Adilson Pacheco entrevista Isabella Nicolas

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REGATA News-Como nasceu a ideia de se fazer um filme focado na primeira e histórica entrada no Brasil em uma Volvo Ocean Race?
iSabela– A idéia inicial não era um filme. Fui sondada pelo Ênio Ribeiro, diretor de mktg do projeto, para fazer um institucional. Mas quando vi a empreitada, sugeri um documentário de longa-metragem e eles aceitarem a idéia.

REGATA News-Como nasceu a ideia de se fazer um filme focado na primeira e histórica entrada no Brasil em uma Volvo Ocean Race?
Isabella Nicolas- A idéia inicial não era um filme. Fui sondada pelo Ênio Ribeiro, diretor de mktg do projeto, para fazer um institucional. Mas quando vi a empreitada, sugeri um documentário de longa-metragem e eles aceitarem a idéia.

REGATA News-Li em várias reportagens da época que foi bastante desafiadora a produção dos “Senhores do Vento”. Afinal quanto tempo levou para produzir o filme e quem participou? E onde foi feita a produção
Isabella Nicolas– Foi uma produção complicada porque não captamos a totalidade do valor orçado, então tivemos q ir com equipe super reduzida, apenas eu, um câmera e um operador de áudio. Ninguém tinha assistente, tínhamos q carregar o equipamento todo sozinhos. Eu também não tinha verba pra levar alguém de produção, então tinha q fazer a produção local, operar um das câmeras, entrevistar em diversas línguas, enfim, bastante cansativo. Principalmente porque não podíamos chegar nos porto com antecedência, chegávamos às vésperas, à vezes no próprio dia em q o barco chegava ou saía, sem tempo de se acostumar com a diferença de fuso e de hábitos. Na África do Sul, quase fomos atropelados por olhar pro lado errado da rua na hora de atravessar e quando voltamos da Nova Zelândia, ficamos dias sem sono à noite e dormindo em pé de dia.
A produção só começou a ficar mais fácil nos Estados Unidos, porque já tínhamos bastante intimidade com os tripulantes, que me ajudavam até carregando equipamento. E a etapa Europa foi excelente também, nossa produção já estava azeitada, a tripulação também estava mais relaxada, ganharam uma etapa, foi muito bom!
Depois veio a pós-produção, toda feita no Rio. Tínhamos mais de 500 horas de material bruto. Foram quase 10 meses de decupagem pra chegar a 6 horas, depois mais 6 meses prum primeiro corte, ainda bruto. Ou seja, a edição durou um ano e meio. A mais complicada que já experimentei.

Europa com cam alto Portsmouth Jun 06(Crédito Gustavo Mota)

REGATA News-A trajetória do Brasil 1 que chegou em terceiro lugar na final ganhou um desdobramento muito feliz: produção de um filme, Torben Grael e Murillo Novaes publicaram um livro “Lobo do Mar” relatando a saga. Você chegou a ver este livro do Grael para enriquecer o roteiro?
Isabella Nicolas-O livro saiu depois. E não teria me baseado nele, pois são narrativas totalmente diferentes. Tivemos que montar o quebra-cabeças aos poucos, só com criatividade e muita paciência mesmo. Foram 3 editores no total e acabei finalizando a edição com o Leandro Ferreira, que começou como operador, mas que foi o único que não abandonou o barco. Como o Brasil 1, foi uma viagem difícil a montagem, mas valeu a pena.

Filmando no Brasil 1

REGATA News-Mas observa-se também que depois desta experiência brasileira com um barco nacional e não tivemos nenhum outro filme nacional documentando a participação de brasileiros em uma Volvo Ocean Race – diante deste contexto o qual era o objetivo de se produzir o filme ?
Isabella-O objetivo do filme era documentar uma aventura jamais vivida por velejadores brasileiros. Não sabíamos onde e como acabaria esta viagem. Por isso, sem saber se o Brasil 1 daria material para um longa ou se, como outro barco da competição, nem sequer passaria da pirmeira perna, fiz uma pesquisa sobre a vela no Brasil, de Cabral a Grael, para, caso não tivéssemos material, fazer um histórico da vela no país antes deste feito. Mas, como sabemos, o Brasil 1 viveu tudo o q se podia esperar de uma regata como essa. Aquele material de pesquisa ficou guardado. Há dois anos então, a Volvo, mais uma vez, me deu apoio para realizar este novo filme, intitulado “Mar Me Quer”, que conta a história da vela brasileira, do mar, dos rios e represas, indo desde os descobridores até os campeões de hoje, passando pela fundação do primeiros clubes, pela vela de oceano, de rio e de competição. E nele falaremos também dos brasileiros na Volvo Ocean, vencedores da edição seguinte à que o Brasil 1 participou.

Foto 2 diretora

REGATA News-Como foi a repercussão dos Senhores do Vento foi exibida no Brasil inteiro? Tens uma projeção de quantos milhares de brasileiros viram o filme?
Isabella- O “Senhores do Vento” teve exibição comercial apenas no Rio, em Santa Catarina e em São Paulo, mas participou de festivais e mostras no país afora e em alguns grandes festivais do mundo, como o de Toronto, por exemplo, tendo ganhado prêmios em diversos deles. Ainda atualmente, recebe convites de festivais internacionais, como o da Bulgária, em agosto próximo e o de Paraty, também este ano. Além disso, teve exibição em versão reduzida no Canal SporTV, com várias reprises e segue vendendo DVD’s. Acredito que no total, muitos milhares assistiram o filme.

