Desafio das Fortalezas:Vinte e cinco barcos e trinta e sete velejadores na Ilha de Santa Catarina

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Foto: Gabriel Heusi,
Foto: Gabriel Heusi,

Os vinte e cinco barcos e trinta e sete velejadores que disputaram o Desafio das Fortalezas, não podem se queixar da edição de 2014. As condições climáticas estiveram perfeitas durante o dia da competição.O Desafio das Fortalezas é uma regata de percurso médio entre as fortalezas que fizeram parte do sistema defensivo da barra norte da Ilha de Santa Catarina no séc XVIII.

>Bruno Wildner
Especial
>Gabriel Heusi,
Fotos
Quando o Brigadeiro José da Silva Paes projetou o sistema defensivo da Ilha de Santa Catarina, nunca imaginou que as Fortalezas de Santo Antonio de Ratones, São José da Ponta Grossa e Santa Cruz de Anhatomirim, seriam o cenário para a competição a vela mais emocionante do Calendário Náutico Catarinense.
Os vinte e cinco barcos e trinta e sete velejadores que disputaram o Desafio das Fortalezas, não podem se queixar da edição de 2014. As condições climáticas estiveram perfeitas durante o dia da competição. O vento nordeste de médio a forte intensidade, sopraram constantes proporcionando momentos especiais tanto para os velejadores quanto para o público que acompanhava a regata nas ilhas ou nos restaurantes da Rota Gastronômica de São Miguel, local da largada e chegada da prova no município de Biguaçu.
O Desafio das Fortalezas é uma regata de percurso médio entre as fortalezas que fizeram parte do sistema defensivo da barra norte da Ilha de Santa Catarina no séc XVIII.
A regata acontece sempre no último final de semana de novembro e tem sua largada no bucólico Balneário de São Miguel em Biguaçu. Após percorrer toda a orla da praia, os velejadores seguem em direção a Fortaleza de Santo Antonio dos Ratones, na ilha de Ratones Grande, depois montam uma bóia em frente a Fortaleza de São José da Ponta Grossa, entre a badalada praia de Jurerê Internacional e a praia do Forte, contorna a ilha de Anhatomirim por bombordo e retornam até a linha de chegada junto a praia de São Miguel.

O percurso de aproximadamente 15 milhas náuticas passa por uma das regiões mais bonitas e encantadoras do litoral catarinense, composto por belos cenários e de uma história náutica riquíssima, que nos remete à época no Brasil colonial onde todo o transporte era feito através de embarcações. Foi justamente para defender essa região estratégica para o domínio português na região, que o Brigadeiro José da Silva Paes projetou e construiu o triângulo defensivo da Ilha de Santa Catarina, hoje Florianópolis. É neste cenário, recheado de beleza e história que acontece o Desafio das Fortalezas.
O vento nordeste que começou a soprar ainda durante a manhã já mostrava aos velejadores que o desafio deste ano não seria fácil, prova disso foram os dez velejadores que não completaram o desistiram da prova.
A largada foi de vento em popa, entre uma bóia e o trapiche de São Miguel. O público que estava presente em um dos seis restaurantes da Rota Gastronômica, puderam curtir de perto a largada e a emocionante montagem da primeira bóia, que dava início a perna mais desgastante de todo o percurso.

Fotos: Gabriel Heusi,
Fotos: Gabriel Heusi,
Foto: Gabriel Heusi,
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A ida de são Miguel até a Fortaleza de Santo Antonio de Ratones, na Ilha de Ratones Grande, foi um interminável bordo que testou a resistência dos velejadores. Foi comum na praia depois da regata escutar atletas comentando de câimbra ou dores durante essa perna. Passando Ratones, os velejadores entram no contra vento até a bóia em frente a Fortaleza de São José da Ponta Grossa. Durante essa etapa do percurso traçaram suas estratégias para lidar com a correnteza do canal, o baixio da Daniela e as ondas que para a sorte dos navegadores não estavam grandes nesse dia.
Após um través até a Ilha de Anhatomirim e um encontro com os milhares de turistas que visitam a ilha e suas escunas estilo Pirata, os catamarans retonaram até as águas abrigadas da Baia Norte com destino a Linha de Chegada.
NOVIDADE
O Desafio das Fortalezas – 2014 trouxe uma novidade para os velejadores de catamarans no Brasil, o rating. Comum na Europa ou para regatas de barcos de oceano no Brasil, o rating não costuma ser usado em classes de monotipos como a Hobie Cat 14 e 16, por exemplo. Com o rating, todas as classes disputam o Desafio de forma justa. Na edição deste ano, estiveram presentes 6 tipos de barcos diferentes, entre eles os populares Hobie Cats, 14 e 16, A-cats e Supercats.
A inclusão do sistema de rating permitiu aos organizadores colocar um cobiçado troféu do artista plástico e velejador Tcheco, Petr Maslin, em disputa. O troféu que será transitório, é uma obra de arte feita de cerâmica que retrata as fortalezas do percurso do Desafio.

Fotos: Gabriel Heusi,
Fotos: Gabriel Heusi,

DISPUTA
Como o sistema de rating era uma novidade entre os velejadores, o desempenho de cada classe em comparação com as outras também era uma incógnita. No final a disputa acabou entre o Hobie 16 de Marcel D’Almeida e Ana Paula D’Almeida contra o Hobie 14 de Adam Max Mayerle. Marcel e Ana de HC 16 acabaram vencendo por uma diferença de menos de um minuto para o segundo colocado de HC 14.
PRESENÇA INTERNACIONAL
O Desafio das Fortalezas 2014 contou com a presença do velejador português Luis Lopes que fez sua estréia no Hobie Cat 16 ficando no podium em 3º lugar na classe. Já o americano Alan Freeman velejou a bordo do seu Hobie Getaway.

Fotos: Gabriel Heusi,
Fotos: Gabriel Heusi,

RESGATE DE VELEJADORES
Carinhosamente chamados de Dinocat, que são antigos Hobie Cats de velejadores de praia e que normalmente não costumam participar de competições, também marcaram presença forte no Desafio. A flotilha mais numerosa e os velejadores mais animados mostram que o Desafio além de competição também é diversão. É no Desafio das Fortalezas que muitos se encontram para velejar e confraternizar em uma das regiões mais bonitas do Brasil.

Foto: Gabriel Heusi,
Foto: Gabriel Heusi,

EXPERIENCIA
O campeão do Desafio das Fortalezas 2014, Marcel D’Almeida, é a prova de que experiência é importante para vencer provas como esta. Com uma carreira que tem em seu histórico um vice-campeonato mundial de Hobie Cat 14, campanha olímpica de Tornado e diversas conquistas de Hobie Cat 16, Marcel pode se orgulhar de ser o primeiro a colocar o seu nome no troféu do Desafio das Fortalezas.