Horácio Carabelli:” A entrada de um atleta brasileiro , aproxima a nova geração do esporte”.

Horácio e Joca - Foto: Adilson Pacheco

Horácio e Joca – Foto: Adilson Pacheco

O visitante que chega na Vila da Regata da Volvo Ocean Race em Alicante vai ver um barco azul e amarelo exposto e aberto a visitação pública. Pois é, ali em solo espanhol está uma parte da história náutica do Brasil. O barco Brasil 1 foi a primeira e única investida do Brasil na mais longa e desafiadora regata da terra. O Brasil precisa voltar com um barco nacional para a 13ª edição. REGATA NEWS com exclusividade entrevistou dois tripulantes do Brasil 1 – Joca Signorini e Horácio Carabelli.
Adilson Pacheco
Editor

REGATA NEWS: Como o senhor vê a entrada de um catarinense em uma Volvo Ocean Race. Sabendo que uma das paradas é exatamente em solo catarinense?
Horácio Carabelli- A única parada no Brasil é em Santa Catarina, então, obviamente, um velejador talentoso, experiente e catarinense trará um grande retorno midiático ao evento. O público terá dupla razão para comparecer ao evento e torcer. Acho que iremos adotar o time espanhol como favorito de novo.
1.REGATA NEWS – E sonho de se ter um barco brasileiro, Joca abraçaria uma causa desta.
Joca Signorini – Este é meu quarto projeto de VOR consecutivo. Nas últimas três edições eu estive presente no barco em todas as etapas. O desgaste é muito grande. Me interessaria muito estar ligado a uma equipe brasileira novamente, mas depende muito da estrutura e ambição do projeto.

REGATA NEWS – Com a entrada de André aumenta o interesse do brasileiro pelo esporte náutico e especial pela Volvo Ocean Race?

Horácio Carabelli – Com certeza! A Volvo Ocean Race é uma regata classificada como radical. Sem dúvida, isso, por si só, atrai muito o interesse pelo esporte. A entrada de um atleta brasileiro , aproxima a nova geração do esporte. A projeção nacional será muito maior. E se os organizadores do evento trabalharem com o mesmo afinco da edição passada, certamente o sucesso será ainda maior.

REGATA NEWS: Você e o André estavam juntos no barco Brasil 1-
Joca – Fiquei muito Feliz de saber da notícia do “Bochecha” fazendo parte da equipe espanhola. É muito importante para a regata, para a parada em Itajai e para a Vela do Brasil que mais um Brasileiro se soma a regata.
A experiência do Brasil 1 foi muito importante para mim e Bochecha. Nós éramos os mais novos do Barco e aprendemos muito durante a regata. O Brasil 1 “abriu portas” para ambos. Depois do Brasil 1 eu fiz parte do Ericsson 4, Telefónica e agora estou com SCA (Porém não na água). Buchecha fez algumas etapas no Delta Loyd em 2008/09 e fico muito contente que ele agora está com os espanhóis. Com certeza eles estarão na disputa e com muita chance de excelentes resultados. Bochecha com certeza é um tripulante que fortalecera a equipe espanhola.
REGATA NEWS- Um outro aspecto: um pais que tem um Horácio Carabelli, Torben Grael, Bochecha, Joca. Você não poderia encarar a participação de um barco nacional?
Joca – Nós três temos muita experiência na VOR. Torben com duas regatas, Horácio com três (duas velejando e uma em terra; e eu agora com quatro (três velejando e uma em terra) …. Como falei anteriormente, organizar uma equipe não é fácil e necessitaríamos de uma estrutura muito boa para poder cumprir com todos os objetivos, que acabaríamos por ter.

REGATA NEWS- André e você estavam juntos no Brasil 1.com a entrada de André pode aumentar o interesse de empresas de Santa Catarina em um barco nacional?
Horácio -Absolutamente! Para qualquer empresa é bom ter seu nome associado a um esporte que desafia e vence tantos obstáculos. Contamos com isso. Nossos maiores medalhistas olímpicos são atletas da vela, como Torben Grael e Robert Scheidt. Não compreendo porque até hoje não houve interesse em um Brasil2, já que além dos nomes já citados, temos inúmeros outros velejadores reconhecidos internacionalmente, como o próprio André, que já foi campeão mundial duas vezes e já participou de duas voltas ao mundo, Joca Signorini (três voltas ao mundo, tendo vencido uma delas, como velejador e uma quarta como coach), Bruno Fontes (também catarinense), e tantos outros.

REGATA NEWS- Na sua visão qual é o maior desafio para ter um barco nacional ?
Joca – Creio que de inicio assegurar todos os recursos e estrutura necessárias para uma campanha que poderia brigar pelo título da regata. A logistíca também seria um desafio bem grande.
REGATA NEWS – O que falta para o velejador, empresário e engenheiro Horácio Carabelli abraçar esta causa de um projeto do barco nacional?
Horácio-A certeza de um projeto como o Brasil1, ou Ericsson4, em que competir não era suficiente e vencer era mesmo o objetivo final. Eu entraria em uma equipe com este perfil. Ter a vitória como meta não é garantia de que chegaremos lá, mas é o passo mais importante. E ter os recursos necessários, uma equipe que trabalhe motivada para atingir este objetivo, que vista a camisa da equipe em ambos o sentidos é a ferramenta necessária.
REGATA NEWS- Na tripulação de terra quantos profissionais são envolvidos. Estima-se recursos na ordem de 12 milhões para participar com um barco nacional.
Joca- Com as regras atuais, uma equipe com uma boa estrutura, contará com ao menos 20 profissionais entre: Tripulação, Equipe técnica, Comunicação e marketing, logística, finanças e administração. As equipes são como pequenas empresas. Ao todo são ao menos dois anos de envolvimento de grande parte dos membros da equipe, pois até que se iniciam os treinos com o barco e tripulação, necessita-se de muito trabalho.

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