Claudio Fischer >Itajaí: a capital náutica de Santa Catarina

DSC01082Cláudio Fischer
Capitão Fischer – veleiroamazonas@gmail.com

O Brasil tem uma costa privilegiada e única se considerarmos a sua diversidade. As características da costa do nordeste diferem das características do sudoeste, assim como da recortada costa do sul. São praticamente 8,5 mil quilômetros de muito potencial, entretanto o turismo náutico e recreativo depende, ainda, de iniciativas isoladas, sem uma política centralizadora e nacional de fortalecimento do segmento.
Dito isso e pela experiência que adquiri com o Veleiro Amazonas ao visitar alguns dos mais desejados points de mergulho espalhados pelas ilhas do Caribe e a costa leste dos EUA, posso afirmar que temos uma joia ainda não lapidada que possa atrair um número maior de embarcações para a nossa rica costa brasileira. Os números ainda são insignificantes, mas algumas ações isoladas me fazem acreditar que o crescimento do turismo náutico é um caminho sem volta.
Fechando o foco para Santa Catarina. Embora tenhamos regiões que não perdem em atrativos subaquáticos para ninguém, segundo estudo do Ministério do Turismo o nosso estado é receptor insignificante no segmento perdendo em número de turistas para São Paulo, Rio de Janeiro, os principais estados do Nordeste e até do Paraná. Isso se explica pelas dificuldades em se criar estruturas que possam encorajar os turistas embarcados a optar pela costa catarinense.
Neste cenário pouco animador, a cidade de Itajaí surge como um exemplo a ser seguido. O poder público lidera um processo positivo que envolve diversas frentes. O prefeito Jandir Bellini, mesmo não sendo do setor, acreditou na Volvo Ocean Race, a F1 da vela mundial, que gerou um estrondoso retorno de imagem para a cidade, definitivamente incluída no mapa mundi da vela. Acreditou na Jacques Vabre, outra regata internacional de respeito. Equipou Itajaí de uma marina valendo-se de uma parceria público/privado que representa um avanço estrutural. E Enxergou, como ninguém, a função social do Porto ao manter a escola náutica junto com a Associação Náutica de Itajaí (ANI), onde as crianças da rede pública municipal participam de aulas de formação de base nas modalidades vela e remo. Acompanho de perto este belo trabalho que envolve semanalmente os jovens em um ritual de aproximação a vocação náutica que tem a cidade de Itajaí. E tenho orgulho de estar junto nisso tudo com o Veleiro Amazonas.
Itajaí é uma cidade náutica. Sua economia gira em torno do mar. Seu Porto capitaliza todas as atividades econômicas, muitas delas de alcance global. O setor pesqueiro internacional, os navios de dezenas de bandeiras que atracam por aqui – além dos navios recreativos -, as atividades da escola e os eventos esportivos colocam Itajaí na vanguarda. Trata-se de um modelo para que outras cidades do nosso litoral possam se espelhar.
A Volvo Ocean Race, em especial, tem um aspecto didático fantástico porque, além de movimentar a cidade numa grande festa, serve também como fator motivador para as pessoas que sentem de perto o que é o esporte náutico, outra modalidade esquecida na nossa costa que tem um potencial incrível para receber um calendário anual de competições náuticas de diversos gêneros.
Se afastando um pouco ao sul de Itajaí, no litoral de Bombinhas, recentemente uma ação que pode parecer algo sem sentido para alguns, é, na verdade algo que tem todas as condições de se tornar algo único em qualquer costa que você possa imaginar no mundo. Estou me referindo a instalação de uma segunda escultura do artista plástico Pita Camargo no fundo do mar. A primeira, nas Galés, aconteceu há 21 anos e teve duas funções: um gesto simbólico de conscientização sobre a importância de se preservar o meio ambiente e uma manifestação em defesa da criação da reserva natural do Arvoredo que, de fato, tornou-se realidade. A segunda escultura foi fixada recentemente no Arvoredo e com outra abordagem: o turismo náutico, através da criação de uma galeria de artes sub com a incorporação de novas obras de arte. Fiz questão de colocar a disposição o Veleiro Amazonas porque acredito nas boas ideias, ainda mais relacionadas ao mar. Aposto que uma galeria de art sub atrairá muitos mergulhadores profissionais e recreativos porque é um diferencial sem precedentes no setor.
Estes parágrafos são o suficiente para demonstrar ao leitor o quanto temos ainda a desenvolver o turismo náutico catarinense e todo seu vasto potencial. Lá fora há ótimos exemplos que podem servir de referência. Bons projetos devem ser desenvolvidos numa parceria entre o privado e o público. Projetos sérios, que respeitem a questão ambiental devem ser aplicados. Chegará o dia que o poder público despertará para este tesouro ainda escondido. E quando despertar para uma política institucional, colocando em prática os estudos existentes, encontrará na iniciativa privada parceiros interessados em desenvolver este latente potencial econômico que é o turismo náutico.
Itajaí já despertou.

5 Comments
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