Opinião do economista Célio Furtado // BRASIL/ PRODUTIVIDADE/ ELEIÇÕES/

 

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Célio Furtado
*Economista e professor da Univali
celio.furtado@univali.br

Tenho escrito alguns artigos sobre a produtividade, um conceito tradicional e necessário para quem pensa a economia. Um tema com pronta aplicação tanto no ponto de vista micro como macroeconômico. O senso comum logo percebe o sentido da produtividade quando afirma que o trabalho daquela pessoa “ não rende”, ele se mexe muito, mas não apresenta resultados palpáveis.

Leio na imprensa que a Produtividade brasileira reage, após queda de 6,45% nos últimos anos, voltando a crescer, a constatação de que o nosso país, após uma recessão, retoma o crescimento. De fato, muitas empresas investiram em melhoria de processos, treinamento da mão de obra, mesmo no auge da crise, sabendo que, em algum momento, haveria a recuperação econômica. Um país, com as nossas características, dimensões e potencial não pode falir.

Particularmente, apoio, como cidadão, as medidas econômicas adotadas pelo governo Temer, pois, ele teve a coragem de apontar as causas dos nossos problemas: o desequilíbrio orçamentário, uma cultura corporativista que se abraça e não larga de jeito nenhum as benesses do estado brasileiro, sempre generoso. Pode-se dizer que Temer não conseguiu governar na plenitude, inicialmente, com a falsa pecha de “golpista” e, posteriormente, com duas tentativas de destituição pelo Congresso. Quando venceu as duas, aparecem novas acusações. Se Temer vencer esse último obstáculo, poderá influenciar melhor na campanha do seu candidato à presidência da República.

Infelizmente, as eleições deverão ser polarizadas entre dois candidatos que não inspiram confiança ao mercado, Bolsonaro e o candidato do Lula. Estamos na metade da campanha oficial, muita coisa pode acontecer. No meu entendimento, a melhor solução, nesse momento, passaria pela opção de centro: Amoedo, Alckmin ou Meirelles. Retomando o assunto inicial, sabemos que as causas da produtividade brasileira ser tão modesta: baixa capitalização da economia brasileira, pouco investimento na produção, talvez pelas incertezas crônicas da nossa economia. Segundo a teoria economia clássica, a produtividade resulta da combinação eficaz das três fontes de riqueza: recursos naturais, capital e trabalho. Também a precária qualificação do capital humano, uma educação insuficiente, deixando milhares de jovens sem preparo e sem perspectivas.

Além do mais, a qualidade das nossas instituições, inseguras; sistema tributário complexo, excesso de regulação ou regras confusas, e uma forte corporação que protege o Estado e seus generosos privilégios. São todos problemas bem conhecidos, e de difícil solução, haja vista a quase impossibilidade da tão necessária reforma da Previdência. O custo-Brasil inviabiliza qualquer retomada, sobrando poucos recursos para o investimento interno em infraestrutura. Sabemos que a taxa de formação de capital é baixa, pouca poupança interna, não acompanhando o desenvolvimento das economias maduras.

Precisamos de um novo governo que tenha a visão de longo prazo,  foco no bem comum, espírito público , confiança nas pessoas e nas instituições. A retomada do crescimento e os ganhos de produtividade somente acontecerão em um ambiente econômico que ofereça estabilidade para novos investimentos e uma inserção pragmática do Brasil no mercado internacional. Porém, a “voz do povo é a voz de Deus”, viva a Democracia !


Célio Furtado, nascido em 1955/ Professor da Univali/ Formado em Engenharia de Produção na Universidade Federal do Rio de Janeiro/ Mestre Engenharia de Produção/ Coppe/Ufrj/trabalhou no Sebrae Santa Catarina e Rio de Janeiro. Consultor de Empresa/ Comunicador da Rádio Conceição FM 105.9/ celio.furtado@univali.br


 

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