REGATA News-Produção nacional dá lucro ou é a cada produção tem que estar correndo atrás da maquina para buscar patrocinadores e recursos públicos
Isabella-Poucos filmes nacionais dão lucro. Ainda não poderíamos ter um cinema forte sem o apoio do governo e da iniciativa privada. Mas já estamos crescendo muito e a cada dia mais e mais produções nacionais chegam a 2, 3 milhões de espectadores e, de uns dois anos pra cá, algumas batem a bilheteria de grandes sucessos americanos.
REGATA News-Quanto foi investido na produção do Senhores do Vento e quanto tempo levou para ser produzido?
Isabella- Foram investidos 550 mil reais e demorou 1 ano e pouco de filmagem, já que começamos ainda nas reuniões de captação de recursos, e mais 2 anos e meio pra ficar pronto e chegar ao cinema.
REGATA News-Qual foi o foi o seu principal desafio durante a produção do filme?
Isabella-Sem dúvida, a edição. Jogamos fora muita coisa boa, senão seria, com o perdão do trocadilho, “E o Vento Levou”, versão ainda muito mais longa.

http://youtu.be/_hapoGt335Q

REGATA News-Em algum momento chegou a pensar em desistir diante das dificuldades?
Isabella -Pensar em desistir não, mas chorei algumas vezes, de cansaço na produção e desespero na edição.

REGATA News-Filme produzido e em exibição em centenas de salas ….qual é a sensação neste momento. Vendo o produto final sendo comentado na mídia ?visto pelo público? Críticos avaliando e postando seus comentários?
Isabella -É muito bom ver que o filme agradou tanto. Recebo muitos emails de velejadores e amantes do esporte, tenho muitos em minha página do facebook que sempre comentam o filme, dizem assisti-lo inúmeras vezes. Mas o mais legal é quando os que não gostam de vela fazem comentários como o da professora de yoga que disse que se identificou com os tripulantes, como brasileira, que está sempre vencendo obstáculos, com aquele jeitinho e bom humor típicos da gente. E ganhar os prêmios também dá imenso prazer. Podemos até não obter lucro com as produções, mas nosso lucro é outro.

REGATA News-Hoje julho de 2013 o que você ganhou com a produção do Senhores do Vento. Faria tudo novamente ou tem alguns pontos que mudaria? Quais pontos mudariam se fosse realizar esta produção hoje?
Isabella-Estou aqui editando um novo filme. E novamente sobre a vela. Isso responde sua pergunta. Fazer documentários é uma paixão. Sou produtora executiva de longas. Acabei de trabalhar numa comédia de sucesso, o “Vai Que Dá Certo”, que deu super certo e que já está partindo pra uma segunda parte. Trabalhar com atores, roteiro fechado, é uma delícia. Mas sou também jornalista. E no documentário junto os dois prazeres, do jornalismo, da pesquisa, da entrevista com o do cinema. O trabalho é imenso, a dedicação é maior, mas é o que gosto, então…

REGATA News-Na verdade sua produção deixou para a história um grande registro do ingresso no Brasil na mais longa regata do planeta…. hoje tem algum projeto voltado para produzir um filme da saga dos tripulantes de uma Volvo Ocean Race?
Isabella -Minha primeira paixão foi o jornalismo, inicialmente o impresso. Mas entrei pra faculdade muito cedo, então decidi fazer Letras primeiro, aqui no Rio, onde moro. Me formei nesta e em mais 2 faculdades, vivi anos fora do Brasil, na França e nos Estados Unidos, trabalhei como professora de línguas, intérprete, jornalista, entrevistadora para a Sony Music, fiz videoclipes e videoreleases, fui assistente de direção de longa-metragens estrangeiros rodados no Brasil, sou produtora executiva de longas nacionais, dirijo vídeos empresariais e de treinamento e já realizei algumas dezenas deles. Há 8 anos produzi e dirigi um documentário sobre a história do cinema brasileiro e, na sequência, transcrevi o material, fiz uma pesquisa iconográfica e, com o apoio da Petrobras Distribuidora, lanei o livro “O Cinema Brasileiro no Século XX”. Graças a estes dois trabalhos, sou convidada constantemente para dar palestras sobre esse assunto. Tanto o livro como o filme seguem comentados e o filme, recentemente, ganhou dois prêmios, o de melhor montagem e de melhor documentário. Há 6 anos abri minha própria produtora, a BOOK FILMES LTDA., que tem como foco institucionais e documentários, mas, atualmente, em parceria com a Gengibre Multimidia, estamos produzindo conteúdo para um canal de TV por internet, o CHÁ DE TV, que terá humor e informação em sua grade. E, assim que terminar de editar o “Mar Me Quer”, sigo a produção de outro documentário, sobre o produtor musical “LIMINHA”, no qual venho trabalhando há 3 anos e que espero conseguir verba pra terminar ainda no primeiro semestre de 2014.

REGATA News-Afinal quem é Isabella Nicolas, quantos filmes já produziu ? Onde mora? Formação?
Isabella- Sempre amei cinema. Fora quando os estudos ou o trabalho me impediram, nunca passei uma semana sem ir ao cinema. E desde os 11 anos decidi que queria ser jornalista, escrever. O presente que pedi de aniversário foi uma máquina de escrever, onde comecei essa trajetória. a máquina está aqui no escritório, ao lado do meu Mac.

REGATA News-Como começou a tomar gosto por produção de filmes? É um mercado muito competitivo?
Isabella – Não é um mercado fácil, é muito fechado, mas, ao menos a minha experiência sempre foi agradável, equipe, elenco, patrocinadores, fiz de todos eles amigos. Não sou competitiva, não gostaria de viver no mundo corporativo, onde a competitividade é parte do roteiro, Espero que possa seguir escrevendo e fazendo audiovisual, pois não saberia viver de outra maneira.