Cinema – Itajaí- “Além da Lama: Memórias, Ausências, História”: Filme sobre atingidos pelo desastre de Mariana é lançado na Univali

 

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Com 317 anos, o distrito de Bento Rodrigues, na cidade mineira de Mariana, tinha história. O vilarejo de 600 habitantes fez parte da rota da Estrada Real no século XVII e abrigava igrejas e monumentos de relevância cultural. Em 5 de novembro, em apenas onze minutos, um tsunami de 62 milhões de metros cúbicos de lama aniquilou Bento Rodrigues. Dez mortes e dezoito pessoas desaparecidas. A onda devastou outros sete distritos de Mariana e contaminou os rios Gualaxo do Norte, do Carmo e Doce. Moradores de cidades em Minas e no Espírito Santo tiveram a rotina afetada por interrupções no abastecimento de água. O destino final da lama deve ser o mar do Espírito Santo, onde o Rio Doce tem sua foz. O que causou a tragédia foi o rompimento de duas barragens no complexo de Alegria, da mineradora Samarco. As barragens continham rejeito, o resíduo não tóxico resultante da mineração de ferro.

   Pois é, está dramática história de uma pacata comunidade foi transformada em um filme.

O filme “Além da Lama: Memórias, Ausências, História” será lançado na Universidade do Vale do Itajaí (Univali), no dia 21 de setembro (quinta-feira), às 20h. O evento será no Teatro Adelaide Konder, no Campus Itajaí, com entrada gratuita e aberta ao público, e integra a programação do 13º Festival Cultural da Univali. Representantes dos atingidos pelo desastre em Mariana participarão do lançamento do curta-metragem, que é um dos resultados da parceria entre a Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), Universidade Regional de Joinville e Univali, em articulação com o Movimento dos Atingidos por Barragem (MAB), a Sala Verde e as Escolas Sustentáveis.

Em julho deste ano foram realizadas oficinas em Mariana (MG), direcionadas a jovens, crianças e adultos das comunidades diretamente atingidas, como uma ação do 50º Festival de Inverno de Ouro Preto, a partir de práticas da arte-educação ambiental e da abordagem metodológica “Trilha da Vida”. O filme retrata processos ocorridos nestas oficinas e apresenta algumas histórias dos atingidos e seus dramas atuais, passados dois anos da tragédia.

Os depoimentos colhidos falam sobre as lembranças que as pessoas têm do lugar e das paisagens frente à realidade atual, em que convivem com as imagens de seus lares destruídos, sem perspectiva de retorno. Os editores do filme, Elielson Bernardino e Rafael Langella, tiveram o cuidado de envolver os participantes da oficina e os que foram selecionados para entrevista, em todo o processo de produção e edição do filme.

Além do curta-metragem, a oficina deu origem a um livro com mais de 30 histórias de vida escritas, que está sendo editado em cartonaria, pelo Instituto Caracol de Navegantes (SC), para disseminar e fortalecer a luta dos movimentos sociais e dos atingidos pela barragem. Todo o trabalho dialoga com a valorização da memória socioambiental, no processo de educação ambiental, no cotidiano da escola e das comunidades.

  Estas ações – oficina, filme e livro – resultam da parceria entre a UFOP, Univali, Univille e MAB, ativada pelos projetos de pesquisa e extensão “Escolas Sustentáveis” (UFOP), “Trilha da Vida” e Sala Verde “Observatório de Educação, Saúde, Cidadania e Justiça Socioambiental do Vale do Itajaí (SC)” (Univali) e “Arte, Cultura, Patrimônio: da produção à institucionalização – relações e tensões – ARCUPA” (Univille), com apoio do Instituto Caracol, Ladurabilité – ações para sustentabilidade e Somos do Mar.


 

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