Itajaí – Meio Ambiente – Lixo marinho do atlântico sul é o grande desafio

Foto:Adilson Pacheco

Foto:Adilson Pacheco

Representantes de Universidades, governo e setor privado se reuniram nesta segunda feira, 02 em Itajaí-SC, para o 1° Encontro sobre lixo marinho do Atlântico Sul.

Letícia Woestehoff
Especial

A iniciativa foi da Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC e vem de encontro a campanha mares limpos da UNEP (United Nations for Environmental Protection). O objetivo foi discutir, conscientizar e tomar atitudes práticas em relação aos cuidados, monitoramento e limpeza dos oceanos.

Durante o evento foram realizadas palestras, mostra de cinema ambiental, a elaboração da carta Veleiro ECO 2017 e uma mesa redonda com os comandantes Amyr Klink, Vilfredo Schurmann e Olivier Petit, do TARA Expedition Foundation, veleiro francês que serviu de inspiração para a construção do Veleiro ECO, da Universidade, que servirá como laboratório de pesquisa embarcado.

O barco foi construído em Florianópolis e irá atender a comunidade científica da UFSC e outras universidades parceiras conveniadas. A embarcação também prevê o desenvolvimento de projetos focados na sustentabilidade dos oceanos.

De acordo com Orestes Alarcon, que está a frente do projeto, pela primeira vez os cursos de graduação e pós-graduação de Engenharia Mecânica e Materiais, Oceanografia, Ecologia, Zoologia, Geociências e Botânica da UFSC se unem num projeto em comum.

A partir do veleiro será produzida uma série televisiva de 13 episódios mostrando um ecossistema a cada programa. O programa que será exibido no canal Futura abordará a importância econômica, social e ecológica, além dos mistérios e encantos do mar. Orestes ressalta que as séries contam com apoiadores que podem reverter 100% do valor investido em abatimento do imposto de renda.

O batismo do barco que aconteceria na continuidade do evento foi cancelada em luto ao reitor da Universidade, Sr. Luiz Carlos Cancellier, que faleceu na mesma manhã.

MESA REDONDA

Em contribuição ao projeto o comandante Amyr Klink incentivou alunos e professores presentes dizendo que melhor que sair na foto é construir sua própria foto e por isso sente-se feliz que a UFSC tenha conseguido terminar seu barco. Concluiu ainda que o planeta não tem espaço para viver em redundância, com a tamanha produção de lixo que fazemos hoje. Para Amyr “a escassez é o motor da criatividade.”

Para o comandante do veleiro KAT, Vilfredo, a mudança só acontece através da educação e conscientização e por isso adiantou que o próximo projeto da família Shurmann será todo em torno da sustentabilidade. “Levar educação  para as pessoas é a nossa preocupação. A mudança acontece pela consciêntização, existem soluções e este é nosso foco”, afirmou.

O projetista francês Olivier fechou a mesa redonda com o recado aos jovens, “ Sigam seus sonhos ainda que eles não estejam em linha reta.”

 TEMAS DISCUTIDOS

Entre os palestrantes esteve a professora Paula Sobral da Faculdade de Ciência e Tecnologia da Universidade Nova e MARE – Centro de Ciências do Mar e do Ambiente de Lisboa- Portugal. Ela abordou o tema do microplástico, com tamanho até 5mm. Segundo ela este material é uma ameça “invisível” e não pode ser ignorado pois é ingerido pela base da cadeia alimentar e no processo acaba chegando a nossa mesa.

Márcio Gerba, do projeto Route, que produz vídeos sobre o assunto enfatizou a necessidade de se pensar em metodologias para que a sensibilização chegue até as pessoas que não estão participando de eventos como este que aconteceu nesta semana. Também advertiu que “é necessário fazer uma coleta de dados de quais são os lixos encontrados, suas respectivas marcas e fabricantes para que seja possível identificar os responsáveis pelos crimes ambientais.”

Por outro lado, Miguel Bahiense, presidente da Plastivida defendeu que não é o plástico que pratica o crime e sim quem o lança ao meio ambiente. Ele explanou que somente deixar de utilizar o plástico só substitui a matéria prima em questão. Em seu discurso ele afirmou que “O importante é a maneira como nós nos relacionamos com a sujeira produzida. Existem políticas públicas para a reutilização e utilização consciente do plástico, o problema é que ela não é praticada. Não se trata de achar culpados mas sim de educar e conscientizar todos os atores envolvidos, de todos os setores, sobre como se relacionar com a utilização do mesmo.”

Também estiveram presentes profissionais da Universidade de São Paulo – USP, Universidade Federal da Bahia – UFBA e Universiade Federal de São Carlos – UFSCar.



 

 

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