desta participação.

Bochecha – O Brasil 1 foi onde abriu a possibilidade, para eu estivesse aqui hoje. Se não tivesse um barco brasileiro, uma equipe brasileira, eu nunca teria tido a oportunidade de ter feito uma volta ao mundo, e não teria tido a oportunidade de ganhar experiência e estar aqui hoje. Acho que o convite, só veio por que a experiência e a porta que o Brasil 1 abriu para mim foi muito grande. E fico muito contente, era uma equipe de amigos, uma equipe de brasileiro. Uma pena que as equipes exigem muita experiência, porém para se adquirir experiência é muito difícil. Então quando você tem um projeto em casa, isto é muito bom.

Regata News – O que você guarda de melhor momento daquela primeira participação do seu pais em uma regata do porte da Volvo Ocean Race.

Bochecha- Uma coisa que a gente tinha era grupo amigos muito legal, acho que surgiu por ai. E fizemos outras amizades. A gente encarou a regata como desafio de participar, e acabamos conquistamos uma união muito grande do grupo.

Regata News- Entrevistei recentemente seu pai – quer dizer que o gosto pelo esporte náutico na família Fonseca passa de geração em geração?

André Bochecha – Eu aprendi a velejar por incentivo do meu pai. E é claro, acho que como ele tinha este prazer pelo mar foi tentando transmitir para sua família, para mim e para minha irmã. O filho da minha irmã tentou navegar um pouco. Então a gente tem uma ligação com o mar que veio através de meu pai. Ele quando era mais jovem surfava, velejava e teve desde de jovem gosto pelo mar e foi tentando transmitir para nós. E eu tomei o gosto por isto.

Regata News- O que falta para o Brasil ter um barco nacional. Tendo velejadores do seu porte, mais Joca, mais Horácio, Torben?
Bochecha – Acho que o Brasil falta conseguir o dinheiro. Acho, que é um coisa que não é nada fácil é preciso bastante dinheiro. Existe no Brasil pessoas com bastante experiência que poderiam fazer parte de uma equipe. Mas estas pessoas, querem fazer bem, e para fazer bem precisam de incentivos, precisam de dinheiro. E precisa ter o dinheiro cedo e não tarde. Acho que este e é maior os desafio. E as empresas e o governo precisam querer, senão não adianta somente os velejadores quererem. Porque para fazer uma volta ao mundo se precisa de dinheiro.

Regata News-Sua expectativa para chegar a Itajaí?

Bochecha – Expectativa é muito grande para chegar, e já são muitos dias longe de casa. Muito dias longe dos amigos. Estou com muita expectativa para ver a família, os amigos. Expectativa para se fazer um bom resultado. E sair de Itajaí que é a metade da regata – com outros incentivo e com outros objetivos para o restante da regata.

Regata News – Cabo Horn continua sendo o grande desafio ou será superado pela qualidade dos barcos desta edição?

Bochecha – Cabo Horn- é um desafio para qualquer tipo de barco, navio, barco a vela e lancha. Qualquer tipo de barco que estiver navegando naquela região,- sabe que está em uma região de condição de ventos fortes, muita onda. É um lugar que todo marinheiro e todo navegante, precisa ter respeito e cuidado. Acho que a qualidade dos barcos ajuda, mas quem não tiver respeito vai ter problema.